Mentiras em cadeia nacional

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O subterfúgio que o ex-presidiário que quer voltar à Presidência da República usa para enganar os incautos, que ainda caem na lábia dele, é a mentira ou, quando muito, meias-verdades. Ele não se importa se as inverdades que conta serão ditas secretamente, com seus apoiadores incondicionais, ou se em público, diante das câmeras. O engano está tão entranhado nele que ele nem se importa se o que fala será desmentido quando a verdade prevalecer.

Na entrevista a uma emissora em cadeia nacional, Lula mais uma vez não poupou o uso de mentiras, no afã de enganar os desavisados. Para tentar criar uma narrativa em que ele é o personagem na figura de um candidato sem passagem pela polícia, ele afirmou aos jornalistas que tinha criado a lei contra a lavagem de dinheiro.

Entretanto a Lei n.º 9.613, criada para combater o crime de lavagem de dinheiro, entrou em vigor em março de 1998, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ocorre, porém, que essa norma foi alterada em 2012, durante o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, para tornar mais eficiente e rigorosa as investigações de crimes de lavagem de dinheiro. Pego na mentira, Lula até então não se explicou, até porque não tinha o que explicar.

Mas não parou por aí. Para escapar da acusação que pesa contra ele de desvio de verbas públicas, Lula teve a ousadia de dizer que criou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para cuidar de movimentações financeiras atípicas. Mais uma declaração para a lista das fake news lulistas.

Na verdade, o Coaf também foi criado pela lei citada acima e cinco anos antes do início do primeiro mandato de Lula. O órgão tem o objetivo de produzir inteligência financeira e promover a proteção dos setores econômicos contra a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo. O que ocorreu foi que no primeiro ano do governo Lula o Banco Central publicou a norma que obriga os bancos a informar ao Coaf saques ou depósitos em espécie com valores a partir de R$ 100 mil. Logo, ele não o criou como disse, pois ele já existia.

Para alcançar o desejo de voltar a ter poder sobre os cofres públicos e esconder o que ele e sua trupe fizeram no verão passado, na entrevista, Lula afirmou que criou a lei de acesso à informação, a lei anticorrupção, a lei contra o crime organizado. Só mesmo quem é bobo para cair nessa falácia. Lula não consegue se firmar na verdade.

Para quem não sabe, essas três leis foram criadas durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff e não durante o governo de Lula. Ao ser questionado, não deixou claro se estava se referindo apenas aos seus dois mandatos, quando falou da criação das leis. A lei de acesso à informação entrou em vigor em 2011, primeiro ano de Dilma Rousseff na Presidência da República. As leis anticorrupção e contra o crime organizado também foram sancionadas pela petista, em 2013.

Os fatos não mentem. A verdade sempre prevalece, falando com a língua enrolada ou não, as meias-verdades também são meias-mentiras.

Cego pela ganância de voltar a dominar o Brasil, Lula não se conteve e soltou outra inverdade sem tamanho ao afirmar que colocou a Corredoria-Geral da União (CGU) com um ministro para fiscalizar. Em verdade, a Medida Provisória n.º 2143-32, que alterou a estrutura da Presidência e dos ministérios, determinou que o corregedor-geral da União, que integra a CGU, teria status de ministro. A lei é de 2001, portanto, antes do mandato de Lula, que começou em 2003.

Pouco do que Lula fala resiste ao crivo da verdade. Ele usa a estratégia de vender sonhos para criar falsas expectativas para os que têm esperança de ver o Brasil ser governado por um candidato que não tenha passagem pela polícia e não seja um frequentador do banco dos réus.

Todo cristão sabe quem é o pai da mentira. Em João 8.44, Jesus nos alerta sobre ele e quem usa da mentira para satisfazer seus interesses está fazendo a vontade e os desejos do pai da mentira. Tal como ele que não se firma na verdade são todos aqueles que mentem, porque não há verdade neles. Como alguém em sã consciência pode depositar um voto de confiança em um candidato que deturpa fatos ou diz meias-verdades para conseguir alcançar seus interesses? Se ele está agindo dessa forma agora, vai honrar com sua palavra se for eleito?

Denis Farias é advogado, professor e consultor jurídico

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Colaborador

Redação / Foto: getty images