Jubileu de Ouro da Universal: “Quanto mais me perseguem, mais eu avanço”
Entrevista do Bispo Edir Macedo ao programa Conexão Repórter, do SBT, relembrou sua trajetória, desafios e a expansão da Igreja pelo mundo
Na entrevista concedida a Roberto Cabrini para o programa Conexão Repórter, em 2015, o Bispo Edir Macedo relembrou sua trajetória, desde a infância humilde em Rio das Flores (RJ) até a liderança da Igreja Universal do Reino de Deus, hoje presente em 151 países. A conversa abordou fé, família, perseguições, prosperidade e a expansão da instituição. Às vésperas do Jubileu de Ouro da Universal, a entrevista permanece entre as mais repercutidas de sua história.
Infância, conversão e início da Universal
Em uma das raras entrevistas longas concedidas a uma emissora concorrente da Record, o Bispo relembrou a criação rígida do pai e o complexo de inferioridade que enfrentou devido a uma deformidade nas mãos. Segundo ele, a fé o ajudou a superar essa dificuldade.
Criado no catolicismo, começou a questionar suas crenças na adolescência, especialmente após uma reflexão durante a Semana Santa. Posteriormente, afastou-se da Igreja Católica e converteu-se ao evangelho.
Após trabalhar na Loteria do Estado do Rio de Janeiro, deixou o serviço público para dedicar-se à evangelização. Assim, em 1977, fundou a Igreja Universal, cujo primeiro templo funcionava em um antigo galpão que havia abrigado uma funerária.

Ao explicar a expansão da instituição, destacou a necessidade espiritual das pessoas:
“A humanidade carece daquilo que Deus tem oferecido em Sua Palavra. Levamos essa Palavra viva às pessoas carentes e necessitadas.”
Também comparou a Universal a uma universidade que ensina os caminhos da vida, da salvação e da eternidade.
Família, perseguições e fé
O Bispo falou sobre a esposa, D. Ester Bezerra, as filhas Viviane e Cristiane e o filho adotivo, Moisés. Também relembrou o nascimento de Viviane, com fissura labiopalatina, experiência que fortaleceu sua determinação de evangelizar.
Outro momento marcante foi a prisão, em 1992, quando permaneceu 11 dias detido em São Paulo, sob acusações de charlatanismo, curandeirismo e estelionato. Ao recordar o episódio, afirmou ter sofrido uma injustiça, mas destacou que a experiência fortaleceu sua fé.
“Eu agradeço aos meus adversários. Quanto mais me perseguem, mais eu avanço.”
Na ocasião, também ressaltou a atuação evangelística e social da Universal em lugares frequentemente esquecidos pela sociedade.
Prosperidade, dízimos e Templo de Salomão
Ao abordar a teologia da prosperidade, o Bispo defendeu que Deus deseja uma vida digna para as pessoas e que a fé deve produzir resultados concretos. Além disso, rejeitou a ideia de que a pobreza e a miséria representem a vontade divina.
Sobre o dízimo, explicou que a prática simboliza colocar Deus em primeiro lugar, comparando-a ao gesto de oferecer aos pais o primeiro pedaço de bolo em uma festa de aniversário.
A construção do Templo de Salomão, inaugurado em 2014, no Brás, em São Paulo, também ganhou destaque. Considerado um dos maiores templos religiosos do mundo, o local representa, segundo ele, o cumprimento de um propósito Divino e um marco na história da Universal.
Religião, comunicação e legado
Ao comentar sua relação com a Igreja Católica, afirmou respeitar seus fiéis, apesar das divergências religiosas, e disse não manter contato com a instituição nem com o Papa. Sobre o episódio conhecido como “chute na santa”, em 1995, reconheceu o erro e ressaltou a importância de respeitar a fé alheia.
Em relação à aquisição da Record, destacou a contribuição da emissora para ampliar a pluralidade de informações e perspectivas no Brasil.
Por fim, afirmou que deseja ser lembrado como um “ganhador de almas”. Embora se considere tímido, explicou que encontra força ao falar sobre a fé.
Saiba mais
O livro Nada a Perder, que conta a trajetória do Bispo Edir Macedo, foi relançado e está disponível no Arca Center, nas principais livrarias do País e nas plataformas digitais.
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