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Notícias | 6 de setembro de 2018 - 18:02


Porque a identidade de gênero não deve ser ensinada nas escolas

Por que o tema não deve ser abordado com as crianças

O Brasil tem mais de 184 mil escolas e, em suas salas de aulas, 48,6 milhões de alunos tentando entender o que está sendo ensinado. Há décadas o Governo é obrigado a fornecer educação formal (aquela aprendida nas salas de aula) a todo cidadão brasileiro. Mesmo assim, 29% dos brasileiros são analfabetos funcionais.

Ou seja: 38 milhões de cidadãos, educados em sua maioria pelas escolas públicas brasileiras, não são capazes de ler, contar e interpretar informações apropriadamente. Isso significa que o Estado é incapaz de cumprir sua obrigação de alfabetizar os brasileiros – uma tarefa que deveria ser simples, já que matérias como Matemática, Português, História, pouco mudam com o passar dos anos.

Imagine que, mesmo diante da incompetência em ensinar o básico às crianças, agora as escolas também querem abordar temas muito mais complexos, como a identidade de gênero.

Mas afinal o que é identidade de gênero

Grande parte da população ainda não entende o que é identidade de gênero e confunde o tema com orientação sexual.

Na verdade, a identidade de gênero é a forma como cada pessoa se identifica e quer ser reconhecida pela sociedade. Enquanto orientação sexual diz respeito a qual sexo a pessoa se sente atraída.

Por exemplo: Vamos supor que João nasceu homem, mas se identifica mais com o gênero feminino. Ele quer ser reconhecido como mulher. Mesmo assim se sente atraído por outras mulheres. Ele seria transgênero, mas não necessariamente homossexual.

Pode ser até que João queira ser reconhecido como mulher, sinta-se atraído por mulheres e expresse seu gênero com roupas e atitudes masculinas.

Ficou confuso? Sim. É muito confuso! Agora imagine um professor mal remunerado em um ambiente mal estruturado, entre outros quesitos, explicando isso em sala de aula para 40 crianças inquietas de 4, 6, 8  anos de idade.

Por que é necessário a resistência

O tema “identidade de gênero” ou “ideologia de gênero” tem sido abordado com crianças de diferentes maneiras em todo o país. Muitos currículos escolares (materiais que servem de guias para o trabalho dos professores) recomendam que o assunto seja tratado em salas de aula com alunos a partir de quatro anos de idade. Livros infantis citando o assunto também estão disponíveis nas escolas.

Entretanto, os professores não são orientados sobre a maneira de abordar o assunto com as crianças, como explica a professora Lúcia Santos **,  professora de escolas públicas no estado de São Paulo:

“A maior parte das escolas tem salas de aula superlotadas, mais crianças do que é possível atender com eficiência. Falar sobre esse tema exige atenção para que as crianças não se confundam e cada aluno tem seu próprio ritmo de aprendizado. Não é um tema para ser tratado superficialmente”.

Em debate educacional aberto ao público realizado em Washington (EUA), o professor universitário e chefe da seção de psiquiatria infantil e adolescente da Universidade de Louisville Allan Josephson (foto ao lado), afirma que “crianças pequenas não têm a capacidade de fazer escolhas sobre identidade sexual, assim como não têm a capacidade de dirigir um carro ou fazer a escolha de ir para a cama no horário”. Conforme ele explicou “é o trabalho dos pais ajudar seus filhos a aprender essas coisas à medida que se desenvolvem”.

Já o professor Felipe Nery, palestrante e presidente do Observatório Interamericano de Biopolítica explica que o tema pode ser bastante confuso para as crianças e que forçar essa abordagem nas escolas fere, inclusive, as determinações da Organização das Nações Unidas (ONU) em relação aos direitos de cada ser humano:

“O Artigo 26 da Declaração Universal de Direitos Humanos diz que os pais têm prioridade de direito na escolha do tipo de educação que será ministrada a seus filhos”.

O professor ainda explica que é necessário que a escola e a família estejam sempre em diálogo sobre o que está sendo ensinado aos filhos, pois somente assim é possível instruir uma criança:

“Se nós queremos ter sucesso na educação nós precisamos estar em diálogo com a família. Nós precisamos que os pais saibam o que se pretende fazer, quais são os objetivos e os resultados. E sobre a política de gênero, se de fato um professor for pesquisar sobre esse assunto, ele vai perceber que essa política, em todos os países que implementaram a questão de gênero, só trouxe problemas. Seus resultados são negativos.”

Exemplo disso é uma experiência realizada na Escócia, onde a taxa de analfabetismo é de apenas 1% (ou seja: modelo educacional para o mundo todo). Reportagem publicada no Portal Universal.org traz um relatório divulgado no jornal local Scottish Public Health Network que mostra que a implementação da ideologia de gênero nas escolas causou um aumento no registro de casos de jovens que se diziam confusos sobre sua identidade masculina ou feminina. Crianças a partir de seis anos de idade eram encaminhadas para unidades especializadas e alegavam confusão de identidade de gênero.

Nessa mesma matéria a psicóloga Elaine Balbino, especialista em análise de comportamento, ressalta que muitos jovens não estão preparados para lidar com esse tipo de tema: “Questões delicadas, como a discussão sobre gênero veiculadas de maneira irresponsável prejudicam muito a formação do adolescente e podem, por exemplo, gerar conflitos psicossociais e de personalidade”.

Se nem os escoceses, membros do Reino Unido, conseguiram sucesso na tentativa, nem os norte-americanos estão dispostos a levar o controverso assunto às escolas,  por que o Brasil quer fazer isso? Sendo que nem os temas essenciais são ensinados satisfatoriamente?

É fato que o respeito deve existir independentemente do gênero, mas, como afirma o professor de História e Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Andre Assi Barreto, “o repertório cognitivo das crianças ainda não é adequado para aprender a discutir esse tipo de questão”.

Para ele, “empurrar essa discussão goela abaixo por vias culturais para os públicos infantil e adolescente pode ser bastante prejudicial e levá-los à confusão”.

A advogada e educadora Doutora Damares Alves exemplifica a forma errônea como esse assunto tem chegado até as crianças brasileiras e afirma que não se pode deixar isso acontecer, pois com certeza o reflexo será sentido no futuro não apenas por essas crianças, mas pela sociedade como um todo:

“Um jovem confuso é um líder confuso. Uma criança confusa é um adulto confuso. ”

Diante disso, é realmente incompreensível que o Ensino no Brasil vise abordar um tema tão confuso com crianças que não estão preparadas cognitivamente para discutir o tema. Não seria mais eficiente deixar o assunto ser tratado pelos pais? Afinal, eles conhecem bem seus filhos e devem se dedicar totalmente a eles.

(*) Colaborou Ana Carolina Cury

(**) O nome da professora foi alterado para preservar a imagem da mesma


  • Da Redação (*) / Imagem: iStock 



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