Fake news: ninguém está imune
Catástrofes podem acontecer quando pessoas acreditam em boatos, sem buscar a verdade
O estudante universitário Hudson Nunes de Freitas, de 22 anos, acaba de ser inocentado pela Polícia Civil das acusações que vinha sofrendo. Desde o início de setembro, ao menos cinco pessoas acusaram Hudson de pedofilia. Era tudo fake news.
As acusações tiveram início no final de setembro, quando uma mulher relatou que seu filho foi beijado na boca por Hudson. Mas como ela chegou a essa conclusão?
Hudson trabalhava como auxiliar do professor de Educação Física em uma escola mineira. Certo dia, um aluno de três anos de idade tentou beijar a boca da mãe. Assustada com o comportamento inusitado, ela perguntou quem havia ensinado aquilo à criança. O bebê respondeu o nome de Hudson.
Foi o bastante para essa mãe denunciá-lo à Polícia. Após a divulgação do caso, pelo menos outras 4 famílias formalizaram denúncias pelo mesmo motivo.
E as evidências?
Acontece que Hudson sempre se declarou inocente. De fato, a escola tem câmeras de segurança e o rapaz não tem autonomia para ficar a sós com qualquer criança. Isto seria impossível dentro da escola. O universitário trabalhava no colégio havia cinco anos e nunca teve qualquer tipo de problema.
“Eu sempre fui uma pessoa muito dedicada, batalhadora. Sou eu mesmo que pago minha faculdade. Eu não concordo que isso esteja acontecendo comigo, porque sou uma pessoa boa, de bem, de família humilde. Eu acho que essas mães têm que analisar bem os fatos antes de julgar. E o restante da sociedade também, todo mundo está me julgando e eu jamais teria coragem de fazer isso com uma criança”, lamentou Hudson à Record TV.
Mesmo assim, ele precisou abandonar os estudos, mudar de casa e foi demitido do colégio (que no dia 16 voltou atrás e o chamou para voltar ao trabalho).
No dia 17, após ouvir 41 testemunhas e analisar as imagens das câmeras de segurança da escola, a Polícia Civil arquivou o caso. Não há uma única evidência de que Hudson tenha abusado das crianças.
Todos podem ser vítimas
Hudson agora pretende recomeçar sua vida. As mentiras espalhadas contra ele foram desmascaradas e o jovem ainda quer ser professor, profissão que ama.
Quem também sofreu recentemente com as fake news foi a própria Universal. Como Hudson, a igreja foi prejudicada por informações falsas que levaram à revolta de algumas pessoas. Essas pessoas não perceberam que estavam enganadas, acusaram e julgaram a Universal. E decidiram fazer o que achavam ser justiça com as próprias mãos.
Isso ocorreu em São Tomé e Príncipe, país africano. Pensando que a Universal havia mandado prender um pastor local em Costa do Marfim, populares depredaram e atearam fogo nas igrejas do país.
“Temos a certeza de que o bom senso prevalecerá e a população local, informada da verdade dos fatos, compreenderá que a Universal não pode determinar a soltura de uma pessoa condenada pela Justiça de um país, por cometer crimes”, declarou a Universal, por meio de sua assessoria de comunicação.
“Informamos que a Universal da Costa do Marfim está dando assistência ao pastor que está preso, para que ele possa recorrer à Justiça daquele país, tentando obter a sua liberdade”.
Catástrofes como essas acontecem quando pessoas acreditam em boatos, sem buscar a verdade.
Como não impulsionar esse mal
Em tempos onde as redes sociais fazem parte do dia a dia de quase todas as pessoas, é muito fácil ser atingido por fake news. No entanto, não impulsioná-las pode ser fácil. Basta procurar mais informações sobre cada fato, sem acreditar e compartilhar tudo o que recebe.
“Somente pessoas ingênuas, insensatas ou impulsivas acreditam na primeira coisa que ouvem”, explica o escritor Renato Cardoso. “Pessoas que usam sua inteligência mais plenamente procuram compreender e não são rápidas para julgar. Rotular alguém por uma coisa que ouviu sobre ele, nunca figura em suas mentes. Elas não acreditam em rumores, principalmente nesta era de fake news, grupos de interesse e juízes graduados em redes sociais”.
De acordo com ele, pessoas inteligentes “procuram conhecer o máximo possível sobre este alguém — sua história, suas escolhas e motivações. E se isso não for possível, suspendem seu juízo e aguardam o tempo mostrar”.
Se tivessem feito isso nos últimos dias, nem Hudson nem a Universal e seus membros teriam sofrido tantas perdas.
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