“Eu vi meu filho colocar uma arma na cintura, subir o morro e virar soldado do crime”

Rosângela Ribeiro não podia evangelizar em algumas favelas, pois seu filho era um dos criminosos conhecidos lá

A profissional de apoio de educação inclusiva Rosângela Pires Ribeiro, de 59 anos, conta que seu “pai tinha uma amante e, por isso, havia muitos escândalos em casa”. A amante dele visitava a casa da família e, por esse e outros motivos, a mãe de Rosângela teve “problemas psiquiátricos gravíssimos”. Com boas condições financeiras, o pai de Rosângela internava a esposa nos melhores hospitais psiquiátricos. “Minha mãe vivia hospitalizada e meu pai trabalhava muito. Ele pagava pessoas para que cuidassem de mim e dos meus irmãos. A ausência dos meus pais nos afetou muito”.

O pai de Rosângela se tornou alcoólatra e se envolveu com jogos de azar. “Meu pai penhorava os nossos bens como garantia das apostas que fazia. Tínhamos casa própria e fomos morar em um barraco.

Meu pai viajava com a amante e nos deixava em casa passando fome.”

Aos 19 anos, Rosângela engravidou e seu pai ficou revoltado, pois ela era solteira. Ela foi morar com os avós durante a gravidez e, depois, casou-se. “Minha mãe sempre me rejeitou. Ela nos culpava pelo que acontecia, mas depois que meu filho, Raphael, nasceu, ela demonstrou muito afeto por ele. Ela dedicou ao neto o amor que não foi capaz de nos dar.”

Mortes e vida
O irmão mais novo de Rosângela faleceu aos 24 anos em um acidente de carro. Meses depois, seu pai não resistiu a um câncer no pulmão. “Depois dessas perdas entrei em depressão profunda e desenvolvi síndrome do pânico. Perdi meu irmão e meu pai e me separei do meu marido. Eu tinha sensação de morte. A partir daí, passei a beber e a fumar intensamente”, afirma.

O sofrimento de Rosângela lhe causava insônia e, em uma das muitas madrugadas de angústia, ela assistiu a um programa da Universal. “Procurei o endereço da igreja mais próxima e fui à reunião. Decidi me entregar a Deus desde o primeiro dia.” Ela deixou os vícios, foi batizada nas águas e participou da campanha Fogueira Santa de Israel em busca do Espírito Santo. “Subi no Altar e me entreguei totalmente. O vazio que eu sentia foi preenchido pelo Espírito Santo.” Ao ver a mudança de Rosângela, sua mãe também foi à Universal e se entregou ao Senhor Jesus antes de morrer.

A verdadeira guerra
As lutas que Rosângela travou foram o prenúncio do que seria a sua verdadeira guerra. “Digo que se eu não tivesse o Espírito Santo não teria vencido a guerra contra o diabo, que tentou ceifar a vida do meu filho várias vezes. Não foi fácil, mas lutei no Altar pela alma dele.”

Ela diz isso porque, embora tenha se esforçado para educar bem Raphael, ele se envolveu com as drogas ainda na adolescência.

“Meu filho trocou os livros pelo revólver. Eu vi meu filho colocar uma arma na cintura, subir o morro e virar soldado do crime. Havia favelas nas quais eu nem podia entrar para evangelizar porque meu filho era um criminoso conhecido lá.”

Raphael estava sempre acompanhado por traficantes e, além de traficar, tornou-se dependente químico. Ele foi preso várias vezes por tráfico de drogas, assalto à mão armada e falsificação ideológica. Em uma das guerras no morro, certa noite foram buscá-lo na casa dela, conforme ela relata: “bateram à minha porta e disseram que levariam meu filho, pois, além de vender drogas, ele estava usando muito e tinha dívidas com o crime. Contudo eu sabia que Deus faria Sua parte, pois no mesmo dia eu tinha entregado meu sacrifício no Altar pela vida do Raphael”.

De fato, Rosângela nunca deixou sua fé enfraquecer e sempre recorreu a Deus pela libertação de seu filho. Naquela noite, ele foi solto pelos criminosos, mas logo voltou a ser preso pela Justiça.

Revezando entre as ruas e a cadeia, Raphael sofreu um acidente de moto e perdeu o movimento do braço direito e, em outra ocasião, levou um tiro no peito e quase morreu. Na sétima vez que foi preso, enfim entendeu que precisava mudar. “Eu não queria mais usar drogas nem ser preso. Vi a morte várias vezes diante dos meus olhos. Eu já conhecia a Universal desde pequeno, mas conheci Jesus de verdade dentro do presídio.”

Raphael já era viciado há 18 anos, tinha usado todos os tipos de drogas e cumpria pena de cinco anos. Como estava preso, ele pediu para que sua mãe levasse seu sacrifício ao Altar durante uma campanha da Fogueira Santa. Raphael entregou todo o seu ser a Deus. “Eu disse a Ele que só sairia do presídio quando recebesse o Espírito Santo. Eu não aceitava mais voltar àquele lugar. Recebi o Espírito Santo dentro da prisão, cumpri minha pena e hoje sou um homem livre física e espiritualmente.”

Hoje, aos 32 anos, Raphael se considera completo, para sua felicidade e de Rosângela, que celebra: “vi meu filho que era um bandido se tornar um homem de Deus. Deus salvou a nós dois”.

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Autor

Kaline Tascin / Foto: Leandro Porto