“Eu me sentia insuficiente para o mundo”
Para aliviar a ansiedade e a rejeição, Gean Castro fazia tatuagens como forma de automutilação e tentava se encaixar em grupos a todo custo
Depois de viver uma infância dolorosa, o ajudante-geral Gean Vitor de Castro Vale, de 23 anos, desenvolveu síndrome do pânico e ansiedade. Ele conta que não tinha paz e estava sempre inseguro e preocupado com alguma situação. “As pessoas à minha volta estavam sempre sorrindo e eu não entendia isso, pois eu estava infeliz e nervoso o tempo todo”, afirma.

Gean explica que tinha sentimento de rejeição. Quando era criança, ele morava com os avós no Maranhão e não teve oportunidade de conhecer sua mãe. No início da adolescência, ele passou por um grande desafio. “Me mudei para São Paulo, aos 13 anos, para morar com meu pai e enfrentei muitas dificuldades. As pessoas me tratavam mal, sobretudo pela maneira como eu falava. Essas situações alimentavam ainda mais o vazio que havia em meu interior. Eu me sentia cada vez mais insuficiente para o mundo”, desabafa.
Sem saber lidar com o sofrimento, Gean conta que encontrou nas tatuagens uma forma de automutilação: “sentir a ponta da agulha na minha pele me aliviava por um instante. A dor da agulha perfurando meu corpo me fazia esquecer a dor da alma e eu ocultava aquele vazio por uma fração de segundos”.
Gean também saía com amigos para “curtir” a vida e relata que tentava se encaixar no grupo. Para isso, procurava fazer as mesmas coisas que os outros faziam, incluindo beber em excesso. Entretanto, quando chegava em casa, ele diz que se sentia culpado, triste e angustiado. “Quanto mais eu tentava preencher o meu vazio e encontrar o meu lugar em um mundo ou um grupo que me aceitassem, mais a depressão me jogava para baixo.
Aqueles sentimentos desagradáveis, que hoje sei que eram colocados pelo diabo dentro de mim, me atormentavam e me faziam sofrer”, declara.
Por meio do convite de uma evangelista da Igreja Universal, Gean conheceu o Senhor Jesus. “Uma evangelista bateu à minha porta. Ela me disse palavras que me trouxeram esperança e naquela oportunidade pude respirar aliviado. Pouco antes de ela vir à minha casa, eu tive uma crise de ansiedade e, assim que ela falou comigo, senti paz. Agarrei aquele convite como se fosse a minha última chance”, cita.
Gean passou a frequentar a Universal e a fazer parte do grupo Anjos da Madrugada. “Iniciei ali a Obra de Deus. Vi que Ele poderia mudar a minha história e que o meu problema não era nada tendo em vista o que estava diante de meus olhos. Eu reclamava demais, apesar de ver a situação triste na qual tantas pessoas na rua se encontram”, afirma.
Segundo Gean, o receio de ser julgado por outras pessoas o preocupava, mas ele não se deixou levar por isso. Com o passar do tempo, ele se batizou nas águas e começou a buscar o Espírito Santo. Além disso, ele orava assiduamente, adquiriu o hábito de ler a Palavra de Deus e deixou as más amizades. “Fiz a Fogueira Santa e disse a Deus: ‘se o Senhor não me batizar com o Teu Espírito, pode me levar, porque não aceito mais padecer neste mundo’. Naquele momento senti algo inexplicável e que mudou completamente a minha vida. O vazio deu lugar à paz que eu tanto buscava. Hoje desejo levar às outras pessoas o que recebi de graça”, conclui.
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