“Eu estava em busca de dinheiro”

Na adolescência, Raiane Costa Reis se tornou gananciosa e se transformou na “loira” do tráfico. Saiba como tudo mudou

Imagem de capa - “Eu estava em busca de dinheiro”

A promotora de vendas Raiane Costa Reis, de 24 anos, conta que teve uma infância conturbada. “Desde muito nova, eu nutria pensamentos maliciosos e isso piorou na adolescência, pois eu vivia fazendo coisas erradas. Fui até expulsa de diversas escolas”.

Um desafio feito por um amigo a levou para o mundo do crime. “Ele propôs que eu fizesse um roubo e disse que eu não teria disposição. Para eu mostrar que tinha, fui. Não demorou para que eu me envolvesse com o tráfico e passasse a ganhar o ‘dinheiro fácil’. Eu estava com 13 anos e, nessa época, perdi meu primeiro namorado para essa vida. Já aos 19 anos, me envolvi com o tráfico diretamente e comecei a transportar drogas para chefes diferentes, além de me tornar vigia de roubos. Contudo, por conhecer o efeito que as drogas causam, nunca as usei. Eu estava em busca de dinheiro”, diz.

Ela revela que recebeu uma proposta para assumir outra responsabilidade na boca de fumo: “eu não seria mais só mula de carga e traficante de drogas, mas gerente da venda de uma droga bem conhecida. Eu embalava e transportava drogas e gostava de andar armada, ainda mais em dias de baile”, afirma. Ela explica que sua mudança foi notória: “antes, apesar dos problemas, eu era uma menina doce que gostava de ajudar os outros, mas, quando conheci o tráfico, o que passou a existir foi a ‘loira’, a ‘bandida’, a ‘braba’. Eu perdi totalmente o controle. Quanto mais entrava no buraco, mais fundo eu queria ir”.

UM CONVITE MUITO MELHOR
Aos 21 anos, ela teve um relacionamento que também foi interrompido pelo tráfico. “Engravidei e, antes de completar dois meses de gestação, meu namorado foi morto em um assalto. Então, meu pior momento começou. Perdi meu chão, parecia que eu tinha morrido com ele, pois o sentido da vida e a vontade de viver se foram. Comecei a ter crises de ansiedade tão fortes que toda noite eu corria para o hospital achando que iria morrer. Tive síndrome do pânico e entrei em depressão profunda. Busquei ajuda, mas não encontrava solução. Recebi a visita dos voluntários de um grupo da Universal, mas, quando eles passavam em casa, eu debochava.”

Certo dia, o Pastor da Universal fez um convite que ela não pôde recusar. “Eu entrei pela porta da Universal mal fisicamente e, espiritualmente, eu tinha a cara da morte, mas já não saí daquela mesma forma. Hoje tudo mudou na minha vida. Recebi o Espírito Santo e tenho o brilho dEle, sou feliz de verdade e não carrego mais aquele vazio. Deixei a mente do passado para ter a mente focada em Deus. Afinal, Ele me deu forças no meu pior momento”, finaliza.

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Autor

Flavia Francellino / Fotos: Renato Nascimento e arquivo pessoal