Ele aprendeu a se enxergar de outro jeito
A rejeição fez Denis Salomão acreditar que não poderia viver como os outros, mas sua história ganhou um novo rumo
Denis Trégues Salomão, de 19 anos, trabalha como atendente. À primeira vista, sua má formação ocular poderia parecer o ponto central de sua história. Ele nasceu com anoftalmia no olho esquerdo, uma condição congênita caracterizada pela ausência do globo ocular. Mas seu relato deixa claro que, durante muito tempo, sua maior dor não estava apenas na limitação física: “O maior problema foi a rejeição, por ser, muitas vezes, julgado pela deficiência que sempre tive”, revela.
Com o tempo, Denis recorda que os comentários e olhares alheios começaram a afetar sua própria identidade: “Por causa dos julgamentos das pessoas, eu comecei a me ver como diferente delas. Achava que não poderia viver da mesma maneira que elas, nem fazer parte dos mesmos ambientes”.
Tal sentimento se intensificou na adolescência. “Isso me fez um adolescente muito desanimado, que não se enturmava com nenhum outro adolescente”, diz.
Uma Palavra que mudou sua visão
Aos 11 anos de idade, Denis se mudou do interior de Minas Gerais para São Paulo com os pais. Na época, a família enfrentava muitos conflitos e chegou à Universal por meio de uma tia dele, que é obreira. O primeiro motivo da ida à igreja foi a busca por restauração familiar. Mas, com o tempo, ele percebeu que também precisava ser curado por dentro.
Depois de pouco mais de um ano frequentando as reuniões, um encontro o marcou e mudou a forma como ele pensava: “Deus falou comigo e eu entendi que não precisava de aprovação de pessoas para ser feliz, mas precisava colocá-Lo em primeiro lugar e buscá-Lo acima de tudo”.
Denis, então, decidiu se batizar nas águas. Essa escolha representou o início de uma nova caminhada.
Além do que os olhos veem
Após o batismo nas águas, Denis conta que “mergulhou” nas coisas de Deus, orando mais e meditando nas Sagradas Escrituras, mas algo o impedia de receber a presença de Deus em seu interior: “Eu ainda sofria com julgamentos de pessoas. Porém, entendi que tinha que abrir mão da mágoa que existia dentro de mim por tudo o que havia passado. Perdoei e então recebi o Espírito Santo”, conta.
Denis admite que ainda recebe olhares de julgamento por causa de sua condição. A diferença é que eles já não têm o mesmo poder sobre ele: “Hoje minha mente é blindada pelo Espírito de Deus. Entendi que tudo isso faz parte do meu testemunho de superação”.
O adolescente que antes evitava contato com as pessoas deu lugar a um jovem mais seguro e disposto a ajudar outros que se sentem como ele um dia se sentiu. A deficiência continua existindo, mas a visão que Denis tem de si mesmo mudou. “Apesar da deficiência, sou um jovem muito alegre e que não tem mais aquela dependência da aprovação de pessoas para ser feliz. Procuro levar aquilo que recebi para aqueles que se encontram perdidos e sem direção”, resume.
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