Destino final e inesperado

Acidente aéreo que vitimou atletas da Chapecoense e comitiva chocou pelo caráter repentino do acontecimento, mas fez pensar sobre algo importante: se a morte chegar agora, você está pronto para a Salvação?

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Um futuro bem promissor parecia estar no horizonte da Associação Chapecoense de Futebol, de Chapecó, oeste de Santa Catarina, principal clube esportivo da cidade. O time ganhava evidência internacional e estava prestes a jogar a “partida de sua vida”, a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, na Colômbia, na cidade de Medellín. A possibilidade de vitória era grande, de acordo com jornalistas esportivos, pois a equipe catarinense estava em seu auge. Para completar a sensação de boa sorte, a agremiação esportiva havia acabado de superar uma enorme crise financeira. Orgulho de sua cidade e estado, tudo apontava para o melhor para os atletas e torcedores.

Eis que o Brasil acordou com uma triste notícia na manhã de terça-feira, 29 de novembro: o avião que levava jogadores, equipe de suporte, dirigentes e jornalistas caiu na região montanhosa de La Ceja, a cerca de 50 quilômetros do aeroporto internacional de Medellín, onde pousaria. A imprensa colombiana diz que a aeronave da empresa de transportes boliviana LaMia, fretada para o voo, ia pousar normalmente, mas um problema mecânico em outro avião antecipou sua aterrissagem emergencialmente, o que fez com que o LaMia tivesse que esperar, voando em círculos, até receber permissão de pouso. Foi nesse ínterim que o comandante detectou problemas técnicos e se preparou para aterrissagem forçada, antes tendo o cuidado de liberar dos tanques todo o combustível possível, a fim de evitar uma explosão.

O desastre aéreo, o maior da Colômbia em 20 anos, teve um saldo de 71 mortos e seis sobreviventes (contagem comunicada pelas autoridades colombianas até o fechamento desta edição). Cidadãos paranaenses, atletas, políticos, jornalistas (esportivos ou não) e artistas de todo o mundo prestaram homenagens pelas redes sociais e demais veículos de comunicação. Mesmo aqueles que nunca haviam ouvido falar da Chape, como a equipe era carinhosamente apelidada, mostraram solidariedade para com os familiares dos mortos e feridos, assim como mandam palavras de consolo e encorajamento ao povo de Chapecó, cuja prefeitura decretou luto oficial.

O acidente ganhou repercussão internacional. A banda de pop-rock Guns N’Roses publicou um vídeo em homenagem ao time catarinense ao som de seu hit Knocking on Heaven’s Door, um dos maiores sucessos do conjunto, versão de uma canção de Bob Dylan. Dave Mustane, vocalista da banda heavy metal Megadeth, prestou suas condolências em sua conta do Twitter. Jornais, tevês, rádios, sites e redes sociais deram destaque à tragédia, que em alguns lugares ganhou ainda mais destaque que a recente morte do ex-ditador cubano Fidel Castro.

Aquelas pessoas no voo da LaMia estavam esperançosas diante do maior desafio de suas carreiras até então, com uma firme esperança de voltar para casa com um troféu que poderia ser o primeiro grande degrau de uma história de glórias, fruto de uma aparente “maré de sorte”. No entanto, tudo acabou de repente, e agora só há desolação, espanto e trauma para os que ficam.

Ao decolarem, aquela delegação e seus convidados eram puro sonho. Atletas já se viam festejando com o troféu nas mãos, imaginavam o desfile pelas ruas de sua Chapecó, diante dos chapecoenses emocionados. Jornalistas já pensavam nos melhores ângulos para seus vídeos, suas fotos, nos textos descrevendo a emoção da vitória. Porém… Segundo o relato de um dos poucos sobreviventes, um membro da tripulação, ao serem informados da aterrissagem forçada, alguns seguiram os procedimentos de segurança (inclusive ele mesmo), enquanto outros se levantaram de seus assentos e se desesperaram. Um fim trágico para algo que prometia tantas alegrias.

Chapecó suspendeu as aulas de suas escolas, os festejos de fim de ano que começariam no fim de semana seguinte e, segundo um morador disse a um jornal, pelas ruas da cidade “só se ouve o vento”, tamanho o clima de tristeza. O típico silêncio que segue situações trágicas, como muitos também relataram em 2001 em Nova York após o colapso das Torres Gêmeas em 11 de setembro, guardadas as devidas proporções.

Se algo de útil pode ser tirado de tudo isso é a possibilidade de reflexão: será que você tem vivido com a consciência tranquila e dado o seu melhor na caminhada da vida?

A morte não avisa quando chega, ela é repentina e o seu destino espiritual deve ser algo de suma importância a se considerar. Não que seja preciso ser paranoico quanto a isso e não ver o que Deus lhe deu de bom todos os dias, mas é como algumas corporações militares têm como máxima entre seus combatentes: “Esperar pelo melhor, mas estar preparado para o pior”. Nessa guerra, a melhor estratégia é escolher onde você quer estar por toda a eternidade. E agir de acordo.

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Colaborador

Por Marcelo Rangel / Fotos: Divulgação