Desfile da Acadêmicos de Niterói provoca reação após ala sobre evangélicos
Apresentação retratou comunidade cristã de forma desrespeitosa
O desfile da Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, provocou indignação entre cristãos de todo o país após a escola apresentar uma ala considerada ofensiva à fé evangélica.
Batizada de “Neoconservadores em Conserva”, a ala levou à avenida foliões vestidos como latas rotuladas com “Família em Conserva”, acompanhadas da imagem de um núcleo familiar tradicional e de uma Bíblia estilizada. Para milhões de fiéis, a encenação ultrapassou qualquer limite artístico e se transformou em zombaria religiosa.
Nas redes sociais, evangélicos relataram sentimento de humilhação coletiva ao verem símbolos sagrados usados como objeto de deboche em rede nacional.
Governador denuncia preconceito religioso
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou que irá acionar a Justiça contra a escola.
Segundo ele, houve claro desrespeito aos evangélicos.
- “O Brasil tem milhões de evangélicos, pessoas que trabalham, criam seus filhos e pagam seus impostos. Colocar essas pessoas dentro de uma lata é desrespeito.”
Zema ressaltou que divergências políticas fazem parte da democracia, mas ridicularizar quem professa uma religião não pode ser tratado como algo normal.
Ataque atingiu Bíblia, família e valores cristãos
Para líderes religiosos, o problema central não foi o enredo político, mas o uso direto de elementos da fé cristã como ferramenta de provocação.
A ala colocou evangélicos lado a lado com caricaturas do agronegócio e do conservadorismo, reforçando estereótipos e apresentando valores bíblicos como algo ultrapassado ou digno de escárnio.
A saber, o desfile homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas, para a comunidade cristã, o ponto mais grave foi ver a Bíblia e a família transformadas em fantasia depreciativa — em um evento financiado, ao menos em parte, com dinheiro público.
Não é um caso isolado
Cristãos lembram que este não é um episódio isolado no Carnaval brasileiro.
Em anos anteriores, a escola paulista Gaviões da Fiel também gerou revolta ao levar à avenida uma encenação em que o diabo agredia um personagem claramente caracterizado como Jesus, com coroa de espinhos e braços em forma de cruz.
Na ocasião, a Frente Parlamentar Evangélica divulgou nota de repúdio. O próprio coreógrafo admitiu que o objetivo era “chocar” e provocar polêmica envolvendo a fé.
Inclusive, para pastores e fiéis, forma-se um padrão preocupante: manifestações que ultrapassam a crítica cultural e passam a vilipendiar símbolos cristãos sem a mesma reação institucional vista quando outros grupos são atingidos.
Em resumo
Transformar crenças em espetáculo de humilhação pública cria um precedente perigoso e aprofunda a sensação de perseguição religiosa no país.
O apelo é direto: a liberdade artística não pode servir de licença para ridicularizar aquilo que é sagrado para milhões de brasileiros.
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