Desejo de vingança é um veneno
Guardar rancores e mágoas pode gerar preocupações e doenças e atrasar a vida de quem os sente. Conheça os riscos dos sentimentos negativos e aprenda a se livrar deles
Até que ponto o rancor e o sentimento de vingança podem prejudicar uma pessoa? Recentemente, uma reportagem do programa Domingo Espetacular, da Record TV, mostrou o caso de um homem que assassinou sua vizinha depois de prometer vingança.
A história começou mais de duas décadas antes, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, quando a vizinha contratou um pedreiro que se apaixonou pela esposa do assassino. Após perder a esposa, o homem começou a cometer crimes violentos até que foi preso. Para ele, sua vizinha era culpada pelo fim de seu casamento e por seu desgosto e, por isso, jurou matá-la. Ao sair da cadeia, ele concretizou seu plano macabro. Embora este caso seja extremo e incomum, ele ajuda a demonstrar o quanto o rancor e o desejo de vingança podem ser prejudiciais. O assassino está foragido.
Mágoa é um veneno
A psicóloga Bia Nóbrega explica que, de modo geral, a mágoa e o rancor acumulados costumam trazer malefícios principalmente para quem guarda esse tipo de sentimento. “Quando a pessoa coloca a mágoa para dentro literalmente está se contaminando e levando coisas ruins para dentro de si. A chance de somatização é muito grande e cada pessoa somatiza de um jeito. Alguns podem ter o sono prejudicado, pensamentos de preocupação ou passar o dia inteiro remoendo as situações. Há pessoas que sentem dores de estômago, de garganta e até apresentam problemas de saúde mais graves”, esclarece.
Claudia Melo, psicóloga clínica e psicoterapeuta de casal e família, acrescenta que a mágoa acumulada pode destruir todo o projeto de vida de uma pessoa. “O ressentimento é como se fosse um veneno para a saúde física e mental e só traz prejuízos. Pessoas que guardam rancores e têm desejo de vingança vivem apenas em função disso. Elas perdem seu projeto de vida e a capacidade de ter sentimentos positivos e bons. A vingança vira uma fixação, a pessoa se perde na vida e pode acabar adoecendo mergulhada em rancores, mágoas, ansiedade e depressão”, alerta.
Irracional
Claudia Melo diz que a vingança está relacionada à irracionalidade. “Pessoas que desejam se vingar não conseguem pensar de forma mais racional e não sabem se defender, então acabam sucumbindo ao sentimento. Nesses casos, a pessoa guarda a mágoa por muito tempo, não consegue lidar com aquilo e canaliza para a vingança.”
Ela pondera que, mesmo que uma pessoa tenha sido prejudicada por outra, existem recursos legais e racionais para lidar com a situação.
“Há casos em que uma conversa franca ajuda a solucionar o problema. E há questões que podem ser resolvidas na Justiça, como quando alguém levanta um falso testemunho. Isso é grave, mas não é preciso ficar com o sentimento de vingança. É importante buscar mecanismos legais para que o dano seja reparado”, sugere.
Expectativas alinhadas
Bia Nóbrega destaca que em muitos casos a mágoa começa quando uma pessoa cria expectativas que não se concretizam. “O grande segredo está em controlar nossas expectativas em relação ao outro, pois há muitas variáveis na realidade que não podemos controlar. Às vezes esperamos algo, não falamos sobre isso com a pessoa envolvida e nos frustramos. As coisas começam e terminam em nós mesmos, na forma como lidamos com cada situação”, afirma.
Para evitar que a mágoa cresça e até vire um sentimento de vingança, o primeiro passo é reconhecer os próprios sentimentos e não se vitimizar. Depois, é importante desenvolver a comunicação. “A pessoa precisa reconhecer que está magoada e não que alguém a magoou. Depois, é importante lembrar que nós também erramos. Para resolver a situação, é importante ter conversas claras, dizer que está magoado, explicar o fato que provocou isso e declarar o que espera da próxima vez. Muitas vezes o outro nem sabe que a pessoa está magoada”, alerta.
Perdão
Enquanto a vingança está relacionada à irracionalidade, o antídoto para ela é a razão. Diante de uma situação que gerou rancor, cabe à pessoa que se sente magoada tomar a decisão de dissipar esse sentimento negativo. Para isso, é importante aprender a perdoar.
Quem explica é o Bispo Renato Cardoso: “quando você perdoa, o maior beneficiado é você, pois você libera paz para si mesmo, se liberta do passado e fica livre. As portas das prisões da mágoa, do ressentimento e dos desejos de vingança se abrem e o passado toma o seu devido lugar. Essa paz traz maturidade e a compreensão de que todo ser humano erra. É bem verdade que alguns são maldosos, mal-intencionados, mas, na sua grande maioria, as pessoas acabam magoando alguém sem nem mesmo pretender fazê-lo”, pondera.
O Bispo destaca que o fortalecimento da Fé é importante nesse processo. “Ore a Deus todos os dias e consulte o seu coração. Se você está magoado, se alguém fez algo contra você, libere o perdão, não vá se deitar com raiva. Um bom exercício está na oração do Pai-Nosso, que Jesus nos ensinou. Um dos trechos diz ‘perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores’, ou seja, antes mesmo de pedir o perdão de Deus, nós temos que perdoar quem nos ofendeu, caso contrário não seremos perdoados por Deus”, finaliza.
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