Como a internet prejudica a sua concentração?
O acesso a dispositivos eletrônicos tem incapacitado as pessoas de lerem
Não é preciso analisar por muito tempo para perceber que, hoje em dia, cada vez menos pessoas leem textos extensos ou mais complexos e priorizam leituras rápidas e menores em computadores, tablets e telefones celulares.
Aliás, esses dispositivos eletrônicos pelos quais acessamos a internet são responsáveis pela redução do hábito da leitura mais profunda – que consiste em entender e ter uma visão crítica do que se lê –, segundo um estudo realizado por Maryanne Wolf, neurocientista da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos, e publicado em seu livro O Cérebro no Mundo Digital – Os Desafios da Leitura na Nossa Era.
Maryanne disse em entrevista recente à rede britânica BBC que as pessoas costumam dar apenas uma “passada de olhos” nos textos, dispersando a sua concentração quando estão lendo por meio dos dispositivos eletrônicos. Ela cita ainda que há muitos recursos específicos da web que causam distrações e atrapalham a leitura, como notificações de aplicativos, propagandas, chamadas, etc.
A neurocientista explica que, ao realizar uma leitura superficial, a pessoa “passa por cima da argumentação, das partes mais sofisticadas do texto e recebe menos do que é necessário para fazer uma análise crítica”. Ela revela ainda sua preocupação com os mais jovens: “eles estão desenvolvendo uma ‘impaciência cognitiva’”, ou seja, perdem a vontade de compreender ou aprender.
A pesquisadora não está sozinha nessa consideração. Muito se discutiu na época em que o Twitter estava no auge se seus textos de no máximo 140 caracteres não “viciariam” os usuários a não ter paciência com textos mais longos. Dito e feito. Apesar de em 2018 o limite de caracteres ter sido dobrado para 280, os textos são ainda mais curtos do que antes, segundo o Twitter. Isso porque, de lá para cá, a situação piorou com o surgimento de aplicativos de mensagens (nos quais cada vez mais se abreviam palavras) e de notícias rápidas cada vez mais parecidas com posts de redes sociais.
Perda maior
Não é só a capacidade de entender um texto que está sendo perdida com as facilidades da tecnologia. Também estão indo pelo ralo a paciência, o relacionamento entre as pessoas, a produtividade, a criatividade e o foco. Conclusão: se perdemos a capacidade de nos envolvermos com o texto para apenas coletarmos algumas informações, perdemos também o que nos torna humanos e, assim, não nos tornamos diferentes do dispositivo eletrônico que carregamos em nossas mãos.
Claro que usar bem a tecnologia nos traz vantagens, mas é preciso nos policiarmos para não virarmos uma máquina que consome muita informação e pouco conteúdo.
A Universidade de Laval, em Quebec, no Canadá, divulgou algumas dicas que são resultado de um estudo feito com quem trocava o hábito da leitura pela tecnologia. Os pesquisadores se basearam no tratamento para pacientes com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), mas as dicas valem para todos.
Para o cristão, não se concentrar na leitura é um perigo a mais. Toda a nossa base para segui-Lo e obedecê-Lo vem da Sua Palavra, a Bíblia. Se fazemos mais uso da internet, como vamos meditar nela da melhor forma?
Portanto, é preciso usar com equilíbrio os dispositivos eletrônicos, para nos concentrarmos principalmente naquilo que Deus deseja nos mostrar.
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