Carisma ou caráter?
Em tempos de redes sociais, nunca foi tão fácil parecer bem-sucedido e tão difícil discernir quem realmente é
Vivemos a era da vitrine. Nunca foi tão simples construir uma imagem de sucesso, espiritualidade e realização pessoal quanto nos dias de hoje.
As redes sociais se tornaram palcos em que carros de luxo, viagens internacionais, corpos impecáveis e discursos motivacionais vendem a ideia de uma vida perfeita. Mas, por trás de muitos perfis inspiradores, a realidade costuma ser bem diferente.
Encenação do sucesso
O crescimento acelerado dos chamados coachs de internet popularizou promessas de prosperidade, superação e alta performance. Com frases de efeito e falas bem ensaiadas, muitos se apresentam como autoridades no assunto e influenciam milhares de seguidores que passam a enxergá-los como modelos a serem imitados. O problema é que, em muitos casos, o que se vê é apenas uma estética bem produzida e não uma vida verdadeiramente transformada.
A ostentação virou estratégia de marketing pessoal. Quanto mais se mostra, mais se tenta validar um suposto sucesso. No entanto essa exposição constante cria uma ilusão perigosa de que vencer é aparentar ser algo e não ser de fato. Por conta disso, o que vemos é uma geração que investe mais na imagem do que no conteúdo, mais no carisma do que no caráter.
O carisma impressiona e o caráter sustenta
É possível falar bonito, motivar pessoas e até aconselhar sem viver aquilo que se prega. O sucesso real, porém, não se mede por curtidas ou seguidores, mas pela coerência entre discurso e prática, entre o que se mostra em público e o que se vive no privado.
Quando a fé vira performance
Essa lógica da aparência também se reflete na vida espiritual. Há os que se dizem cristãos mas vivem uma fé superficial e limitada às redes sociais. Eles postam versículos bíblicos, fotos no culto, registros de oração e devocionais, mas suas atitudes, escolhas e caráter não condizem com o de pessoas que andam com Deus. O relacionamento com Ele se torna virtual, enquanto, na intimidade do lar, Ele é ignorado.
Assim, a fé passa a ser performance: algo para ser visto, curtido e compartilhado e não um relacionamento real, construído em secreto, na obediência e com transformação interior.
Deus vê além das aparências
O Bispo Renato Cardoso alerta para o perigo dessa incoerência entre imagem e essência: “Deus sonda o nosso coração, sonda nossos pensamentos e as coisas que nós nem imaginamos que estão lá. Nada está oculto aos Seus olhos. Ele sabe de tudo que fazemos, pensamos e falamos, seja em público, seja no privado.”
O olhar divino sobre nós expõe uma verdade desconfortável: não existe vida dupla perante Deus. Ele não se impressiona com imagens bem editadas, discursos eloquentes ou demonstrações públicas de espiritualidade. O que conta para Ele é o que está dentro de nós.
Hipocrisia religiosa
A questão citada no parágrafo acima não é nova. Nos Evangelhos, Jesus repreendeu severamente os fariseus. Eles aparentavam santidade, justiça e irrepreensibilidade, mas não viviam o que pregavam. Eles eram zelosos na aparência, mas negligentes no caráter. Por fora, pareciam santos e, por dentro, estavam distantes de Deus. A crítica de Jesus nunca foi à fé, mas à hipocrisia e à tentativa de impressionar pessoas, em vez de agradar a Deus.
Quem somos quando ninguém nos vê
O Bispo Renato Cardoso lembra que “quem somos de verdade é revelado pela forma como nos comportamos quando estamos sozinhos, quando ninguém está nos olhando”. A consideração do Bispo é que o caráter não se revela no palco, mas no bastidor e que não devemos
construí-lo para ser exibido, mas para ser vivido. E, por fim, ele propõe que se reflita se não há algo errado quando a vida só funciona na frente das câmeras.
Mais do que parecer, é preciso ser
Antes de seguir, admirar ou desejar ser como alguém, é preciso olhar além do que se vê externamente. O sucesso pode não ser real e a espiritualidade que é mostrada nem sempre é verdadeira. As aparências enganam e o que se vê na superfície muitas vezes não revela o que existe no interior da pessoa.
Mais importante do que o carisma é o caráter e do que parecer é ser. O verdadeiro sucesso, seja financeiro, seja pessoal ou espiritual, não é aprovado pelas pessoas, mas por Deus.
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