Calor e comida podem ser uma combinação perigosa

Descubra práticas simples para evitar problemas graves

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Entre janeiro e agosto de 2025, o Ministério da Saúde totalizou 64 mil atendimentos por intoxicação alimentar. Durante todo o ano de 2024, por exemplo, foram 113.157 casos. As ocorrências nos oito primeiros meses de 2025 representam cerca de 56,6% do total registrado em 2024, o que evidencia que as intoxicações alimentares tiveram uma elevação significativa. No verão, as intoxicações alimentares tendem a ser mais frequentes e muitas pessoas não conhecem os cuidados que devem ser adotados para evitá-las.

Altas temperaturas
Para Cynthia Howlett, nutricionista e coordenadora de projetos educacionais e sustentáveis da Sanutrin, empresa especializada em alimentação escolar, o principal fator para a maior frequência de intoxicação alimentar no verão é justamente o calor. “Por conta das altas temperaturas, os alimentos estragam e se contaminam mais rapidamente. Há uma proliferação maior de bactérias. Por isso, é crucial ter atenção redobrada com a validade e a durabilidade dos produtos alimentícios”, alerta.
Validade curta

Segundo Cynthia, ainda por causa do calor e da falta de apetite, muitas pessoas preferem alimentos frescos. “Elas optam, muitas vezes, por saladas, sanduíches naturais e peixes crus, mas esses alimentos exigem extrema higienização e têm validade mais curta. Se você deseja consumi-los, é preciso ter cuidado redobrado”, recomenda.

Hidratação
Ela adverte que uma intoxicação alimentar séria pode levar à morte e cita alguns alimentos mais sujeitos a riscos: “Eu penso logo em frutos do mar, camarão, produtos que às vezes são vendidos na praia, em clubes ou resorts. Tenha cuidado também com a hidratação. Verifique de onde vem a água, se a garrafa está fechadinha e se ela é de boa procedência”.

Frutas
Cynthia também sugere alimentar-se com frutas: “Elas são ricas em água, vitaminas, fibras e seu consumo no verão é importante. Claro que temos que verificar se não estão estragadas. Uma fruta muito madura pode produzir bactérias e fungos mais rapidamente. Não adianta apenas retirar a parte com o fungo se a fruta já estiver contaminada. Nesse caso, é melhor não comê-la”, opina.

Armazenamento
Ela orienta que em casa é preciso ter cuidado quando retirar alimentos da refrigeração: “Não deixe os alimentos muito tempo em temperatura ambiente, porque, com esse calor, as bactérias podem proliferar e trazer problemas. Sobras do seu prato devem ser descartadas. O restante pode ficar guardado até quatro dias na geladeira ou no congelador. As embalagens de vidro são sempre as mais indicadas para o armazenamento e é importante que não haja muito ar dentro delas”.

Alternativa
Se não houver tempo para preparar o alimento em casa, Cynthia sugere como opção esporádica o consumo de produtos industrializados: “É aconselhável dar prioridade a comidas industrializadas para o lanche quando você estiver em ambientes quentes, como parques e praias. Alimentos industrializados, como biscoitos de pacote, duram mais e contêm mais conservantes, o que diminui a chance de que estraguem. Se optar por outros tipos de alimentos, é crucial mantê-los em locais em que fiquem em temperatura adequada”.

Cuidados para o ano inteiro
Ela ainda aconselha que se adote uma organização em casa para manter uma boa alimentação no verão: “Evite comer muito na rua. Dê preferência para a alimentação em casa, porque você higieniza a sua salada, o alimento está bem preparado e sem óleo reutilizado. É preferível levar uns lanchinhos de casa ou comprar alguns produtos industrializados que sejam mais saudáveis, principalmente para as crianças, quando for para consumi-los no parque, na rua, na praia, enfim, onde você estiver. Esses cuidados valem para o ano inteiro”, conclui.

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Colaborador

Eduardo Prestes / Foto: getty images / Arte: Gean França