Bullying dispara nas escolas brasileiras
Será possível proteger as crianças dessa prática covarde tratada como brincadeira?
Grande parte das escolas públicas e privadas retoma as aulas a partir de fevereiro. Esse retorno, porém, pode trazer a reboque um problema persistente: o bullying. Segundo o Atlas da Violência 2024, entre 2009 e 2019, a proporção de alunos que relataram agressões subiu de 30,9% para 40,5%. Já o Ministério dos Direitos Humanos mostra um aumento de 67% nas denúncias: foram 1.399 em 2023 e 2.346 em 2024. Em São Paulo, a alta chegou a 90%. Será possível lidar com situações que muitos chamam equivocadamente de brincadeira, mas que trazem consequências desastrosas para crianças e jovens?
Violência sistemática
Jota Coelho, conselheiro de líderes e famílias e consultor educacional para o Programa Previse da Rio International School, explica que o bullying é um comportamento covarde de intimidação ou de violência sistemática. “Ele é repetitivo, intencional e contra quem tem incapacidade ou dificuldade de exercer sua defesa: crianças com autismo, com deficiência visual ou auditiva, limitações para andar ou nas atividades intelectuais ou mentais. Uma criança que acabou de chegar em um grupo já estabelecido também pode ser alvo por estar socialmente frágil”, esclarece.
Onde ocorre
O bullying ocorre principalmente no ambiente escolar, mas também em clubes, condomínios e outros locais. “Onde houver ajuntamento regular de crianças e adolescentes, há risco. As vítimas podem sofrer agressões de uma pessoa isolada ou de um grupo. São sofrimentos diferentes: o que vemos é que a dor parece mais profunda quando todo um grupo de colegas participa da violência ou da intimidação, mas, de certa forma, o bullying costuma acontecer com, no mínimo, a anuência do grupo”, diz.
Alertas
A reação natural de quem sofre a agressão é escondê-la dos familiares, cita Coelho: “A criança tenderá a negar, desconversar, inventar respostas aleatórias, mesmo aquela que não costuma mentir. É preciso observar os sinais: machucados inexplicáveis ou com explicações sem sentido e perda abrupta de interesse em matérias de que a criança gostava muito. Há sinais sociais também: a criança passa a ser a única não convidada para o aniversário de um colega ou, mesmo quando a turma está fazendo trabalhos em grupo, ela os faz sozinha”.
Sentimento de inferioridade
As vítimas podem apresentar sentimento de inferioridade e taxas mais altas de depressão e ansiedade, alerta Coelho. “Muitas crianças passam a ter medo de frequentar a escola ou ambientes sociais, a ter dificuldade de concentração e acabam se evadindo da escola ou do curso em que as intimidações e violências aconteciam. Há crianças que apresentam dificuldade em desenvolver relacionamentos”. Ser exposto ao bullying também aumenta a propensão ao suicídio juvenil, diz Coelho.
Filhos em perigo
O bullying também é um sinal de risco para o futuro dos agressores, destaca Coelho: “Sessenta por cento dos estudantes praticantes de bullying se tornam criminosos quando jovens e propensos ao alcoolismo e a outros comportamentos autodestrutivos”.
Formação de caráter
Contudo não se deve combater o bullying com mais violência. “Um dos caminhos para solucionar o bullying é blindar os ambientes em que ele ocorre contra comportamentos de intimidação ou violência sistemática. Outra solução é o processo preventivo de formação de habilidades ligadas à formação do caráter, que pode ser feito tanto pelas famílias quanto pelas escolas”, finaliza.
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