Brasileiro passa quase cinco dias por semana conectado à internet
Levantamento mostra aumento do tempo online e avanço da inteligência artificial na rotina da população
O brasileiro passa, em média, 116 horas por semana conectado à internet — o equivalente a quase cinco dias inteiros. Mantido esse ritmo ao longo da vida, o tempo acumulado pode chegar a 52 anos, nove meses e 16 dias, segundo levantamento realizado pela empresa de cibersegurança NordVPN.
Por que isso importa:
O número chama atenção não apenas pelo tempo dedicado à internet, mas também pelo crescimento registrado nos últimos anos. Em comparação com os dados divulgados em 2022, o levantamento aponta um aumento de 11 anos no tempo estimado que o brasileiro passa conectado ao longo da vida.
Brasil está entre os países mais conectados
O comportamento dos brasileiros acompanha uma tendência mundial. O uso de smartphones, redes sociais e plataformas de vídeo fez da internet uma presença constante na rotina. Seja para trabalhar, estudar, se informar, se comunicar ou se entreter.
Dados do relatório Digital 2026, produzido pela DataReportal em parceria com We Are Social e Meltwater, também apontam o Brasil entre os países com maior tempo diário de conexão.
Na prática, a internet deixou de ocupar apenas momentos específicos do dia e passou a acompanhar boa parte da rotina. As pessoas realizam trabalho, comunicação, entretenimento, acesso à informação e serviços por meio das telas.
Quando estar conectado ocupa espaço demais
Diante desse cenário, a questão não está apenas em quanto tempo uma pessoa permanece conectada. Também é preciso considerar a influência que esse ambiente exerce sobre seus pensamentos, comportamentos e relacionamentos. Afinal, quando a internet passa a ocupar grande parte da rotina, é importante avaliar o que está sendo consumido e quanto espaço as telas estão tomando na vida.
“Um fato que não pode ser negado é que a internet veio para ficar. Ela facilita a vida de várias formas, como no aprendizado, no comércio, nos transportes, na comunicação, e ainda nos ajuda a estar mais presentes na vida das outras pessoas. Ao olhar por esse ângulo, podemos dizer que ela uniu as pessoas, mas, por outro ângulo, também dividiu”, afirma a escritora Núbia Siqueira, em seu blog.
Ao mesmo tempo em que aproximam pessoas que estão distantes, as redes sociais podem criar uma percepção distorcida da realidade. Nas imagens publicadas, por exemplo, as pessoas costumam mostrar vidas aparentemente perfeitas, marcadas por felicidade, conquistas e momentos positivos. No entanto, esse recorte não representa necessariamente a realidade de quem está por trás da tela. Quem vê aquelas postagens, porém, compara aquela “vida fake” com a sua vida real e se angustia por não ter aquilo que os outros mostram nas fotos.
Reflita:
“Todos já devem ter visto o grande número de pessoas que vivem iludidas nas redes sociais, pois a vida que elas mostram pelas fotos é bem interessante, mas a vida real é sem graça”, explica Núbia.
Esse, porém, é apenas um dos problemas. As redes também podem ser usadas de maneira prejudicial. Seja na busca excessiva por atenção, no acesso a conteúdos inadequados ou na disseminação de discursos de ódio por trás do anonimato.
Além disso, o excesso de tempo conectado pode fazer com que momentos importantes da vida espiritual sejam deixados em segundo plano.
“Portanto, a minha opinião não é para que você entre ou saia delas, mas que seja consciente do quanto elas podem influenciá-lo em tudo”, declara.
Por isso, mais do que simplesmente estar ou não nas redes sociais, é importante desenvolver consciência sobre a maneira como elas são utilizadas. Avaliar o conteúdo consumido, estabelecer limites e não permitir que o ambiente virtual ocupe o lugar de outras áreas importantes da vida são atitudes necessárias. Elas ajudam a manter um uso mais equilibrado da tecnologia.
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