Banalização das relações leva à esclerose múltipla
Contatos físicos casuais são mais perigosos do que se pensa, pois podem transmitir, além da mononucleose, diversas outras doenças sérias
Há muito se suspeita que o vírus Epstein-Barr comum (EBV, na sigla em inglês), que causa a mononucleose (ou “doença do beijo”), pode desencadear a esclerose múltipla. Um estudo realizado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, revelou algumas evidências.
A enfermidade não se chama “doença do beijo” à toa, pois o vírus Epstein-Barr pode ser transmitido pelo simples contato de boca com boca e outras mucosas do corpo. Infelizmente, hoje o beijo é tratado como algo banal. Estamos às vésperas do infame carnaval, a “festa da carne”, quando as pessoas vão às ruas (ou baladas clandestinas, durante a pandemia) justamente com a intenção de beijar desconhecidos – e não poucos.
Os relacionamentos, como um todo, estão sendo banalizados pela sociedade atual. Hoje em dia “ficantes”, “crushs”, “namoridos” e tantas outras lamentáveis nomenclaturas são dadas para que as pessoas pratiquem cada vez mais libertinagem e cada vez menos responsabilidade e compromisso em um relacionamento. Os aplicativos de “namoro” facilitam muito a disseminação dessa irresponsabilidade – e das doenças que o sexo e mesmo um simples “selinho” podem espalhar.
“Porta” para muitas doenças
A pesquisa de Harvard mostrou que o risco de desenvolver esclerose múltipla, mal que afeta 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo, aumenta até 32 vezes depois da infecção com
Epstein-Barr. A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica do sistema nervoso central em que o sistema imunológico ataca as bainhas de mielina (revestimento de tecido à base de gordura) que protegem os neurônios do cérebro e da medula espinhal, podendo comprometer os impulsos nervosos a ponto de os diminuírem ou até impossibilitarem.
Os sintomas são problemas na coordenação motora, no equilíbrio, na visão e dificuldade em todos os outros sentidos e sensações, justamente por atrapalharem a comunicação dos neurônios com o restante do corpo. A doença acompanha a pessoa por toda a vida e pode levar a graves incapacidades
Ainda não se sabe a causa da esclerose, mas uma das principais suspeitas cai sobre o EBV, um tipo de herpesvírus que pode ser transmitido ao beijar alguém ou até mesmo ao encostar a boca no mesmo copo ou outro objeto que contenha saliva da pessoa infectada, mesmo que em pequena quantidade.
O EBV causa a mononucleose, também chamada simplesmente de “mono” ou febre glandular, que provoca uma infecção com sintomas que podem aparecer entre quatro e seis semanas após o contato com o vírus, se o sistema imunológico for mais fraco, sendo eles: placas esbranquiçadas na boca, língua e/ou garganta; dor de cabeça constante; febre alta; dor de garganta; fadiga excessiva; ínguas (gânglios inchados) no pescoço; e mal-estar geral.
Os sintomas da mono podem ser facilmente confundidos com os de uma gripe ou um resfriado, mas, se durarem mais de duas semanas, é importante procurar um clínico-geral ou
um infectologista.
Como se não bastasse a mono servir de “ponte” para a esclerose múltipla, ela também abre as portas para outras doenças bastante sérias, segundo apurou o Centro Médico de Cincinatti, também nos Estados Unidos, como lúpus, artrite reumatoide, artrite idiopática juvenil, doença de Crohn, colite ulcerativa e doença celíaca (as três afetam gravemente o intestino); e diabetes tipo 1.
Banalização do corpo
E pensar que tudo isso pode vir de um simples beijinho ou do fato de beber na garrafa, canudo ou copo de outra pessoa, além de costumes tidos como inofensivos, como fumar narguilé em grupo. Vale destacar que ainda não existe uma vacina contra o EBV, o que dificulta mais ainda a sua contenção.
A mono, a esclerose e várias outras doenças não são os únicos problemas que a banalização das relações e do corpo causam. Com as pessoas cada vez valorizando menos seu corpo e se relacionando com desconhecidos em circunstâncias nada saudáveis, o que se agrava com a facilidade de conhecer gente pela internet e ter contato logo em seguida, doenças físicas são – sem diminuir a gravidade delas – uma pequena parte do mal que pode acontecer. A pessoa também pode se ‘infectar” espiritualmente com a prostituição e a promiscuidade e colocar até mesmo sua Salvação em risco.
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