“Aproveitem o tempo que resta com a filha de vocês”

Essa foi a ordem dos médicos aos pais da recém-nascida Anna Julia

Quando Anna Julia Simão Coutinho Barbosa nasceu seus pais estavam apreensivos, pois o parto foi feito com 36 semanas de gestação. “Nossa filha nasceu com fenda palatina, que é uma fissura no céu da boca que causa abertura para dentro do nariz. O médico nos alertou também que ela tinha ptose palpebral, uma queda da pálpebra superior causada por alterações no músculo. O médico mencionou vários cuidados que precisaríamos ter com a Anna Julia”, conta o empresário Ricardo Coutinho Barbosa, de 41 anos, pai dela. A criança também nasceu com sopro no coração e um apêndice auricular (um excesso de pele na orelha cercado de cartilagem que pode ocasionar alterações auditivas e más-formações na cabeça).

Anna Julia passou 25 dias internada para ganhar peso suficiente antes de receber alta. Aos dois meses de vida, apresentou um quadro de icterícia, um problema hepático comum em recém-nascidos, mas que pode gerar várias complicações, inclusive danos cerebrais. O tratamento contra a icterícia não fez o efeito esperado e a consequência foi revelada em uma cintilografia e em uma biópsia realizadas quando ela tinha três meses: Anna Julia estava com atresia biliar, um problema hepático que impede o fígado de realizar sua função adequadamente. A empresária Luciana Simão Coutinho, de 40 anos, mãe de Anna Julia, explica que ela estava muito doente, a ponto de sua urina ser quase preta: “o fígado dela estava cirrótico e havia uma hemorragia interna. A Anna Julia necessitava de um doador urgente. O médico disse que as chances da minha filha sobreviver eram mínimas”, relembra Luciana.

A família tinha “o melhor convênio, estava no melhor hospital e tinha os melhores médicos à sua disposição, mas isso não foi o suficiente para curar Anna Julia. Não sabíamos nem a cor da nossa filha. Ela era amarela e, às vezes, parecia verdinha. Seus dentes eram amarelados e seus cabelos não cresciam. O médico nos disse: ‘aproveitem o tempo que resta com a filha de vocês’. Ele não queria autorizar o transplante, pois ela estava muito debilitada. Ele julgava que minha filha não suportaria uma cirurgia”.

Icterícia:

A icterícia é provocada pela alta produção de bilirrubina, uma substância gerada no fígado. Como o fígado do recém-nascido não está completamente formado, ele pode ter dificuldade para eliminar essas moléculas. Os principais sinais do problema são pele e olhos amarelados e o diagnóstico é realizado nas primeiras 24 horas de vida com a realização do exame de sangue.

O tratamento é feito com fototerapia e/ou medicamentos imediatamente, pois a icterícia não curada pode causar danos irreversíveis ao cérebro. Quando a icterícia permanece por mais de 14 dias, ela se transforma em atresia biliar e o tratamento é realizado por meio do transplante hepático.

Fonte: Secretaria de Saúde do Estado do Ceará

“O que eu faço, meu Deus?”
Ricardo se angustiava e perguntava “o que eu faço, meu Deus? Vendo o carro? A casa? O que o Senhor quer de nós? Um transplante custa em torno de R$ 130 mil. A primeira coisa que fizemos ao receber o diagnóstico foi ir à Universal em Osasco, na catedral que frequentamos. Colocamos o bebê conforto com minha filha no Altar. Eu disse: ‘está aqui Jesus, ela é Tua. Faça a Tua Vontade na vida dela, Senhor’”.

Ricardo e Luciana frequentavam as reuniões da Universal quase todos os dias. Eles fizeram todos os votos, propósitos, jejuns e a Fogueira Santa de Israel em favor da vida de Anna Julia. “Recorremos ao Altar. A nossa força vem dEle e Deus abriu as portas”, diz Luciana.

Da mesa de cirurgia ao altar
Anna Julia estava na fila de transplante, mas, antes que chegasse sua vez de receber o órgão, exames mostraram que Luciana e Ricardo poderiam ser doadores. Como a mãe ainda se recuperava da cesárea, o pai fez a doação. Na época, a menina tinha 8 meses.

Luciana relata como foi aquele dia: “foram as 12 horas mais difíceis da minha vida, pois minha filha e meu marido estavam na mesa de cirurgia, mas sempre fiquei muito confiante. Sei o Deus a quem sirvo, então, em momento nenhum me desesperei. Eu sabia que, se Deus estava permitindo toda aquela situação, era porque algo bom surgiria. No fim das contas, tudo deu certo, para honra e glória do nosso Deus!”

Após a cirurgia, Anna Julia ainda teve outras complicações antes de receber alta, mas se recuperou e pôde ir para casa depois de um mês.

Os anos seguintes ainda foram de luta por sua vida. Por conta da saúde debilitada, ela precisou de diversas internações. “Os momentos mais difíceis foram os finais de ano. Nesta época, as pessoas estão comemorando a chegada de um novo ano, estão felizes confraternizando com as famílias, mas nós sempre estávamos em hospitais com minha filha à beira da morte.

Foram cinco anos muito difíceis. A Anna Julia passou por 18 intercorrências, pneumonias e internações. Após a cirurgia, ela teve sepse. Os antibióticos não faziam mais efeito, mas eu sabia que, se Deus tinha iniciado uma obra, Ele seria capaz de concretizá-la”, relata Ricardo.

Em todos esses anos de contrariedades, Ricardo e Luciana contaram com a ajuda de familiares, amigos, pastores, obreiros e pessoas queridas que estiveram unidas na mesma Fé, subiram ao Altar e clamaram a Deus pela vida de Anna Julia. O resultado foi positivo e ela se recuperou. “Hoje nossa filha, que tem 9 anos, leva uma vida normal. Ela estuda, faz natação, passeia, viaja e tem uma vida muito feliz conosco. Superamos tudo pela graça de Deus. O sucesso da cirurgia se deve às mãos do Altíssimo”, conclui Luciana.

Cura total pela fé

Você também pode usar a fé para obter a cura para si mesmo ou um familiar. Participe da Corrente dos 70, que ocorre todas as terças-feiras na Universal.

No Templo de Salomão, em São Paulo, os horários são às 10h, 15h e 20h. Você ainda pode participar em uma Universal mais próxima.

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Autor

Kaline Tascin / Fotos: Demetrio Koch