Ameaça à liberdade religiosa no Brasil: o perigo do monitoramento dos púlpitos
Cultos e missas foram monitorados antes das eleições sob o pretexto de "pesquisa acadêmica"
A liberdade religiosa no Brasil enfrenta um momento crítico diante de investidas sorrateiras que tentam transformar igrejas em alvos de vigilância indevida. Recentemente, a grande imprensa deu destaque a uma pesquisa acadêmica – divulgada na coluna do antropólogo Rodrigo Toniol na Folha de S.Paulo – que analisou mais de 13 mil horas de transmissões de cultos e missas nas semanas anteriores às eleições. Contudo, a iniciativa, desenvolvida pelo grupo Passagens da UFRJ em parceria com a organização More in Common, gerou forte indignação e uma contundente nota de repúdio por parte de entidades jurídicas e religiosas.
A tentativa de controle:
O levantamento monitorou milhares de celebrações das Assembleias de Deus, igrejas batistas e igrejas católicas sob o pretexto de caçar supostos ilícitos eleitorais. Por outro lado, o próprio estudo escancarou dados que desmentem o alarmismo: em 96,8% dos cultos e missas monitorados não houve qualquer registro de propaganda. Portanto, fica evidente a mensagem implícita: estigmatizar a fé cristã e criminalizar a presença dos valores espirituais na praça pública. Em outras palavras, a questão central deste tema não é o cerceamento da liberdade de pesquisa acadêmica, mas o ato de “fiscalização” velado na prática deste caso específico.
O conflito de interesse:
A igreja recebe a todos. Contudo, os ambientes sagrados, onde os cidadãos buscam refúgio espiritual, não devem admitir lentes inquisitórias — olhares intencionalmente enviesados. Enquanto a pesquisa ignorou outros espaços da sociedade, os pesquisadores não direcionaram a eles nenhum monitoramento equivalente. No entanto, o alvo escolhido para o ataque foram os púlpitos cristãos, revelando um duplo padrão seletivo que fere a imparcialidade democrática e os direitos constitucionais.
A voz da justiça e da lei:
O Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) emitiu uma rigorosa nota de repúdio contra esse monitoramento invasivo, destacando que tal fiscalização fere o livre exercício da crença e a autonomia institucional garantidas pela Constituição Federal em seus artigos 5º, VI, e 19, I. Pois, conforme aponta a entidade, práticas de vigilância paraestatal de cultos lembram os sombrios métodos de regimes ditatoriais em certos países, onde o Estado tenta intervir na fé do povo. O documento na íntegra pode ser conferido aqui.
O alerta espiritual e cívico:
Desse modo, qualquer tentativa de amedrontar líderes religiosos e frequentadores sob o disfarce de neutralidade científica deve ser combatida. Portanto, a inviolabilidade do culto é um pilar inegociável para a preservação da verdadeira democracia no Brasil.
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