Adolescentes participam de oficina inédita de Libras em Palmas (TO)
Momento ofereceu aprendizado, interação e conscientização. Confira como foi a ação
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que cerca de 2,6 milhões de pessoas têm deficiência auditiva, segundo dados do Censo Demográfico de 2022, número que inclui diferentes graus de perda de audição.
Em nível mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 1,5 bilhão de pessoas vivem com algum grau de perda auditiva. Dessas, aproximadamente 430 milhões apresentam perda auditiva moderada ou severa, número que pode aumentar nas próximas décadas sem intervenções de saúde pública.
Iniciativa importante
Nesse contexto, o Grupo Libras Universal promoveu, no dia 28 de junho, a primeira oficina de Libras destinada aos adolescentes do Força Teen Universal (FTU) no Tocantins.
A proposta foi despertar nos jovens a importância da Libras como instrumento de inclusão social. Embora a Língua Brasileira de Sinais (Libras) esteja cada vez mais difundida, ainda são poucas as pessoas que conseguem se comunicar com pessoas surdas, o que gera distanciamento entre surdos e ouvintes.
A iniciativa proporcionou aprendizado, interação e conscientização sobre a importância da inclusão das pessoas surdas, incentivando os participantes a desenvolver uma comunicação mais acessível e acolhedora, tanto no dia a dia quanto no ambiente da igreja.
O que marcou a primeira oficina de Libras
- A atividade aconteceu no auditório da Catedral da Universal, em Palmas, capital do estado, com duração de cerca de uma hora e meia.
- O momento reuniu cinco voluntárias do Grupo Libras Universal e 21 adolescentes do FTU.
- Em suma, durante a oficina, os participantes tiveram contato com um pouco da história da educação de pessoas surdas no Brasil e aprenderam sinais básicos da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Uma mensagem de fé
Além do aprendizado prático da Libras, a oficina também transmitiu uma mensagem de fé baseada no versículo de Romanos 10:14:
“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?”.
A reflexão destacou que todos os cristãos são chamados a levar a Palavra de Deus a todas as pessoas e que a Libras é um meio essencial para que a mensagem da salvação também alcance aqueles que não ouvem.
O que disse a responsável pelo Grupo Libras Universal no estado
Para a responsável pelo Grupo Libras Universal no Tocantins, Ana Celia Marques de Jesus Paes, ações como essa incentivam a inclusão da Libras no cotidiano e ajudam a romper barreiras enfrentadas pela comunidade surda.
- “Sabemos que muitos surdos encontram dificuldades em se comunicar e se expressar justamente pela falta de conhecimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras), e isso acaba sendo uma barreira na comunicação, causando muitas vezes a reclusão do surdo”, afirmou.

Depoimento de quem esteve presente
Inclusive, a voluntária do Grupo Libras Universal, Ana Celia Cidronio Silva, destacou a importância de participar da primeira oficina no estado. Segundo ela, apresentar aos adolescentes conteúdos sobre a história da educação de pessoas surdas e ensinar os primeiros sinais de Libras foi uma experiência marcante.
- “Ao ver o interesse e a participação de cada adolescente, meu coração se encheu de alegria e gratidão. Eles compreenderam, por meio de atividades dinâmicas e da prática dos primeiros sinais, a importância da inclusão e do amor ao próximo. Foi uma oportunidade de aprender, servir e compartilhar o amor de Cristo por meio da Libras.”, relatou.
Também voluntária do grupo, Patrícia de Castro e Silva afirmou que, apesar do desafio inicial de conduzir a atividade, encontrou tranquilidade ao perceber o envolvimento dos adolescentes.
- “Antes de entrar, minha oração foi apenas uma: ‘Eis-me aqui, Senhor’. Acredito que foi o Espírito Santo quem conduziu tudo. A Libras representa um grande desafio, mas também um propósito: alcançar almas. Creio que, depois desta oficina, teremos mais voluntários e conseguiremos levar a Palavra de Deus, por meio da Libras, a muitas pessoas surdas que ainda não tiveram essa oportunidade”, disse.
Semelhantemente, Kamilly Rodrigues da Cunha, também voluntária, ressaltou o impacto da iniciativa. Para ela, o aprendizado contribuirá para que os jovens acolham melhor as pessoas surdas e respeitem sua cultura.
- “Foi um grande privilégio contribuir com o ganho de almas e com a inclusão. Creio que, ao receber uma pessoa surda na FTU, ele vai se sentir acolhido. Além disso, quando os adolescentes encontrarem uma pessoa surda, terão a iniciativa de cumprimentá-la e respeitar sua cultura sem medo ou estranhamento, contribuindo para que mais pessoas sejam alcançadas pela Palavra de Deus em Palmas”, finalizou.
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