A violência gratuita e o fim dos tempos
O amor, a empatia e a gentileza têm sido tão raros que isso chega a causar estranheza. Por outro lado, as brigas no trânsito são cada vez mais frequentes, a violência doméstica é a realidade em milhares de lares, os cancelamentos se propagam pela internet diariamente, as escolas se tornaram cenário para bullying e até tiroteios, as crianças são vítimas de abusos e agressões causadas pela própria família, os crimes acontecem à luz do dia e tantos outros exemplos da maldade humana sobressaem a todo instante. Parece que nenhum lugar é suficientemente seguro.
Há algumas semanas, por exemplo, um ônibus que fazia a viagem entre Recife (PE) e a capital baiana, Salvador, foi palco de uma demonstração de violência gratuita. Uma estudante de enfermagem dormia tranquilamente quando um ardor no rosto a fez despertar e, por instinto, ela levou a mão ao local e notou que sangrava. O motivo? Alguém no ônibus a cortou com uma faca. A polícia apreendeu a arma branca e ainda investiga o caso, mas, segundo imagens da câmera de segurança do veículo, a suspeita estava sentada atrás da jovem, se aproximou rapidamente segundos antes de a estudante despertar e pedir socorro e, depois, agiu com apatia em relação à situação enquanto os outros passageiros, assustados, tentavam ajudar a vítima, que levou 18 pontos.
A cicatriz e o trauma psicológico que a jovem carregará são apenas uma amostra das marcas expostas na sociedade. Tais marcas que bilhões de vítimas mundo afora carregam são oriundas do desamor que se intensifica a cada dia e indica que, de fato, estamos vivendo o Fim dos Tempos. Apesar disso estar cada vez mais evidente atualmente, o Senhor Jesus já tinha anunciado há dois mil anos em Mateus 24.12 que “por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”.
Parece que o amor passou a ser considerado um vírus mortal, do qual todos fogem com pavor de sentir, experimentar e, principalmente, demonstrar. Mas tal temor não ocorre com qualquer ação capaz de ferir, destruir ou matar nosso semelhante.
Mas como esperar amor ao próximo se o primeiro a ser anulado é o amor-próprio? Nunca antes uma geração criou tantos “defeitos” a ponto de cada um desejar arduamente mudar a si mesmo. Não uma mudança de comportamento, pensamento ou hábitos – que, muitas vezes, é benéfica e necessária –, mas uma mudança da aparência, da essência e até da própria origem ao se afastar cada vez mais do Criador.
A ausência desse amor a si mesmo reflete, evidentemente, na falta de amor por outras pessoas vista por meio do desrespeito, da raiva, do ódio, da violência, do medo e de tanta iniquidade. Ao mesmo tempo, muitos deixam de se importar com o destino da própria alma e há ainda quem sucumba à ideia de que a única opção viável é desistir de tudo e acabar com a própria vida, condenando-se a uma eternidade de dor e sofrimento pior do que os problemas enfrentados neste mundo.
Diante de tantos sinais de que vivemos o Fim dos Tempos, descrito em Apocalipse, e da eminente volta do Senhor Jesus, deve haver maior empenho em amar e levar a Essência e a Verdade desse amor a toda criatura. A cada exemplo de desamor e violência gratuita urge trabalhar ainda mais para manter vivo o amor por Deus, por si mesmo e, consequentemente, pelo próximo.
Não à toa, o âmago do grande mandamento da Lei é justamente a plenitude desse amor (Mateus 22.36-40), sem se importar com as circunstâncias ou escolhas do outro. Não um amor romântico como o do conto de fadas, mas o amor de devoção, respeito e amabilidade, como o demonstrado pelo próprio Senhor Jesus desde a Sua paciência de ensinar até a Sua completa entrega ao Se sacrificar.
Porque, como está escrito em Mateus 24.13, “aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo” e ainda terá o prazer de ser um instrumento para levar a Salvação ao próximo.
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