A longa viagem da Bíblia
Dos primeiros registros manuscritos às versões digitais, as Sagradas Escrituras atravessaram idiomas, impérios e transformações tecnológicas em uma história de preservação, tradução e transmissão ao longo dos séculos
A Bíblia é a Palavra de Deus e reúne os escritos que fundamentam a fé cristã. Na tradição protestante, adotada pela Universal, ela é composta por 66 livros: 39 no Antigo e 27 no Novo Testamento. Mas essa coleção de textos, hoje reunida em um único volume, começou a ser formada há milênios e atravessou séculos, apesar das limitações que enfrentou.
Um “recorde” de livro
795 idiomas
Já contam com a Bíblia completa, alcançando cerca de 6,2 bilhões de pessoas.
5 a 7 bilhões de exemplares
É a estimativa de Bíblias produzidas ao longo de cerca de 1.500 anos.
Fontes: United Bible Societies, Translation Statistics Report 2025; Guinness World Records; British and Foreign Bible Society, levantamento de 2021.
Desbravadores da tradução
- Septuaginta – séculos III-II a.C.: tradução grega das Escrituras hebraicas, feita no Egito; segundo tradição, por 70 ou 72 sábios.
- Vulgata – 400 d.C.: versão latina de Jerônimo, referência no Ocidente por séculos.
- Wycliffe – fim do século XIV: ligado à primeira Bíblia completa em inglês medieval.
- Tyndale – 1526: publicou o Novo Testamento em inglês, traduzido do grego.
- Lutero – 1534: concluiu a Bíblia em alemão a partir das línguas originais.
- King James Version – 1611: encomendada pelo rei James I, tornou-se uma das mais influentes em inglês.
- Almeida – 1681/1753: publicou o Novo Testamento em português; a Bíblia completa saiu em 1753.
Do rolo…
Na Antiguidade, os textos eram escritos em papiro ou pergaminho e organizados em rolos. Enrolado, o material protegia a parte escrita, mas precisava ser aberto aos poucos para localizar uma passagem, o que tornava a tarefa trabalhosa.
…ao livro
Nos primeiros séculos cristãos, ganhou espaço o códice: folhas dobradas e reunidas em cadernos. O formato permitia localizar passagens com facilidade, reunir mais textos e manuseá-los com maior praticidade, antecipando a estrutura do livro atual.
A virada de Gutenberg
Até o século XV, Bíblias eram copiadas à mão. Nos anos 1450, Gutenberg aperfeiçoou a impressão com tipos móveis de metal. Sua Bíblia, concluída em 1455, tornou-se um marco da imprensa.
Uma Bíblia, diferentes versões
Em português, há traduções e revisões distintas. Algumas são mais literais; outras atualizam a linguagem. Por isso, é importante ter atenção a versões muito livres ou adaptadas: ao simplificar demais uma passagem, elas podem alterar palavras, omitir nuances e até comprometer o entendimento do texto bíblico.
Na Universal, é usada a Almeida Corrigida Fiel (ACF), por preservar a estrutura e o sentido dos textos originais.
Uma história que continua
Dos manuscritos ao digital, as formas de divulgar as Escrituras mudaram. Hoje, a Bíblia pode ser lida no papel ou no celular, ouvida em áudio e acessada em plataformas digitais. Ela também inspira produções audiovisuais. As linguagens mudam, mas permanece a convicção de 2 Timóteo 3:16: “Toda a Escritura é divinamente inspirada […] para instruir em justiça”.
Conheça de perto
No Jardim Bíblico do Templo de Salomão, em São Paulo (SP), o visitante pode conhecer de perto essa trajetória. O acervo inclui uma Bíblia centenária, exemplar que aproxima o público da história das Escrituras. As visitas podem ser agendadas pelo WhatsApp (11) 3573-3641, com atendimento em inglês, espanhol e Libras mediante solicitação.
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