A face solidária da Universal

Os números expressivos de pessoas beneficiadas por iniciativas e projetos sociais não param de crescer. Em uma retrospectiva de 2022, relembramos e dividimos um pouco desse respiro da Universal que dá fôlego a milhares de voluntários e leva vida aos que sofrem

Depois de uma pandemia que castigou o mundo, a vida retomou seu rumo “normal” cautelosamente em 2022. E, se um novo ano (já) bate à porta, o restinho deste ainda mostra lições e memórias latentes: em 2022, vimos chuvas deixarem mortos e desabrigados em diversos Estados brasileiros, uma guerra ser iniciada na Europa e prejudicar o mundo inteiro, além de inúmeras outras tragédias – como a fome e a violência – que afetaram a vida de milhões de pessoas.

Diante de tudo isso, a Universal, de forma incansável, se esforça para levar ao próximo um pouco da sua prática. Essa atitude reflete uma Fé genuína que é construída, instruída e provada por uma Palavra que não promove meros reparos, mas que, espiritualmente, transforma a pessoa e seja qual for a situação. Assim, as portas abertas e as mãos estendidas têm sido o DNA de uma Igreja que alcança milhões de pessoas ao redor do mundo.

Essa Fé chega a quem mais precisa por meio de apoio espiritual e ações sociais em abrigos, prisões, hospitais e nos lugares em que estão as pessoas mais necessitadas.

Esse respiro Universal é o que dá fôlego e move milhares de voluntários no Brasil e no mundo – muitos dos quais, um dia, também receberam ajuda. Os voluntários transformam a Universal na “fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia; refúgio contra a tempestade e sombra contra o calor”, como está descrito em Isaías 25.4.

A TROCO DE QUÊ?

As ações promovidas pela Universal refletem a essência dos ensinamentos bíblicos. Em Mateus 25 está escrito que quem matar a fome do faminto, a sede do sedento, der roupas a quem precisa ou visitar na prisão aquele que não tem liberdade estará ajudando o próprio Senhor Jesus. Por outro lado, quem deixar de fazer isso O estará desprezando. Já em Lucas 3.10 a orientação é: “Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo”.

E é assim que a Universal age. Segundo um levantamento feito pelo Departamento de Comunicação Social e de Relações Institucionais da Universal (UniCom), os programas sociais realizados pela Universal ampararam 9,7 milhões de pessoas em todo o Brasil – idosos, jovens, pessoas que estavam sufocadas pela depressão, abaixo da linha da pobreza, dependentes químicos e presos que tiveram, de alguma forma, suas vidas impactadas por um dos milhares de ações realizadas ao longo deste ano pela Universal. No exterior, outros 3,2 milhões de pessoas foram alcançadas.

MAIS DO QUE UM NÚMERO
No mundo inteiro, mais de 487 mil voluntários participam dos 17 projetos sociais desenvolvidos pela Universal. Um deles é o Grupo de Evangelização (EVG), que faz a ajuda chegar a bairros carentes por meio de alimentos, calçados, roupas, cobertores, materiais de higiene pessoal, além de atendimento médico, jurídico, psicológico e estético. Ao todo, 11 projetos fazem parte do EVG. Um deles, o Anjos da Madrugada, existe desde 1980 e reduz as aflições diárias da população de rua, que neste ano chegou a 281 mil pessoas somente no Brasil.

À frente do trabalho realizado pela EVG, o Pastor Filipe Santos esclarece que objetivo desta ação “é ajudar e não julgar, pois sabemos que muitos vivem nessas condições por terem sido expulsos de seus lares por conta de conflitos familiares, separação e vícios. Já outros estão dessa forma pois saíram de sua terra natal com a expectativa de alcançar um futuro promissor e, por não encontrarem empregos, as dificuldades os impulsionaram a se ajeitar nas ruas e passaram, assim, a viver em condições precárias e até desumanas. Muitos acabam se acostumando e passam dias e anos descrentes que dias melhores virão”.

As ações acontecem em praças, calçadas e viadutos. “Em alguns locais, levamos a ‘carretinha’ do banho e eles podem usufruir de um banho digno com água quente, além de servirmos refeições prontas com sucos ou refrigerantes”, destaca.

Então, com o objetivo de ajudar essas pessoas, os voluntários do EVG em todo o Brasil realizaram ações sociais que levaram amparo imediato por meio da entrega de cestas básicas, sacolas de legumes, frutas e também kits de higiene.

Outra iniciativa da EVG que vale destacar e unifica os demais projetos é o programa Unisocial que, neste ano, promoveu as turnês esportivas beneficentes Driblando a Fome e Corrida Contra a Fome. Só o Driblando a Fome que aconteceu na Arena Barueri, na Grande São Paulo, no dia 4 de junho, arrecadou mais de 100 toneladas de alimentos não perecíveis. No Brasil inteiro, milhares de toneladas de alimentos foram arrecadas e destinadas às famílias necessitadas.

Se os números impressionam, há algo que salta ainda mais aos olhos: “a ajuda social é de grande valia para as pessoas que estão sendo beneficiadas e amparadas com os serviços prestados em cada ação social, mas esse benefício ultrapassa o fato de darmos o apoio assistencial a famílias carentes em todo o Brasil. A ajuda principal que oferecemos é a mensagem de Fé e esperança por meio das orientações descritas na Palavra de Deus.

Só por meio dEla uma vida pode ser totalmente restaurada”, afirma o Pastor Santos.

FORÇA QUE VEM DE DENTRO
Quantos conflitos podem cruzar o caminho de um jovem? Certamente, incontáveis. Escolhas erradas, traumas e frustrações são constantes e levam muitos a perigosos caminhos.

Para auxiliar os jovens a enfrentarem tudo isso e viverem bem, a Força Jovem Universal (FJU) busca agregar valores por intermédio de nove projetos (como o Esportes e o FJUniversitários), cada um estrategicamente qualificado para beneficiá-los. É por meio da FJU que a ajuda chega a muitos lares fragmentados pelos vícios, por tragédias e por toda sorte de desentendimentos, atingindo inúmeras vidas que, por vezes, estavam à beira de figurar nas trágicas estatísticas.

E, se as ações promovidas pela FJU dialogam com a reintegração de adolescentes e jovens na sociedade graças a atividades culturais, desportivas, cursos de formação e debates que estimulam uma trajetória de superação, também conversam com o que há no interior de cada um deles, como acontece no projeto Help FJU. O lema dele é Não Te Julgo, Te Ajudo, mas a grandiosidade espiritual detrás de uma ação que socorre tantos jovens calados pela depressão, automutilação e pelo desejo de morte é maior ainda. “Todos os projetos têm sua importância, mas podemos dizer que o Help FJU se destaca em razão do intenso trabalho que realiza dentro de escolas, faculdades, centros educacionais em geral, além de ocupar estações de trem, metrô, pontes e até estradas. Tudo isso visa auxiliar e acompanhar jovens e até adultos que têm a saúde mental debilitada”, declara o Bispo Celso Júnior, coordenador nacional da FJU. Dentro da iniciativa, inclusive, surgiram ações reconhecidas, como o evento Mega Help, que aconteceu em 17 países durante o mês de setembro.

O Bispo ressalta que o mais importante é a Palavra de ânimo e sustenção. “Hoje, o que a população precisa é muito mais do que uma ajuda diária, é conhecer o Caminho que fará com que ela viva uma nova realidade. Por isso, a FJU visa auxiliar não só com boas ações, porque tem plena consciência de que tudo passa, mas que a Palavra de Deus, ao ser praticada, transforma a vida da pessoa mais desacreditada que possa existir”, pontua.

VALOR À SAÚDE
Desde a reformulação do Grupo da Saúde Universal (GSU), em 2018, foram realizados mais de 3 milhões de visitas aos enfermos em um apoio que não se restringe aos hospitais, já que os voluntários também prestam assistência espiritual e social às pessoas que estão enfermas e debilitadas em suas casas. O GSU apoia também os familiares de enfermos e profissionais da saúde que, embora cuidem dos outros, muitas vezes não conseguem cuidar de si mesmos. Entre as iniciativas do GSU destacam-se o Sorriso Saúde, que, por meio de atividades lúdicas e bom humor, oferece às pessoas momentos de descontração e leveza; e o Social Saúde, que promove eventos sociais com distribuição de kits de higiene pessoal e equipamentos de proteção individual (EPIs) aos profissionais da área, além de promover campanhas de doação de sangue que, só em 2022, beneficiaram mais de 84 mil pessoas. Há ainda o Cuidando de Quem Cuida, que realiza palestras científicas e motivacionais em hospitais, empresas, unidades prisionais, instituições de ensino e diversos tipos de eventos, fortalecendo a valorização do profissional de saúde e seu bem-estar físico, mental, emocional e espiritual. “Contudo, a finalidade dos projetos não é apenas o lado social e humanitário. Os projetos acabam sendo um recurso essencial que nos permite chegar a milhares de vidas e levar a elas o maior dos benefícios, que é a Salvação da alma”, destaca o capelão Eduardo Ribeiro, Bispo responsável pelo GSU no Brasil.

UM RECOMEÇO
Assistindo espiritualmente crianças e adolescentes que cumprem medidas socioeducativas, além de realizar ações sociais na Fundação Casa e em abrigos, o programa social Universal Socioeducativo Brasil (USE) também presta auxílio e realiza atividades com os jovens em comunidades carentes no País inteiro. “Em abrigos, levamos doações a locais que estavam em situação de vulnerabilidade; já às unidades da Fundação Casa, em todo o País, os voluntários levam kits de higiene pessoal para os internos, pois sabemos que muitos de seus familiares perderam os empregos”, diz o Pastor Ulisses Gomes Teixeira, que lidera
o projeto.

O Pastor destaca duas vertentes importantes para o desenvolvimento desses jovens: “uma delas é o trabalho com ex-internos da Fundação Casa, no qual apresentamos, por meio da Fé, um recomeço e mostramos que, independentemente do passado, há uma nova história a ser escrita ao lado de Deus. A outra é o projeto Movimento Sócio Abrigo, por meio do qual cuidamos de crianças, adolescentes e também de mulheres que sofrem violência doméstica. Muitos chegam aqui cheios de marcas do passado e, por meio do cuidado social e, principalmente, do espiritual, eles seguem uma nova vida.”

UMA MENTE DO CRIME
Foi na adolescência que Raphael Pires Ribeiro, (foto abaixo) hoje com 33 anos, teve sete passagens pelas unidades para cumprimento de medidas socioeducativas em Minas Gerais, seu Estado natal. “Minha infância foi normal até os dez anos, quando me envolvi com coisas erradas e vivi um período difícil. Aos 11, fui para a escola e não voltei mais para casa. Naquele dia, fiquei a noite toda na rua usando drogas e ali teve início um círculo vicioso. Depois tudo começou a ir ladeira abaixo”, descreve. Raphael conheceu os vícios na rua.

“A primeira droga que usei foi a maconha. Depois me envolvi com pequenos furtos na escola. Eu pulava o muro da casa dos outros com facilidade. Daí comecei a praticar assaltos e, aos 14, me envolvi com o tráfico de drogas. Nessa altura, já cheirava cocaína e, então, o crime me abraçou: eu era jovem, novo, tudo que o crime queria. Comecei a ser preso recorrentemente e era aquele pingue-pongue: eu saía e voltava até que fui preso já maior de idade. Na primeira vez, fiquei quatro anos e cinco meses, porém, saí com a mente mais criminosa do que já tinha. Me envolvi com facções.”

Em 2017, quiseram matá-lo: “queriam tirar minha vida e armaram uma cilada. Na época, eu não sabia, mas saí de moto com um rapaz que ia me levar para ser executado. Só que, no meio do caminho, ele bateu a moto, sofreu uma lesão e morreu. Eu cheguei a perder o movimento do braço e quebrei algumas vértebras. Foi um acidente grave e os médicos ficaram impressionados, pois eu tinha tudo para ficar paraplégico. Eu sabia que ficaria anos preso”.

Raphael já conhecia o trabalho da Universal dentro de casa, pois sua mãe, Rosângela Pires Ribeiro, de 59 anos, já era frequentadora. Mas só quando foi preso ele passou a participar das orações feitas pelos voluntários do projeto Universal nos Presídios (UNP). Isso ocorreu há três anos. Depois, ele se batizou nas águas e iniciou uma nova vida. “Pedi um rádio de pilha para a minha mãe para ouvir o programa Momento do Presidiário. Era isso que me sustentava. Eu guardava minhas pilhas para escutar o programa todos os dias da semana, pois, além de trazer uma palavra amiga, também oferecia um conforto para aquele preso que recebia um recado do seu ente querido, que, angustiado e precisando ouvir a voz de um filho, da esposa, do pai, da mãe, seja de quem fosse, conseguia. Esse trabalho que a UNP faz é maravilhoso e leva esse alívio e esse alento para quem está atrás das grades.”

Ele conta que mudou da água para o vinho: “larguei as drogas, o cigarro, as más conversações, os maus costumes e fui praticando só o que agradava a Deus e fazia bem também para mim e segui assim, sem perder a Fé. Tudo realmente mudou quando recebi o Espírito Santo. Ainda preso, Deus me contemplou com a dádiva que é o Espírito dEle e tudo se fez novo. A velha criatura ficou para trás e ali eu já nem me sentia preso. Eu estava fisicamente, mas espiritualmente não.”

Ele recebeu o Espírito Santo em janeiro de 2021 e 13 meses depois foi solto. Ele detalha que imediatamente começou a fazer parte da UNP. “Os voluntários poderiam estar em casa com a família, mas em um final de semana deixam o que for por amor às almas, levam uma Palavra de conforto e falam que não estamos sozinhos, que podemos contar com eles em qualquer situação – e é verdade. Eles fizeram muito por mim e fazem tudo por todos e por muitos. Fiquei quase 11 anos dentro do sistema prisional e hoje faço pelos outros o que fizeram por mim”.

NOVA ESTIMATIVA
A Universal nos Presídios (UNP) busca levar essa transformação espiritual a unidades prisionais: o projeto soma mais de 500 mil detentos atendidos, além de 27 mil menores apreendidos e familiares, carcereiros e demais funcionários que recebem a devida atenção. “Oferecemos cursos profissionalizantes, atendimento médico, odontológico e jurídico, cafés da manhã na porta das unidades para os familiares que visitam os encarcerados e cestas básicas, livros e informativos em um bem-sucedido projeto de ressocialização. Assim, quando eles deixam os sistemas prisionais, conseguem se reintegrar com mais facilidade. O trabalho permite um reinício com mais segurança”, acentua o Pastor Clodoaldo Rocha, responsável pela UNP. Atualmente, a Universal mantém mais de 400 espaços de ressocialização espalhados pelos presídios brasileiros.

A UNP atua em todo cenário relacionado ao encarceramento por meio de projetos com os agentes, egressos, familiares dos encarcerados, ações sociais no cárcere e projeto evangelístico e profissionalizante para o encarcerado. Tudo é feito em conformidade com a Lei de Execução Penal (LEP). “Cada projeto dentro da UNP é relevante e ligado um ao outro. Por exemplo: o serviço realizado com a família (UNP Além das Grades) presta assistência espiritual e material a mais de 300 mil famílias e leva a consciência de que a família é a base. Todo investimento feito pela Universal é pela ressocialização e se torna muito mais válido quando a pessoa privada de liberdade se livra dos problemas e se torna filha de Deus, pois aí todo cenário muda: é menos um a cometer crimes e mais um para vir a ser um bom pai, marido, filho, etc.”, arremata o Pastor.

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Autor

Flavia Francellino / Fotos: Getty Images, Cedidas e Maria Silva