A exaustão da vida moderna

A sobrecarga de tarefas no trabalho, em casa e na vida pessoal tem levado muitos a adoecer. Saiba como reconhecer os sinais e proteger a saúde física e mental

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Lavar, deixar secar, passar e repetir o processo são etapas da lavagem de roupas, mas também mostra o quão massante é a rotina doméstica. As tarefas se acumulam, se repetem ciclicamente e, na maioria das vezes, não têm fim. Somadas ao trabalho fora de casa, aos cuidados com o lar e à atenção dedicada ao cônjuge, aos filhos e a outros familiares, essas responsabilidades têm levado muitas pessoas ao esgotamento físico e emocional.

No mundo corporativo, esse desgaste já é conhecido como síndrome de burnout, condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Quando ocorre nas residências, ele é chamado de burnout doméstico ou parental, uma expressão popular usada para descrever o cansaço profundo provocado pela rotina intensa e, muitas vezes, invisível dos afazeres domésticos e do cuidado com a família.

Necessidade de pensar em tudo

Todos podem sentir o peso da rotina, mas, na maioria das vezes, o impacto recai com mais força sobre as mulheres, que costumam abraçar de forma instintiva a responsabilidade de lembrar do que ficou pendente, planejar o que precisa ser feito e antecipar as próximas demandas. Não é à toa que nove em cada dez mães apresentam algum sinal de esgotamento, segundo uma pesquisa da Kiddle Pass em parceria com a B2Mamy.

A psicóloga Rachel Sette, professora do UniArnaldo Centro Universitário, de Belo Horizonte (MG), explica o que ele significa: “Diferentemente do cansaço comum, que passa com descanso, o esgotamento provoca fadiga constante, irritabilidade, sensação de mente sobrecarregada e dificuldade para dormir ou regular o apetite. Com o passar do tempo, também podem ocorrer perda do prazer por atividades antes agradáveis e a sensação de estar vivendo no piloto automático”.

Tirando o pé do acelerador

Um dos principais erros de quem está sobrecarregado é tentar resolver tudo em um único dia. Diante do elevado volume de tarefas, nem sempre é possível concluir tudo que precisa ser feito, o que gera frustração e a sensação constante de falha. Por isso, adotar estratégias para organizar a rotina é essencial, entre elas, definir prioridades. Para isso, pergunte a si mesmo: “O que realmente precisa ser feito hoje?”

Nesse processo, será necessário aprender a dizer “não”. “Existe uma construção social de que ser uma boa cuidadora significa ser onipresente e nunca deixar de atender aos pedidos. No entanto essa postura é insustentável a longo prazo. Dizer ‘não’ é importante porque combate a sobrecarga, incentiva o compartilhamento das responsabilidades e preserva a identidade, ao estabelecer limites”, diz Rachel.

Benefícios da organização

A personal organizer Cris Sato também aborda a importância da organização: “Quando cada coisa tem seu lugar, a mente fica mais tranquila e isso diminui a sensação de sobrecarga e a necessidade de tomar decisões o tempo todo. Além disso, ambientes organizados facilitam a rotina, promovem economia de tempo e sensação de bem-estar”.

Outra boa prática é adotar ações simples para reduzir os desgastes diários, como separar a roupa que usará no dia seguinte na noite anterior, deixar mochilas prontas e manter objetos de uso frequente, como óculos e chaves, em um único local. Tudo isso facilita na hora da saída de casa e evita o corre-corre. Essas estratégias podem e devem ser adaptadas à realidade de cada um.

Cris lembra que igualmente importante é aprender a pedir ajuda e incluir os outros membros da casa nas atividades domésticas. “Recorrer ao apoio deles é uma atitude saudável. Pedir ajuda não é sinal de incapacidade, mas de consciência dos próprios limites e das prioridades. Quando delegamos tarefas, liberamos tempo para o que realmente importa e prevenimos sobrecarga e esgotamento”.

Como se organizar melhor no dia a dia

Olhe para a sua rotina: identifique o que tem causado sobrecarga e avalie o que realmente precisa ser mantido.

Simplifique antes de organizar: a organização começa com escolhas. Respeite seu momento de vida e o seu ritmo. Não faça comparações ou cobranças excessivas.

Comece aos poucos: evite tentar mudar tudo de uma vez. Pequenos ajustes tornam o processo possível e sustentável.

Faça escolhas realistas: organização não é perfeição, mas funcionalidade. O objetivo é facilitar a rotina, em vez de criar mais pressão.

Crie hábitos que tragam leveza: priorize práticas simples que ajudem o dia a fluir melhor e reduzam a sensação de sobrecarga.

Fonte: Cris Sato, Personal Organizer.

Buscando a sabedoria de Deus

Liderar uma casa não é simples, especialmente quando a rotina inclui múltiplas responsabilidades, mas é possível encontrar equilíbrio. No livro de Eclesiastes, a Palavra de Deus chama a atenção para o valor do tempo: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3:1). Esse ensinamento nos ajuda a compreender que existem fases e elas devem ser vividas sem culpa nem cobrança excessiva.

Buscar em Deus sabedoria para lidar com as demandas do dia a dia, para definir prioridades e para compreender como o tempo pode ser mais bem aproveitado também faz toda a diferença. Ao levar essa luta para o campo espiritual, deixamos de depender da nossa própria força e passamos a confiar em Deus e, assim, encontramos equilíbrio e paz.

Pontos que merecem atenção

Fadiga crônica: a pessoa desperta já exausta, com a sensação de não ter energia suficiente para enfrentar as demandas do dia.

Irritabilidade e reatividade emocional: situações simples do cotidiano, como derramar algo de um copo ou um pedido corriqueiro de um familiar, desencadeiam reações desproporcionais, como explosões de raiva ou choro.

Carga mental intensa: a mente permanece em constante alerta, tentando antecipar todas as responsabilidades, desde o que será preparado para as refeições até consultas médicas, prazos escolares e a manutenção da casa.

Alterações no sono e no apetite: dificuldade para adormecer em razão da ansiedade ou mudanças no padrão alimentar, muitas vezes como forma de compensação emocional.

Anedonia: redução ou perda do prazer por atividades antes consideradas agradáveis, acompanhada da sensação de vazio ou de estar vivendo no piloto automático.

Fonte: Rachel Sette, professora de Psicologia do UniArnaldo Centro Universitário, de Belo Horizonte (MG).

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Colaborador

Cinthia Cardoso / Foto: PeopleImages/ getty images