32% dos adolescentes já pensaram em se machucar, aponta pesquisa

Especialistas alertam para os efeitos das pressões emocionais e destacam a importância de buscar ajuda

Imagem de capa - 32% dos adolescentes já pensaram em se machucar, aponta pesquisa

A pressão para se manter nos padrões, a negligência parental, o bullying e a baixa autoestima, entre outros fatores, podem influenciar diretamente o desenvolvimento de jovens e adolescentes, e ainda contribuem para o surgimento de doenças emocionais.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), divulgada em março pelo IBGE, 32% dos estudantes de 13 a 17 anos, de escolas públicas e privadas do País, já pensaram em “se machucar de propósito”. Entre as meninas, o índice é ainda mais alarmante: chega a 43,4%, contra 20,5% entre os meninos. 

A pesquisa mostrou ainda que: 

  • 25% das meninas adolescentes considera que a ‘vida não vale a pena ser vivida’; mais que o dobro dos meninos (12%); 
  •  19,4% dos estudantes da rede pública sentem que a vida não faz sentido, comparados a 13,9% dos alunos de redes privadas. 

Ao observar os dados por região: 

  • Amazonas e Amapá ambas com 23,9%, tem as porcentagens mais altas; 
  • O Norte (20,8%) apresentou a maior porcentagem do País para o indicador ‘vida não vale a pena ser vivida’,  
  • Enquanto as Regiões Sul e Sudeste com 17,6%, ambas;  
  • E o Rio Grande do Norte (15,3%) e do Rio Grande do Sul (15,1%) as mais baixas. 

Um problema global 

Esse cenário não se restringe apenas ao Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada sete adolescentes, entre 10 e 19 anos, sofre de algum transtorno mental — o que representa cerca de 15% da carga global de doenças nessa faixa etária. 

Nesse contexto, a depressão, a ansiedade e os problemas emocionais estão entre os mais frequentes. Além disso, o suicídio figura como a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos. 

Fase de mudanças e vulnerabilidades 

A adolescência, por si só, já é um período marcado por intensas transformações físicas, emocionais e sociais. O cérebro ainda está em desenvolvimento, a identidade está em formação e a necessidade de pertencimento a grupos se torna cada vez mais forte. Portanto, qualquer influência negativa pode ter impactos profundos. 

Um relato de superação 

A jovem Anna Karollyna vivenciou de perto essa realidade. Ela relata que, na infância, enfrentou um quadro de depressão, acompanhado de ansiedade, insônia e isolamento.

Nesse período, buscava refúgio nas redes sociais, onde teve contato com conteúdos prejudiciais que a ensinou a praticar automutilação.

Entretanto, a mudança começou quando, incentivada pela avó, decidiu buscar ajuda espiritual. Ao seguir as orientações recebidas, afirma que conseguiu lidar com os traumas, superar a depressão e reconstruir sua vida. 

Hoje, aos 21 anos, Ana Carolina diz estar bem, com a vida transformada. Além disso, dedica-se a ajudar outras pessoas que enfrentam dificuldades emocionais, utilizando sua própria experiência como forma de conscientização e incentivo à busca por ajuda. 

Assista ao relato completo:

A importância de falar sobre o tema 

Muitas pessoas convivem com sintomas que não compreendem, escondem ou tentam enfrentar sozinhas. No entanto, buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim de coragem e responsabilidade consigo mesma. 

Pensando nisso, o projeto Depressão Tem Cura é formado por pessoas que, por meio da fé e da superação pessoal, venceram a depressão. Atualmente, elas utilizam suas experiências para ajudar, de forma totalmente gratuita, milhares de pessoas a encontrarem o caminho da cura. 

Da mesma forma, iniciativas voltadas ao público jovem, como a Força Teen Universal (FTU) e a Força Jovem Universal (FJU), realizam trabalhos sociais ao longo de cada ano. Por meio de eventos, ações e projetos que promovem práticas esportivas, descoberta de talentos e, principalmente, acolhimento espiritual. 

imagem do author
Colaborador

Sabrina Rodrigues / Fotos: iStock e reprodução