Ano novo, vida nova?

Por Ana Carolina Cury/ Fotos: Marcelo Alves e Demetrio Koch

Um novo ano já começou. Muitos projetos foram traçados com o intuito de se realizarem em 2018. A esperança das pessoas é viver o diferente, alcançar metas e encontrar um caminho mais promissor neste ano que se inicia. Mas, para que as promessas não morram no papel, é preciso mais do que querer, é necessário tomar atitudes práticas, ainda que elas possam ser dolorosas.

Foi isso que a auxiliar administrativo Daniele Mota Alves, de 30 anos, (foto abaixo) percebeu a respeito de seu relacionamento. O ciúme, as mentiras, traições e brigas com agressões verbais que, posteriormente se tornaram físicas, faziam parte de seu cotidiano. Mais do que seu corpo e seu emocional, as dores marcaram sobretudo sua alma. “Acabou 2010, começou 2011 e eu achava que ele mudaria. Apenas esperava o tempo passar e ficava observando para ver se acontecia alguma transformação. Engano meu”, se lembra.


A passagem dos ponteiros do relógio não foi suficiente para que a vida dela melhorasse. Foi preciso que Daniele agisse para sair daquela situação. “Foi na virada do ano – de 2011 para 2012 – que decidi colocar um ponto final naquela relação. Mas eu nem poderia chamá-la assim, porque o respeito já tinha acabado há tempos. Não olhei para trás e segui em frente”, afirma.

No período em que ficou sozinha, não ficou parada esperando o tempo ajudá-la. “Busquei ajuda para vencer traumas e, quando estava curada das feridas daquele antigo namoro, conheci meu atual esposo. Estamos casados há dois anos e somos muito felizes”, alega.

Mas não pense que só porque ela venceu uma etapa parou de cuidar de si mesma. “A cada virada de ano busco refletir e colocar em prática tudo aquilo que desejo alcançar. Na minha vida amorosa, por exemplo, sigo, com meu esposo, participando da 'Terapia do Amor' todas as quintas-feiras. A luta para alcançar metas é diária. Se hoje tenho um casamento feliz é porque lutei por isso. Aprendi que para a vida mudar, é preciso primeiro mudar as atitudes”, completa.

Por que é difícil?

Há uma frase atribuída ao físico alemão Albert Einstein que diz que “insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”. Mas, infelizmente, parece comum prometer mudanças e não as cumprir. É o que afirma um estudo divulgado pela Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra. O líder da pesquisa, o psicólogo britânico Richard Wiseman, entrevistou 3 mil pessoas com o intuito de analisar quais delas cumpririam suas promessas para o ano novo, como parar de fumar, emagrecer, fazer mais exercícios, etc.

No início da pesquisa, 52% dos participantes afirmaram que estavam confiantes de que conseguiriam cumprir suas metas. No entanto, no final do estudo e depois de um ano de tentativas, apenas 12% conseguiram manter as promessas e alcançar os objetivos que haviam definido.

Para a médica psiquiatra Hebe de Moura há uma explicação para esse resultado. “Muitas pessoas não sabem como podem conseguir mudar ou não têm força suficiente para realizar a mudança. E, já que não sabem como direcionar sua energia para isso, dispersam suas forças com o que não vai dar resultados”, afirma.

Por isso é comum as pessoas fazerem as mesmas promessas no ano seguinte. “E talvez o maior vilão para que isso aconteça seja a falta de planejamento. As pessoas precisam aprender a planejar o seu dia, sua semana, seu mês e seu ano. Mesmo que algumas metas sejam a longo prazo, ela precisa estabelecer parâmetros para que esses objetivos sejam alcançados. Para quem não sabe aonde quer chegar, qualquer lugar serve e quem não sabe o que quer, aceita qualquer coisa”, acrescenta a psicóloga Alessandra de Souza Amorim.

Além disso, as especialistas observam que muitos esperam que a mudança venha de algum fator externo até que um fato específico faça a pessoa despertar e entender que só depende dela conquistar o que deseja.

Assim aconteceu com o empresário Adjailton Santana Jordão Azevedo, de 44 anos, (foto abaixo) depois de receber a notícia de que estava com câncer. Quando ele descobriu que a cura da doença dependia também de um novo posicionamento dele, parou de reclamar e partiu para a ação. Aquela virada de ano de 2015 para 2016 não marcou apenas uma nova data no calendário, mas também uma nova vida para ele.


Acreditar e agir

Antes de receber o diagnóstico da doença, Santana, como é chamado, vivia de hospital em hospital em busca de respostas. “Não aguentava mais aquela situação. Sentia muitas dores, tinha desmaios constantes e ninguém descobria o que era. Quase um ano depois, foi constatado o câncer na medula”, diz.

Ele se recorda que chegou a ficar mais de dois meses internado. “Emagreci quase 40 quilos e os médicos diziam que eu poderia morrer a qualquer momento. Achei que o tempo me curaria, mas uma revolta dentro de mim ganhou força e eu afirmei com todas as palavras que 2016 seria o ano da minha vitória”, afirma.

E foi. Santana continuou o tratamento médico, mas passou a ir à Universal determinado a alcançar a cura. “Participei do propósito de sacrifício, entreguei minha vida no Altar, passei a ir toda terça-feira na reunião de cura do Templo de Salomão. Acreditei, mudei o pensamento e não esmoreci”, relata.

Tinha dias que ele, por causa das sessões constantes de quimioterapia, se sentia muito fraco. No entanto, mesmo assim, se esforçava para não faltar às palestras. “Mesmo debilitado, eu não deixava de ir. Sabia que precisava agir se quisesse ter uma resposta, no meu caso, um milagre. Algumas complicações surgiram naquela época: tive derrame pleural (água nos pulmões), feridas pelo corpo, contrai uma bactéria, fui desenganado novamente, mas nunca, nunca, deixei de acreditar”, fala.

Ele não nega que o ano foi de luta, mas a vitória finalmente chegou. “Em janeiro de 2017 foi constatada a cura. Minha virada de ano testificou o meu milagre. Hoje eu viro o ano sempre na presença de Deus e coloco em prática tudo aquilo que me comprometo a fazer. Foi por isso, por honrar minha palavra, pelas minhas ações diferentes e pela prática da fé inteligente, que venci aquela doença”, finaliza.

Coragem para recomeçar

Dono de seu próprio negócio desde os 18 anos, o empresário Júlio Colozza Hoffmann, de 59 anos, (foto abaixo) viu todos os seus projetos desmoronarem e a falência bater à porta. “Na época, em 1996, estava com 38 anos, já era casado e tinha dois filhos. Para que pudesse mantê-los passei a usar todo o nosso capital e contrai uma enorme dívida bancária”, revela.


Sem renda, sem emprego e sem bens, Júlio entrou em desespero. “Além disso, não tínhamos condições nem de pagar o mercado e as contas básicas. Só não passamos fome porque uma vizinha que vendia marmita deixou acumular o pagamento”, relata.

A tristeza tomou conta de seu coração e, na virada daquele mesmo ano, o empresário finalmente entendeu que não poderia se manter acomodado àquela situação. “Ao fazer uma autoanálise percebi que precisava mudar totalmente minhas atitudes, principalmente no que se referia ao comodismo espiritual. Entrei o novo ano decidido a tirar minha família da miséria”, afirma.

Focado em transformar aquela situação, ele buscou se reerguer de todas as formas. “Fui convidado a ir a uma palestra da Universal e aceitei. Lá encontrei uma fé desafiadora, avessa ao comodismo. Depois, vi uma oportunidade de colocar em prática aquela fé, voltei a trabalhar, mas como funcionário em uma empresa de engenharia. Recomecei do zero”, observa.

Com um salário inicial muito baixo, Júlio sabia que aquele era apenas o primeiro degrau para reconquistar o sucesso. “Passei a observar que aquela empresa e seus clientes tinham necessidades de equipamentos e instrumentos de medição que eram raros, específicos e difíceis de serem encontrados no Brasil e tive a ideia de buscar fabricantes e fornecedores para vender esses materiais. Comecei a oferecer os equipamentos e instrumentos para vários engenheiros e empresas”, diz.

Aos poucos, ele foi fechando negócios e, tempos depois, oficializou a nova empresa. “Hoje, eu e minha esposa, Lucélia, restabelecemos nossa vida. Mas, para chegarmos até aqui, vivemos um processo de privações, esforços, sacrifícios e dificuldades. Minha situação de perda e calamidade me obrigou a sair da zona de conforto. Observo que muitas pessoas querem coisas diferentes e melhores a cada ano, porém isso só é possível se elas estiverem dispostas a deixar a zona de conforto e seguir com fé e coragem”, finaliza.

Faça diferente

É impossível que coisas novas aconteçam se a pessoa continuar a ter as mesmas atitudes velhas e ultrapassadas. Então, o que você deseja conquistar neste ano de 2018? O que é preciso para transformar sua vida? A partir dessa reflexão, a psiquiatra Hebe de Moura sugere que a pessoa foque no objetivo e crie um plano de mudanças.

“O que substitui um hábito antigo é um novo hábito e, para que ele seja implantado, devemos direcionar nossa energia e nosso foco para isso. Assim, quando passamos a focar em cuidar da nossa vida, fazendo planos e colocando-os em prática, um passo de cada vez, até conseguir criar um novo hábito, que ocupe o lugar do anterior, conseguimos reunir a força necessária para obter a mudança que queremos”, conclui.

O apresentador, escritor e palestrante Renato Cardoso deixa um conselho imprescindível àqueles que querem fazer de 2018 o ano da virada em suas vidas. “Aquelas pessoas que você vê bem-sucedidas, realizadas e vencedoras não têm necessariamente mais qualidades ou talentos do que você. Mas todas elas têm algo em comum: ousaram acreditar. Não ficaram nas sombras da hesitação. Foram em frente, se lançaram, erraram, aprenderam, tentaram de novo – e não desistiram. A despeito do medo, vença pelas atitudes. Vença a incapacidade pelo aprendizado que vem dos fracassos. Vença o impossível pela perseverança”, orienta.

Você já tem tudo o que precisa para tirar do papel seus sonhos e metas ainda não realizados. Basta acreditar e agir.

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