O que fazer com o seu lixo eletrônico?

Por que é importante descartar corretamente equipamentos que estão quebrados ou que não têm mais utilidade


Por Maiara Máximo / Fotos: Fotolia / Arte: Edi Edson

Com o avanço da tecnologia e com o consumo desenfreado de produtos, uma quantidade maior de lixo eletrônico é gerada. As pessoas trocam de celular o tempo todo, seja por um modelo mais moderno, seja porque ele não atende mais suas expectativas. Dessa forma, vão acumulando aparelhos em casa. E, muitas vezes, por falta de conhecimento ou de conscientização, não sabem o que fazer com esse tipo de lixo, que é altamente poluente.

Segundo um estudo da Global e-Waste Monitor, realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o líder na América Latina na produção de lixo eletrônico. O País produz anualmente 1,5 tonelada e apenas 3% desse total é coletado ou descartado de maneira adequada para ser reciclado.

Existe uma lei que tramita a passos lentos, mas que pode mudar a maneira de pensar e descartar o lixo eletrônico. É a Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/2010, que determina que na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos deve ser observada a seguinte ordem de prioridades: não geração,  redução,  reutilização,  reciclagem,  tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.

O educador ambiental Walter Akio Goya, do Instituto Gea Ética e Meio Ambiente, explica que essa lei ainda não tem regularização especifica nos Estados e que existe uma discussão entre fabricantes, municípios e consumidores. “Ainda se discute quem vai ser responsável pelos custos da retirada de produtos na casa do consumidor, tendo em vista que hoje é preciso buscar postos de coleta para se fazer o descarte.”

Que produtos são esses?
A categoria lixo eletrônico inclui produtos da linha branca, como refrigeradores, máquinas de lavar e
micro-ondas, além de aparelhos eletrônicos, como televisores, computadores, telefones celulares, tablets, drones, pilhas, baterias, cartuchos, toners, lâmpadas fluorescentes, câmeras fotográficas e impressoras. Para simplificar, Goya diz que qualquer aparelho que precise de eletricidade para funcionar, seja com pilha, seja com bateria, é considerado lixo eletrônico quando não tem mais utilidade.

Riscos
Quando a vida útil desses produtos chega ao fim, eles podem representar sérios riscos à saúde e ao meio ambiente se não forem descartados adequadamente. Goya afirma que componentes como mercúrio, chumbo, fósforo e cádmio são apenas alguns dos resíduos tóxicos encontrados neles e que o metal pesado contido nesses equipamentos causa uma série de problemas. “Uma vez que o chumbo, que você encontra nas TVs antigas, entra em contato com o corpo, ele se aloja principalmente nos ossos, podendo cair na corrente sanguínea e causar fraqueza, aumento da pressão arterial e perda da coordenação motora”, diz o educador.

O que é obsolescência programada?

Quando uma empresa lança um produto no mercado, ele tem um prazo de vida útil. Ou seja, logo ele se tornará inutilizável ou obsoleto. Por isso, consumidores descartam produtos em pouco tempo e, rapidamente,
adquirem novos.

Dessa forma, a empresa lucra, mas o meio ambiente e a nossa saúde sofrem as consequências. Quanto mais produtos obsoletos, mas lixo eletrônico será acumulado.

O site da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) traz algumas dicas para ajudar a evitar a produção de mais lixo eletrônico:
* Evite trocar aparelhos eletrônicos que ainda estejam em condições de uso.
* Se depois de uma breve avaliação, a decisão for pela compra de um novo, pesquise em sites de reclamações para verificar se ele apresenta problemas recorrentes.

Veja se o modelo tem garantia e qual é o tempo dela. Informe-se ainda sobre a facilidade de reposição de peças e se o fabricante possui uma política de coleta de equipamentos ao fim de sua vida útil.

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