Dá para se reconciliar com amigos e familiares depois das eleições?

Neste ano muitas pessoas trocaram ofensas por causa de política. Saiba como retomar as relações importantes para a sua vida


Por Rê Campbell / Fotos: Fotolia e Divulgação

O estudante de relações internacionais Rafael Di Moreira, de 23 anos, conta que acompanha a vida política desde os 16 anos. Neste ano, ele confessa que se surpreendeu com o tom dos debates políticos que tomaram conta das ruas, das rodas de amigos e até das reuniões familiares. “Muitas pessoas se comportaram como torcedores de times de futebol. O clima ficou tenso, acirrado. Alguns partiram para ofensas pessoais”, diz.

Rafael também sofreu os efeitos da divisão da sociedade. “Na faculdade, eu revelei meu voto e por causa disso algumas pessoas pediram para eu sair de um grupo. Já na família, uma tia disse que eu não precisava mais frequentar a casa dela”, lembra. A polarização também teve consequências nas redes sociais e alguns amigos dele desfizeram a conexão no ambiente digital.

Apesar dos conflitos durante as eleições, Rafael decidiu não guardar mágoas. Alguns dias depois do segundo turno, ele procurou amigos e familiares para conversar. O resultado foi positivo: o respeito e o diálogo prevaleceram. “Eu não queria perder laços de amizade e familiares por causa de política. Fui atrás das pessoas para conversar, pois, independemente de ideologias, nós temos que nos respeitar e conviver com as diferenças. Consegui voltar para o meu grupo da faculdade e o próximo almoço em família já está marcado”, comemora ele.

Por que tantos ataques?
A troca de xingamentos entre eleitores com opiniões diferentes foi um dos destaques destas eleições. Afinal, o que despertou tantas manifestações de ódio e intolerância? Segundo a psicóloga e arteterapeuta Anacélia Mateucci, a resposta pode estar em uma palavra: frustração. “Nos últimos anos, o Brasil vem passando momentos difíceis na política e na economia. A população foi ficando cada vez mais insatisfeita e o acúmulo de frustrações pode ter ajudado a estimular as brigas entre eleitores”, diz.

A especialista explica que os ataques entre familiares e amigos também têm relação com o preconceito. “Muitos ataques se basearam em preconceito e rótulos. O ser humano tem necessidade de rotular os outros, isso é mais fácil do que se aprofundar nos assuntos, buscar informações e compreender as diferenças.”

A psicóloga Patrícia Estrela (foto a dir.) lembra que as pessoas têm pontos de vista diferentes, o que pode levar a desentendimentos. Ela acredita que o medo também gerou muitas atitudes extremas. “O medo é capaz de mobilizar as pessoas para que tomem atitudes extremas. Os discursos dessas eleições foram baseados no medo, o que levou até quem não se interessava por política a se envolver nas discussões”, diz ela, que é mentora do projeto Teen Mentors.

Dá para retomar a amizade?
Depois de brigas entre familiares e amigos por causa de política, será que dá para fazer as pazes e retomar os laços? A resposta é sim. Anacélia diz que, em primeiro lugar, é preciso avaliar o relacionamento que foi atingido por causa da política. “Avalie o que é um amigo real e o que é um amigo virtual. Com quantos amigos você realmente conversa e convive? Quais são os laços verdadeiros, os que valem à pena serem cultivados? Para retomar um relacionamento, é preciso ter respeito aos valores e às opiniões do outro”, ensina.

Ela acrescenta que é importante refletir sobre o melhor momento para refazer amizades. “A pessoa deve avaliar como estão os sentimentos em relação à outra pessoa e se consegue conviver com as diferenças. Se ainda houver tensões, é melhor esperar um pouco”, finaliza.

Patrícia destaca a importância de retomar laços e fortalecer as relações pessoais. “Será que é válido desestruturar a família ou as amizades em virtude de política? O governador e o presidente não vão visitar você na sua casa ou no hospital se você tiver um problema. É importante valorizar as pessoas que participam da sua caminhada”, aconselha.

Mas, afinal, como virar a página depois de algumas brigas? Patrícia diz que a empatia é um bom caminho. “A empatia é a capacidade de ver um problema do ponto de vista do outro, pensando na vivência e nas necessidades daquela pessoa. Podemos encarar o diferente como uma oportunidade de enxergar as coisas de outro ângulo e aprender com isso”, encerra.

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