Profissionais da área da saúde e pacientes se revoltam contra a situação do SUS

Sindicato dos Médicos do Ceará divulgou uma paródia da música de final de ano de uma emissora de televisão para expor o caos na saúde brasileira



Por Por Andre Batista / Imagens: Reprocução Facebook e Defensoria Pública do Estado do Ceará 13/05/2015 disponível em Fotos Públicas

O ano é novo, mas os problemas na saúde pública brasileira são velhos. De acordo com um dos médicos de maior evidência do estado do Ceará, o doutor José Otho Leal Nogueira, médico há 54 anos, “os problemas sempre existiram, mas agora chegou a um ponto de intolerabilidade. É cruel você morrer porque é pobre. Isso é intolerável e eu vejo isso todo dia.”

Essa declaração ganhou destaque nas últimas semanas, após o Sindicato dos Médicos do Ceará divulgar uma paródia da música de final de ano de uma emissora de televisão. Na nova letra – que exclui a fantasia televisiva e se adapta à realidade brasileira – os profissionais da saúde entoam os versos:

“Hoje é mais um dia

Perdendo tempo

Constrangedor.

Falta anestesia

Pra cirurgia

E medicamento

Pra receber

E os pacientes estão largados

Em uma maca no corredor.

O horror continua

Pode ser na UPA

Hospital da Mulher

Posto ou HGF

O horror continua

Pode ser na UPA

Ou no São José

Ou no IJF”

Acompanhe abaixo o vídeo publicado pelos médicos cearenses:

Conforme declarou a presidente do sindicato responsável pela paródia, doutora Mayra Pinheiro, em entrevista exclusiva ao programa Fala Que Eu Te Escuto, da Record TV, “nos hospitais do Ceará hoje faltam desde os itens básicos, como seringas, luvas, máscaras, até medicamentos e leitos para que a gente possa prestar atendimento de qualidade aos nossos pacientes”.

Quem sofre com isso é a parcela de menor poder econômico do Brasil, que não pode pagar por planos de saúde ou hospitais particulares e veem seus impostos sendo recolhidos pelo Estado, mas não revertido à saúde pública.

De acordo com a doutora, nos últimos 15 anos 29% da verba destinada pela União à saúde foi desviada por corrupção. Isso equivaleria a 16 bilhões de reais, dinheiro suficiente para construir e equipar milhares de hospitais em todo o território nacional.

“Eu acredito que hoje a maior responsabilidade por esse caos que nós vivemos na saúde se dá pela corrupção e pela falta de recursos”, afirma Pinheiro, que também responsabiliza a má-gestão do setor no país, já que a maioria dos cargos gestores são ocupados por políticos e não por profissionais da área, o que muitas vezes faz do cargo moeda de troca para a compra de votos.

Quase todos sofrem

“A realidade lá dentro é bem chocante”, afirma a diarista Patrícia de Souza, se referindo a um dos maiores hospitais públicos paulistanos, o Hospital Geral Vila Nova Cachoeirinha, em reportagem da jornalista Daniela Parisi. “A realidade aqui dentro está bem crítica, está superlotado mesmo, o hospital não está tendo capacidade, a ponto de mandar para outro hospital porque não está tendo capacidade [de atender]”.

Essa é a experiência pela qual passam milhões de brasileiros. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 71% da população nacional utiliza os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Para o doutor José Otho Leal Nogueira, muitas dessas pessoas estão morrendo pela falta de honestidade dos governantes brasileiros.

“Não tem condição [de os médicos fazerem mais pelos doentes] porque não há interesse, não há, digamos, um empenho do Governo para resolver esse tipo de problema”, afirma o médico de 78 anos de idade, que trabalha em três hospitais públicos do Ceará. De acordo com ele, a situação só pode ser mudada “com senso de responsabilidade, com amor e dedicação. E com honestidade, porque você sabe que um dos maiores problemas que nós temos no Brasil é desonestidade, desamor”.

Se de um lado sofrem os enfermos e seus familiares, de outro sofrem também os profissionais da saúde, conforme conta a doutora Mayra Pinheiro: “Hoje, no Brasil inteiro, o número de suicídios entre profissionais médicos e profissionais da saúde, em geral, vem aumentando, porque esse drama nós levamos para nossas casas. Nós escolhemos salvar vidas e hoje nós vemos os nossos pacientes morrerem dentro dos hospitais, sem que nós possamos fazer quase nada para mudar nossa realidade.”

Apesar das denúncias de desonestidade feitas pelos doutores Mayra Pinheiro e José Otho Leal Nogueira, o Ministro da Saúde, o engenheiro e empresário Ricardo Barros, afirma que o principal problema no setor não é a corrupção, mas a má-gestão. De acordo com ele, o Governo Federal repassa pontualmente verbas bilionárias aos estados e municípios, além de tomar iniciativas para aperfeiçoar o atendimento, como a informatização do histórico médico dos pacientes cadastrados no SUS.

“Nós pagamos pontualmente em dia os nossos compromissos. Eu vi a Mayra falar em corrupção e em políticos, a Mayra está muito enganada”, afirmou o ministro ao Fala Que Eu Te Escuto. “Quem faz saúde são os profissionais de saúde e é a eles que nós devemos dar a melhor infraestrutura, as melhores condições de trabalho, insumos e medicamentos para que eles possam prestar o melhor serviço de saúde. E nós estamos fazendo toda essa informatização justamente para dar transparência e evitar a corrupção”.

O ministro promete melhora no atendimento ainda esse ano. Fica a cargo da população utilizar o SUS e descobrir se as mudanças estão chegando ou são mais promessas que não serão cumpridas.

Em 2018, o Brasil viverá as primeiras Eleição Gerais desde o impeachment de Dilma Rousseff. Será que a população está atenta a quem são os candidatos e como votarão? Afinal, a melhora no SUS depende diretamente de quem é eleito.

Acompanhe, no vídeo abaixo, a íntegra do programa Fala Que Eu Te Escuto que aborda o tema “saúde”. Depois, deixe nos comentários sua opinião sobre a saúde pública no Brasil.

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