Se conseguisse sobreviver, ela ficaria com várias sequelas
Izabel Bezerriel teve uma infecção cerebral que assustou até os profissionais de saúde
Izabel Bezerriel, de 49 anos, é podóloga e mora em Salvador (BA). Em 2015, ocorreu um surto de zika vírus e ela contraiu a doença. “Não fui ao médico, mas notei que estava com pintinhas vermelhas no rosto. Depois de me afastar uma semana do trabalho, eu melhorei, mas passei a ter outros sintomas que já não condiziam com os do zika vírus. Eu só queria ficar no quarto, fiquei debilitada, desorientada e não queria falar com ninguém. Minha casa estava em obras e, um dia, eu saí da cama e fiquei embaixo de um pedaço da casa que estava para cair. O rapaz que estava trabalhando lá avisou meu marido para me tirar dali urgentemente. Depois disso só piorei”, conta.

O esposo de Izabel, o vigilante Antônio da Ressurreição, de 42 anos, diz que ela não reconhecia ninguém: “ela não falava nada com nada e estava fora de si. Quando a levamos à emergência, foram necessários seis homens para segurá-la. Ela tinha uma força estranha e fora do comum. Os exames dela detectaram encefalite aguda viral”.
O que é a encefalite?
É uma inflamação que ocorre quando vírus ou bactérias atacam o cérebro, causando um processo inflamatório das meninges (membranas que recobrem o sistema nervoso central).
Há dois tipos principais: a encefalite primária, que ocorre quando um vírus ou outro agente infeccioso afeta diretamente o cérebro, e a encefalite secundária, que surge de duas a três semanas após a infecção inicial
Os sintomas são desmaio, confusão e agitação, convulsões, paralisia ou fraqueza muscular, perda de memória, rigidez do pescoço e das costas e extrema sensibilidade à luz. O tratamento consiste em manter a pressão arterial estável, boa oxigenação dos tecidos, manutenção de níveis adequados dos eletrólitos (sódio e potássio, por exemplo) para ajudar o corpo a combater a infecção e aliviar os sintomas. Repouso, alimentação e ingestão de líquidos são essenciais para curar a doença
Fonte: Ministério da Saúde.
O que é a zika?
A doença é causada pelo vírus zika (ZIKV), transmitido pela picada de mosquitos do gênero Aedes. Os principais sintomas são febre, lesões avermelhadas na pele, dor muscular, de cabeça e nas articulações, mal-estar geral e conjuntivite não purulenta. Esses sinais surgem entre dois e sete dias após a picada do mosquito. Diante dos primeiros sinais da doença, a recomendação é ir imediatamente ao serviço de saúde. O tratamento inclui repouso, ingestão de líquidos e administração de remédio para a febre.
Imunidade baixa
Izabel conta que a baixa imunidade a levou a contrair a doença. “Minha irmã começou a fazer os propósitos na Universal. Era um período de Fogueira Santa e ela colocou a minha vida no Altar. O pastor a chamou na Igreja e ela bebeu a água do tratamento por mim.
Quando me visitava no hospital, ela molhava um algodão com a água e passava na minha boca. Só depois disso comecei a me recuperar”, relata.
Ela ficou cinco dias em coma e, quando acordou, enxergava tudo embaçado. “Eu tinha que ficar amarrada na maca, pois todos achavam que eu poderia cair caso me descontrolasse. As enfermeiras tinham medo de mim. Uma delas falou para o meu marido orar, pois nunca tinha visto algo daquele jeito. Uma das médicas que me atendia avisou para que ele se preparasse, pois eu poderia ter várias sequelas, se sobrevivesse”.
O mal antes de tudo
Na opinião de Izabel todos esses problemas tiveram origem muito antes: “meus pais sempre foram da Universal e comecei a frequentar a Igreja muito cedo. Com 14 anos, tive o primeiro namorado. A relação acabou por causa de um trabalho de macumba de uma ‘amiga’ que gostava dele. Fui obreira, mas acabei me afastando da Igreja. Eu mentia para os meus pais para poder ir a festas, por pura sem-vergonhice. Já adulta, fiz tratamento para engravidar e uma colega disse que eu estava grávida de um E.T. Acabei perdendo a criança”.
Pouco tempo antes de contrair a encefalite aguda viral, Izabel tinha voltado para a Universal. “Eu e minha irmã fomos à reunião e lá eu manifestei com um espírito que disse que me mataria. O pastor conversou comigo para que eu jejuasse e buscasse a Deus. No dia seguinte, a caminho do trabalho, enquanto mexia no celular na rua, uma bala perdida passou raspando a minha cabeça. Deus já estava agindo na minha vida para me salvar”, declara.
Contrariando as previsões
Depois de quase 30 dias internada, Izabel foi totalmente curada, contrariando as previsões médicas que eram pessimistas. “Às vezes, um problema pequenininho se torna enorme porque não estamos na Presença de Deus. Quando nos afastamos de Deus, viramos um boneco na mão do diabo, mas eu digo a quem estiver passando por um problema de saúde que coloque sua vida no Altar. Faça um propósito com Deus e tenha certeza de que Ele não abandona ninguém. No meio de tudo isso, a palavra-chave é: obediência”, conclui.
Corrente dos 70
O Bispo Misael Silva, responsável pela Corrente dos 70 no Templo de Salomão, em São Paulo, afirma que muitas doenças têm fundo espiritual. “A medicina não reconhece, mas nós, da Universal, sabemos que as causas de muitas delas advêm de maldições. O poder de Deus é fundamental para enfrentá-las. Quando a Izabel percebeu que tinha que voltar para os braços de Deus, o mal quis derrubá-la. Isso só não aconteceu porque seus familiares lutaram por ela no Altar até que fosse curada e pudesse se entregar completamente a Deus.”
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