Votar: mais do que uma obrigação, é um direito

No Brasil, jovens que têm 16 e 17 anos podem escolher se participarão ou não das eleições, mas o peso dessa decisão impacta o futuro da nação

Em 2022, quase todos os brasileiros terão de cumprir um grande dever: comparecer às urnas eletrônicas para definir o presidente da República e o governador de cada Estado, além de senadores e deputados federais e estaduais. As eleições estão marcadas para o dia 2 de outubro e um eventual segundo turno acontecerá no dia 30 do mesmo mês.

Contudo, a “lição de casa” para o cidadão brasileiro já começou. Isso porque, para escolher os representantes em cada cargo, é preciso estar com o título de eleitor em dia. Vale ressaltar que, no Brasil, o voto é obrigatório para pessoas com idade entre 18 e 70 anos, mas alguns grupos têm participação facultativa (opcional) nesse processo, como os analfabetos, os maiores de 70 anos e os jovens de 16 e 17 anos.

Recorde histórico
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até janeiro, cerca de 730.693 adolescentes tinham emitido o título de eleitor para participar das eleições deste ano. O número corresponde a uma queda de 26% em comparação ao pleito de 2020, quando cerca de 992 mil jovens se tornaram aptos a votar.

Se a redução na quantidade de adolescentes interessados em participar das eleições impressiona, ela é ainda maior quando os dados atuais são comparados aos de eleições anteriores, como a de 2018, em que o presidente atual foi escolhido. Na época, 1,4 milhão de jovens se prepararam para ir às urnas, o que equivale a uma diminuição de 47% neste ano.

Já se comparado com os dados do TSE em 1992, a redução chega a 77%. Naquele período, o movimento pelo impeachment e pela condenação do então presidente Fernando Collor de Mello estava em curso e a participação dos jovens foi forte.

Razões para votar
O principal motivo para exercer o direito ao voto é que a política influencia simplesmente em tudo na vida de uma pessoa, direta ou indiretamente: o preço do transporte, a qualidade da educação, a segurança, a saúde e até proibições e liberações de inúmeras atividades fazem parte das responsabilidades dos representantes políticos. Por isso, mais do que uma obrigação, o voto deve ser visto como um direito que, quando bem usado, é mais eficaz do que reclamar das coisas que acontecem no País.

“Um jovem inteligente sabe que o voto é uma espécie de poder capaz de definir o futuro da sociedade em que ele vive e, por isso, deve ser valorizado”, destaca o Bispo Celso Júnior, responsável pela Força Jovem Universal (FJU) em todo o Brasil. “Muito mais do que comparecer no dia da eleição, os jovens precisam estar atentos, desde já, ao que acontece na política do País para que possam fazer as escolhas certas”, recomenda.

Cada voto é precioso na disputa eleitoral e, por isso, a escolha do candidato deve ser feita com consciência e responsabilidade.

“No período eleitoral é comum que surjam fake news ou até mesmo candidatos que ofereçam recompensas e benefícios em troca de votos, mas pense bem: uma pessoa que não é honesta nem no período eleitoral será honesta quando for eleito? A oportunidade de fazer algo para mudar a situação do Brasil será em outubro, nas urnas”, comenta o Bispo Celso.

Essas dicas valem tanto para quem é obrigado a votar quanto para quem não é. Afinal, a eleição de um candidato mal preparado afeta a todos.

Não deixe para depois
O prazo limite para emitir o título de eleitor ou para resolver possíveis pendências eleitorais, no caso de quem já tem o documento, é 4 de maio. Portanto, não deixe para a última hora. Procure o cartório eleitoral mais próximo ou acesse o portal do Tribunal Superior Eleitoral (tse.jus.br) para mais informações.

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Autor

Cinthia Cardoso / Foto: getty images