Em meio à guerra, tudo é deixado para trás
Por mais que pareça distante, o conflito armado entre Rússia e Ucrânia "mexe" com o futuro de todos nós. Ao ver pessoas abandonando tudo para se salvarem, uma reflexão nos revela o que de fato segue conosco
O bem-estar financeiro, familiar e em outras áreas é muito importante e deve ser um objetivo de cada pessoa. Pense em uma família com estabilidade no dia a dia. Em certos momentos, a segurança do lar e a presença dos entes queridos parece que bastam para que a vida se sustente. O dinheiro na conta bancária tem aparência de um terreno firme em que ela pode se apoiar. O conforto gera a sensação de que nada vai mudar. As boas notas dos filhos na escola apontam para um futuro bem estruturado. Eles, aliás, bem alimentados e saudáveis, fazem os pais pensarem que tudo sempre será assim. Carros reluzentes na garagem mostram aos vizinhos que a prosperidade mora ali e as postagens da família nas redes sociais alimentam a inveja de uns e outros.

Contudo, de um minuto para o outro, aquela mesma família está só com a roupa do corpo e uma mala com documentos e parcos pertences em uma estrada qualquer e enfrentando uma temperatura abaixo de zero. A casa, na qual investiu por um bom tempo, nem existe mais, pois foi reduzida a uma pilha de escombros, entre os quais diplomas, títulos e bens materiais viraram cinzas fumegantes.
Sim, estamos falando de pessoas que têm vivenciado a guerra da Rússia com a Ucrânia, que transformou em realidade tudo isso e muitos outros horrores. Muitas pessoas que fugiram da Ucrânia, antes seguras, nem sabiam para onde iriam com suas famílias. As estradas congestionadas por veículos e pedestres, como divulgado nos noticíarios, atestaram isso.
A vida chegou ao fim para milhares de ucranianos e para outros isso pode acontecer a qualquer momento. Aos milhões que fugiram da Ucrânia restou a incerteza sobre o futuro e quanto à possibilidade de um dia voltar à terra natal para ao menos resgatar seus pertences.
Obviamente, sobreviver é a prioridade neste momento para o povo ucraniano e vizinhos e, assim, na tentativa de salvar a vida, nada mais tinha valor para eles. Mas há algo que nos leva a uma reflexão importante em relação a esse triste fato, como você verá a seguir.
Impacto além das expectativas
Segundo informou a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) em 7 de março, mais de 2 milhões de ucranianos já tinham deixado seus lares desde que o presidente russo Vladimir Putin ordenou que suas tropas invadissem o país. Desse total, 1 milhão foram para a fronteiriça Polônia e o restante se espalhou pela Hungria, Eslováquia, Romênia, Moldávia e a própria Rússia.
A mesma agência estima que o número de exilados pode passar dos 4 milhões (cerca de um décimo da população ucraniana) nos próximos dias e afirma que o fluxo de refugiados é o pior que a Europa já viu desde a Segunda Guerra Mundial, quando cerca de 20 milhões de pessoas deixaram seus países. Quanto às mortes, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Cruz Vermelha Internacional ainda tentam confirmar o número de ambos os lados, mas deixam claro que já eram milhares em menos de 15 dias de conflito.

“As bombas viraram rotina”
Brasileiros que convivem com a guerra de perto contaram à Record TV a agonia que sentem por não conseguirem prover as necessidades diárias. Em um vídeo postado em redes sociais, o estudante Isaías Xavier, que mora na capital ucraniana, Kiev, caminhava apreensivo por ruas desertas entre grandes condomínios, quando o estouro de um míssel fez estremecer o smartphone com o qual ele gravava. Já em casa, em uma entrevista online para o Jornal da Record, ele contou que aquilo já fazia parte do dia a dia: “as bombas viraram rotina. Quando ouvimos o toque de recolher, ficamos em casa. Quando ele acaba, saímos para comprar suprimentos, quando tem, ou vamos a um posto aqui próximo para oferecer alguma ajuda”. Ao ser perguntado sobre o que ele esperava dos próximos dias, a resposta não foi animadora: “que a violência será pior a cada dia”.
Diante de um perigo real, fica evidente a necessidade de tentar salvar a própria vida e a dos entes queridos de qualquer forma. Jonatan Lima, jogador brasileiro de futebol, que até poucos dias atrás jogava em um time ucraniano, contou ao matutino Hoje em Dia, da mesma emissora, que fugiu para a Hungria após uma tentativa frustrada de ir para a Polônia. Ele chegou a andar com a namorada 30 quilômetros a pé. É inverno naquela área e no começo de março foram registradas noites com 20 graus negativos. “Quando cheguei à fronteira, havia cerca de quatro mil pessoas esperando para ver se passariam ou não. Imagine saber que tudo aquilo (os tiros e bombardeios) está acontecendo próximo a você que está tentando sair de uma situação que você nunca viveu.” Ele refletiu sobre o futuro: “meu sonho agora é viver, porque a gente não sabe e a vida passa muito rápido”.
Gabriel Costa, administrador de empresas brasileiro que morava na Ucrânia havia dois anos, gravou um vídeo depois de chegar à Romênia: “estou cansado, quero dormir vários dias e parar de pensar em correr”. Ao lado de uma amiga, ele enfrentou, além do medo constante, muitas filas, falta de combustível e até de comida.
“Tudo ou nada”
Lyarah Barberan, esposa do jogador de futebol Maycon Barberan, contou ao vivo ao programa Balanço Geral, ao chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, que deixou tudo para trás, pois nada era mais importante do que ver sua família salva: “o maior desespero foi quando eu vi os meus filhos já com fome e eu tentando manter a calma para que eles não se desesperassem. Foi um momento de tudo ou nada. Ao chegarmos no trem, notamos que nos esquecemos de tudo que havíamos arrumado (fraldas, leite, etc.), mas olhamos para os lados e pensamos ‘ufa, os meninos estão aqui’”.

A estrutura espiritual fez a diferença para o casal brasileiro naquele momento, segundo Lyarah: “Deus nos deu os filhos e temos a obrigação de protegê-los. Eu só pensava neles. Meu filho tem dois anos e já passou por uma pandemia e agora fugiu de uma guerra. Não é fácil. O tempo todo eu estava sobre os meus filhos, enquanto meu esposo tentava ver uma saída. Deus o tranquilizou muito naquela hora”.
Em alguns momentos em que conseguia sinal de internet, Lyarah falava com a família no Brasil para atualizá-la quanto ao progresso da fuga. Quando sua mãe perguntou se tinham levado algo para comer, ela disse que havia dado duas maçãs aos filhos, que foi o que conseguiu levar, e que, para não sucumbir à fome, comeu os bagaços e as sementes das frutas. O contrato de Maycon com o time ucraniano estava previsto para até 2025, mas agora o futuro dele é incerto.
Dois dias depois, jornais mostraram uma família ucraniana que não teve o mesmo desfecho feliz dos Barberan. Nas fotos, um homem jazia inconsciente em meio a suas mochilas, enquanto sua esposa e os dois filhos estavam mortos a seu lado por causa de um morteiro que explodiu sobre eles em plena rua.
Atenção aos sinais
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha publicou que o povo ucraniano está vivendo um “cenário apocalíptico”. Até talvez sem saber, a organização tem razão, à luz do que também observou o Bispo Renato Cardoso no programa Inteligência e Fé, na Rede Aleluia de rádio: “alguns especialistas dizem que este é o pior conflito armado entre países desde a Segunda Guerra Mundial e vale lembrar que ela começou quando um país europeu invadiu outro em 1939 (quando a Alemanha tomou a Polônia)”.

De fato, este é mais um sinal do Fim dos Tempos, como está descrito em Mateus 24.6-7: “E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares”.
Contudo muitas pessoas não veem esses fatos como o final da vida aqui na Terra: “os rumores acabaram. A guerra já está aí. Quais as consequências dela na Europa e no resto do mundo? E quantas pessoas vivem suas vidas como se fossem viver para sempre, como se nada de ruim fosse lhes acontecer? São exemplos as recentes tragédias, como a de Capitólio (MG), na qual em um minuto as famílias estavam em um lugar paradisíaco e, no seguinte, estavam esmagadas no fundo do lago sob uma rocha; e em Petrópolis (RJ), quando pessoas estavam em um ônibus pensando no cotidiano e, no minuto seguinte, estavam afogadas dentro de um veículo caído no rio”, observou o Bispo.
Ele fez um alerta quanto à fragilidade da vida: “tragédias têm ceifado as vidas de pessoas em todo o mundo desde o início da Humanidade e mesmo assim o ser humano parece não atentar para o fato de que sua vida é muito frágil, passageira, imprevisível”.
O Tempo está acabando
Paralelamente à guerra internacional, todos vivem uma guerra diária no mundo para sobreviver, mas mais do que essa há uma outra muito maior, que precisa ser enfrentada todos os dias incansavelmente. Essa não salva a própria pele, tampouco os investimentos considerados valiosos aqui na Terra. Trata-se da guerra pela Salvação da alma. O Bispo Renato enfatizou que quem define o vencedor dessa guerra é a própria pessoa: “você, que vive como se estivesse em uma fonte inesgotável de tempo […], não sabe exatamente o que o futuro lhe trará. Por isso, o Senhor Jesus profetizou que os que são da fé – prudentes, inteligentes, que reconhecem que a vida não é só aqui e que o corpo tem uma alma que vive depois dele – vivam como se cada momento fosse o último. Essa é uma ótima regra para que alguém viva de forma eficaz e correta”.
Portanto, se você age assim, orienta o Bispo, “não deixe para amanhã uma ligação que precisa fazer para alguém com quem tem que fazer as pazes […]. Não deixe para depois o consertar-se com Deus. Dobre os joelhos agora para essa conciliação, esse perdão, o arrependimento de todos os seus erros e acerte-se com Ele”. O Bispo salientou que nenhuma área na vida tem mais valor do que a espiritual: “muitas coisas em sua vida podem esperar, pois não farão a menor diferença, enquanto outras, se não forem feitas, farão toda a diferença, especialmente na Eternidade”.
Ocorre que muitas pessoas consideram que nada vai lhes acontecer e que uma guerra como essa está muito distante delas. Entretanto elas precisam ter outra visão, apontou o Bispo Renato: “estamos vivendo dias difíceis, tenebrosos. Temos visto que cada ano traz algo pior. O mundo nem saiu de uma pandemia e veio uma guerra. Você pode estar pensando ‘ah, isso aí é do outro lado do mundo. Eu nem sei direito onde fica a Ucrânia’, mas o seu bolso vai sentir, por causa da guerra lá”.
Esse impacto não ocorre só na vida terrena, mas também após a morte. Assim, “quem tiver que se consertar com Deus e com seus entes queridos, conserte-se; quem tiver que abandonar as coisas erradas, abandone-as; pois estamos vivendo dias maus, aqueles que a Palavra de Deus profetizou. […] Não dá mais para dizer ‘eu não sabia’”, encerrou o Bispo.
Espírito de guerra
Para prosseguirmos nessa guerra diária, devemos ter o Espírito da Guerra, que é o Espírito Santo. Ele é imprescindível para sustentar a todos. O Bispo Júlio Freitas explicou no programa Obreiros em Foco que o Espírito Santo traz a paz necessária em meio às guerras, mas quem O tem vive também em constante luta. A diferença é que com Ele a pessoa permanece firme. “Não pense que você vai receber o Espírito Santo e só terá paz. Isso é só no nosso íntimo, porque do lado de fora será guerra, porque o mundo já é do maligno. ”
Por essas e outras, ter o Espírito Santo deve ser o objetivo de cada um de nós. Qualquer ser humano, enquanto estiver neste mundo, viverá guerras internas, externas e até mesmo físicas, como a atual. No entanto os selados com o Espírito de Deus encontram a verdadeira paz e, no final, o refúgio no Reino dos Céus.
Pedra sobre pedra
Nas redes sociais, o Bispo Edir Macedo lembrou que o Senhor Jesus já tinha avisado que todo o investimento terreno seria passageiro: “em Mateus 24, Jesus saía do Templo e os discípulos aproximaram-se dEle mostrando-Lhe a estrutura do prédio, e Ele os alerta: ‘Não vedes, não ficará pedra sobre pedra’. Normalmente as pessoas dão mais atenção ao que os olhos veem do que ao que seu espírito ou sua inteligência lhes falam”.

O Bispo Macedo afirmou que tudo será destruído: “não ficará mesmo pedra sobre pedra, como está acontecendo neste momento na Ucrânia. Grandes prédios e monumentos construídos há séculos estão sendo derrubados. De que adiantarão aquelas belezas arquitetônicas? Eu sei que do Templo de Salomão, da Universal, um dia, também não ficará pedra sobre pedra, como de qualquer outra igreja ou coisa que construímos, por causa da Grande Tribulação, que será pior do que todas as já acontecidas na Terra, inclusive o Dilúvio”.
E, se tudo é passível de destruição, nada do que se obtém em vida é levado conosco após a morte, como a Bíblia atesta: “Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele” (1 Timóteo 6.7). Portanto, exceto em favor da sua saúde, “não se preocupe demasiadamente com sua vida física, pois ela se deteriorará. […] Se você cuida muito do seu corpo, verifique e faça a pergunta: a que tem dado mais atenção? Ao seu corpo ou à sua alma? Em qual você tem investido mais?”, indagou o Bispo Macedo.
Ele reforçou a necessidade de investir na Eternidade com Deus: “temos que investir no que é eterno (a alma) e não deixá-la viver no lago de fogo e enxofre por toda a Eternidade, mas viver para sempre com o Eterno Pai. Isso depende de cada um de nós, seja na Ucrânia, seja aqui ou em qualquer lugar”.
English
Espanhol
Italiano
Haiti
Francês
Russo