O "mal" que a Universal faz

Diferentemente do que muitos pensam ou dizem, a Igreja é uma aliada da sociedade e do poder público. Ao acolher os aflitos, ela oferece a eles a chance de terem uma nova vida

No baú que guarda o que se fala da Igreja Universal se encontra de tudo: suspeitas recheadas de calúnias, chacotas gratuitas e ódio desmedido, por vezes respaldado por matérias cujo preconceito se esconde por trás de um jornalismo travestido de verdade, mas qual é essa verdade? Aquela manipulada para o que lhe convém? Afinal, haveria uma espécie de farsa teatral capaz de se manter em cartaz por tanto tempo atraindo aflitos do Brasil e de dezenas de países? Será que a Universal realmente prejudicaria quem chega a ela? Afiada, a língua de muitos se retorce ao som desse enredo repetido à exaustão e que é reforçado a cada manchete com o título “a verdade sobre a Igreja Universal” espalhada equivocadamente por aí.

Bem, a grande maioria das pessoas que chega à Universal enxerga nela a última porta e, por vezes, a única que se abre depois de tantos “nãos”. São pessoas desesperançadas, sufocadas pela miséria e amordaçadas por diversos traumas. Para elas, a Universal, que está prestes a completar 45 anos, se encontra aberta 24 horas por dia, de domingo a domingo, e, com a ajuda de um batalhão de pessoas que, incansáveis, mantêm a mão estendida.

Assim, o “mal” atribuído à Universal se resume ao desejo de arrancar vidas do desespero e da mesmice e transformar pessoas que estavam à margem da sociedade – ora esquecidas, ora condenadas, ora reféns do próprio passado e do presente – em outras plenamente reintegradas, geradoras de riquezas e pagadoras de impostos. Há quem não tenha medido esforços para procurar ajuda em vários lugares, mas só encontrou a mudança definitiva na Universal, que lhe apresentou essa chance por meio do uso de uma Fé arrojada pautada na Palavra de Deus. Aos que duvidam: vem e vê (João 1.46).

A MENTIRA, ENFIM, DESLAVADA
É nas páginas do livro Nada a Perder 1, parte da trilogia que narra a história da Igreja Universal, que o Bispo Edir Macedo afirma: “existem milhões de pessoas no Brasil e no mundo que podem comprovar a verdade desta Fé que produz milagres. Eles existem, sim, e são reais na vida do povo da Igreja Universal. E é por isso, aliás, somado à experiência de ter um encontro com Deus, que a maioria permanece nesta crença, porque experimentou algo além do comum, quando ninguém lhe dava a menor importância ou atenção. Nem o governo, nem as autoridades e, muitas vezes, nem a própria família”.

No livro, o Bispo compartilha algo que, no mínimo, leva à reflexão: “… quantos milhões, talvez bilhões de reais, o trabalho de libertação e cura da Igreja Universal já não fez, e faz, os governos pouparem somente no Brasil? São adultos e crianças que estariam entupindo os hospitais públicos em busca de tratamento (…). Essa mesma economia beneficia os governos com o trabalho de recuperação de criminosos de norte a sul do nosso país. (…) quantos brasileiros estariam presos, custeados com dinheiro público, ou cometendo sequestros, roubos, assassinatos e outras barbaridades, se não fosse a intensa obra de ressocialização da Igreja Universal. Você já pensou nisto?”

O que move a Universal é a vontade insaciável de levar a Palavra que cura, liberta, transforma e, sobretudo, salva. “Quem é salvo, quer salvar. (…) Isso é o que conduz a minha Fé e é o real espírito da Igreja Universal desde o seu surgimento, desde as primeiras letras pregadas na parede do Altar e na fachada dos primeiros templos com a inscrição ‘Jesus Cristo é o Senhor’”, expõe o Bispo.

SE MUDA DENTRO, MUDA TUDO
Se a propagação da Palavra de Deus é o norte da Igreja, os que desfrutam dEla encontram bem-estar em todas as áreas.

Ex-presidiários, ex-garotas de programa, ex-viciados, ex-traficantes, ex-depressivos e tantos outros já viraram a página quando foram apresentados à Fé transformadora.

Para Loivo Machado, diretor do complexo penitenciário de Canoas, no Rio Grande do Sul, o trabalho da Universal anda de mãos dadas com a ressocialização de muitos que estão ali. “É um trabalho muito interessante e que surge como um complemento das nossas atividades, algo que traz alguma perspectiva a eles. Tudo o que venha a contribuir para recuperar o detento é de extrema importância”, afirma.

Já a psicóloga Simone Mendes, que atua em saúde pública em São Paulo, observa que o papel da Igreja como propagadora de esperança e de transformação de vida é indiscutível. Segundo ela, “a convicção de Fé e sua prática geram saúde mental e psicológica com efeitos benéficos na recuperação de doenças físicas e emocionais. Assim, é inegável a contribuição do conhecimento da Fé para o desenvolvimento humano, pois trata-se de um elemento norteador de harmonia, paz, progresso pessoal e coletivo, uma vez que fomenta questões da dignidade, cidadania, solidariedade, fraternidade e moralidade”, resume.

NA BOCA DE FUMO DESDE OS 12 ANOS
Diego Santos de Lima, (foto abaixo) de 38 anos, conviveu com a miséria e com as drogas desde a infância. “Logo na adolescência, fui seduzido pelo crime, tive a primeira boca de fumo aos 12 anos e uma overdose aos 14 anos”, relata. Ele revela que as motivações para o consumo, sobretudo de cocaína e maconha, eram a depressão e o pensamento de que, dessa forma, teria status e dinheiro.

Depois da overdose, Diego desenvolveu síndrome do pânico. “Eu sempre achava que estava sendo perseguido e que iria morrer. No meio desse desespero, antes de dormir, pedi a Deus que me levasse a um lugar que eu pudesse mudar a minha vida. No dia seguinte, uma quarta-feira, saí de casa e, quando me dei conta, estava na frente de uma Igreja Universal em São Vicente (litoral paulista).”

No entanto Diego não permaneceu na Igreja e se afastou da Presença de Deus. “Fiquei cinco anos como membro, fui obreiro e até Iburd (quando os obreiros são preparados para ser pastores). Depois, longe da Fé, senti um vazio profundo e muita mágoa, desespero e desmotivação para viver. Comecei, então, a fazer coisas erradas e, a partir daí, foi só sofrimento”, diz.

Logo reapareceu o vício em drogas e em bebidas alcoólicas e surgiu ainda o da prostituição. De volta ao crime, Diego passou a roubar, a se desenvolver no tráfico e foi preso. Foram 11 anos com passagens em 12 penitenciárias diferentes, inclusive uma de segurança máxima. “Lá dentro as pessoas ficavam loucas e buscavam o suicídio. Quem entra não sai melhor. O sistema é opressor.

Muitas vezes, a comida chegava com caco de vidro e ‘chumbinho’ e eu tinha que lavar cada grão de arroz para poder comer. Para mim, não existia chance de eu ter uma nova vida do lado de fora. Na verdade, eu achava que nem sairia vivo de lá. Por dentro, eu era um monstro, frio, calculista, impiedoso e um soldado do crime. Nem sequer passava pela minha cabeça que eu poderia sair daquela vida”, descreve.

NOVA CHANCE
Diego esteve entre a vida e a morte, mas não por causa do crime. Já em liberdade, há um ano e meio, ele contraiu Covid-19 e só respirava com a ajuda de aparelhos. “Ali, falei com Deus que, se Ele me desse mais uma chance, O serviria para o resto da minha vida.” Foi assim que ele retornou à Fé.

“Decidi voltar para a Universal porque foi onde encontrei a verdadeira paz e o Verdadeiro Deus. Para mim, a Universal representa vida. Eu a considero uma mãe espiritual que me apresentou ao Deus-Vivo.”

Muitos dizem por aí que não há muita escolha para quem está no mundo do crime e que o fim dele é a cadeia ou a morte. A Fé, porém, apresenta outra opção conhecida por “muitos Diegos” – criminosos que, um dia, se agarraram à Palavra de Deus e descobriram a chance para mudar de vida. Diego constatou que isso é verdade: “hoje tenho paz, sou comerciante, bem casado com Thais Ferreira dos Santos, de 26 anos, pai de Nicolly, de 5 anos, e realizado em todas as áreas. Volto às penitenciárias, mas por outro motivo: para falar do Senhor Jesus e da Salvação. Ajudo espiritualmente muitos detentos por meio do trabalho do projeto Universal nos Presídios”, pontua.

A MÃE A CHAMAVA DE PROSTITUTA
A vendedora Amanda dos Santos Sales, (foto abaixo) de 28 anos, teve uma infância conturbada por causa da distância entre ela e sua mãe e da ausência do pai. Ela explica como foi aquela fase: “eu vim morar em São Paulo com minha mãe e fui deixada em casas de babás. Sofri abuso sexual em cada casa que passei. Na época, eu estava com 5, 6 anos e, aos 9 anos, contei para minha mãe o que tinha acontecido, mas ela falava que a culpa era minha e que eu tinha nascido para ser prostituta. Tenho as marcas das surras que ela me dava até hoje”.

Ela conta que não demorou para que surgissem os primeiros sinais de revolta: “fugi de casa, me envolvi com más amizades, desejava morrer e, para isso, bebia produtos de limpeza. Aos 15 anos, me envolvi em um relacionamento e ali começaram as brigas com agressões verbais e físicas. Tive dois filhos e descobri várias traições do meu marido. A raiva e os pensamentos de morte foram crescendo em mim”. Ela cita alguns e o que sentia em seguida: “certa vez, pendurei uma corda para tentar me matar, mas ela arrebentou e chorei por me sentir inútil até para morrer. Eu ameaçava queimar a casa com meu filho dentro dela e matar todos ao meu redor, mas na verdade eu só queria fugir daquele vazio que eu carregava. Todos achavam que eu era louca porque eu não contava para ninguém a razão de tanta amargura”.

Depois de oito anos do relacionamento malsucedido, surgiu o convite para a prostituição. “Na adolescência, eu tinha lido um livro em que a protagonista era prostituta e aquela lembrança voltou à minha mente. Vi na prostituição uma forma de causar destruição nos relacionamentos e de vingança, por causa das traições que vivi quando era casada. Comecei a atender os clientes, me envolvi com pessoas influentes da prostituição e frequentei boates famosas.” Amanda lembra das consequências dessa decisão: “recebi um convite para gravar um vídeo para um cliente fumando cigarro e também um valor de quase R$ 2 mil para usar cocaína com ele. Do consumo do cigarro fui para o de maconha, depois para o de haxixe, para o de bala (ecstasy) e, dela, para a ‘escama’, que é a cocaína pura.”

Amanda se envolveu até com o mundo obscuro da prostituição conhecido como BDSM (bondagem, dominação, submissão e masoquismo). “Procurei, ao seguir esse caminho, escapar da dor da alma.

Porém, eu me sentia muito suja e tinha nojo de mim mesma. Também me envolvi com uma facção criminosa e não entendia, depois de cada atendimento, o vazio e a dor que cresciam cada vez mais.”

Ela revela que não imaginava como alcançaria a paz. “Eu vivia causando inimizades, desafiando limites e procurando a morte. Aliás, a Amanda era a própria morte. Quando eu pensava em me livrar de todo o inferno, achava que só a morte seria a solução. Procurei ajuda em outras igrejas, mas me falavam que Deus não iria me ajudar por causa da minha escolha.”

 

TRÊS DIAS
Certa noite, uma briga a fez estremecer. “Fui para casa chorando e olhei para o céu. Lembro que eu estava fumando cigarro e falei com Deus que não tinha ‘fichas’ com Ele, que Ele não tolerava o pecado e que eu era muito pecadora, mas pedi que Ele colocasse uma pessoa para me tirar daquela vida. No dia seguinte, voltei para a avenida e fiquei até de noite. Quatro voluntários do EVG Night vieram ao meu encontro e se apresentaram como membros da Universal. Educados, eles não me julgaram pela aparência e me olharam de forma diferente, sem críticas. Isso chamou minha atenção.

A princípio, fui muito rude, até que eles falaram que Deus tinha um plano para mim. Depois de ouvir cada palavra, senti esperança e peguei um folheto com eles como se ele fosse a minha última oportunidade.”

Amanda lembra o que ocorreu quando foi ao Templo de Salomão, em São Paulo. “Todo peso saiu e eu sorri de alegria. Eu estava decidida a mudar de vida e pedi em oração um lugar seguro para morar, um emprego e roupas decentes. Para minha surpresa, em três dias tudo aconteceu como eu tinha pedido. Me batizei nas águas e procurei me libertar dos traumas, do ódio, da mágoa, perdoar aqueles que me fizeram mal e buscar diariamente o Espírito Santo.” Hoje transformada, ela afirma: “o maior mal que a Universal me fez foi me fazer enxergar quem eu era (uma fera ferida, cheia de traumas e rejeitada) e que eu podia ter uma história de vida transformada”.

VINTE ANOS DEPRESSIVA
A estilista Victória Escudeiro, (foto abaixo) de 41 anos, conta que por 20 anos foi diagnosticada com síndrome de pânico, depressão, transtornos do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e de ansiedade generalizada. “Eu era bastante ansiosa e inquieta até que, um dia, senti sintomas de infarto, mas quando cheguei ao pronto-socorro não era nada. Fiquei uma semana indo ao hospital com crises e sintomas, mas os exames cardíacos sempre estavam excelentes. Em uma das idas ao médico, fiquei extremamente agressiva e, então, fui encaminhada a um hospital psiquiátrico.”

Ela relata como era o seu sofrimento: “os tratamentos, no começo, foram com remédios controlados e terapia. Os médicos diziam que se tratava de um distúrbio químico neurológico, que eu passaria a vida tomando medicamentos para controle, mas que não havia melhora, uma vez que as crises viriam sem aviso e em qualquer lugar. Então, eu tinha medo de sair sozinha e até de dormir”.

Victória diz que quando tinha alguma crise pensava que poderia até matar alguém. “Eu tinha certeza de que teria um surto psicótico e mataria alguém. Então, eu passava o dia inteiro sentada com as mãos presas à cadeira, me segurando, como uma espécie de autocontrole. Enquanto conversava com uma pessoa, comecei a visualizar o sangue escorrendo de sua cabeça, como se fosse uma prévia do que eu faria se perdesse o controle. Por isso, eu não pegava nada que pudesse servir de arma, como facas, garfos, tesouras, e passava os dias com confusão mental e chorando”, destaca.

Em momentos assim, Victória era levada para o pronto-socorro psiquiátrico. Ela narra as situações que viveu: “passei por duas internações longas, que aconteceram depois que passei a usar bebida alcoólica e a me mutilar. Por vezes, meu irmão precisou chamar a polícia e, em outras, eu saía de casa e não voltava por dias ou então era encontrada desacordada ou com os braços retalhados. Inúmeras vezes tive fraturas e até traumatismo craniano. Quando eu não tinha dinheiro, eu furtava um mercado ou roubava minha mãe e meu irmão. Houve um tempo em que eu acreditava que o jeito era viver anestesiada e dormindo e, assim, perdi empregos e relacionamentos. A Victória era um zumbi sem perspectiva de vida e sem esperança nenhuma”, menciona.

VIRADA DE PÁGINA
A mãe de Victória conheceu a Universal ao acompanhar um programa na Rede Aleluia de rádio, mas foi uma visita do projeto Depressão tem Cura que trouxe socorro a ela. “Passei a ir às reuniões na Igreja como se fosse a última porta, porque minha vida caminhava para a morte. Na primeira reunião, um peso saiu de mim e vi uma luz no fim do túnel. Em três meses, eu estava completamente curada, transformada e as pessoas notavam que eu tinha outro semblante. Hoje não tenho mais nada da antiga Victória e tenho amor pela Presença de Deus: Ele é meu Pai amado e não consigo ter uma atitude que O entristeça. Eu tenho prazer de viver para ajudar as pessoas que passam pelo que eu passei.” Ela encerra com a seguinte declaração: “o maior mal que a Universal fez foi me roubar: roubar a minha ansiedade, o meu pânico, a minha alma suja, a minha insônia, as minhas crises psicóticas e os meus medos e me mostrar o grande mover sobrenatural do Espírito de Deus. A igreja me apresentou o Senhor Jesus que cura, liberta, santifica, nos dá nova vida e um novo Espírito”.

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Autor

Flavia Francellino / Fotos: getty images