“Nada preenchia a tristeza em meu ser, foi quando veio a depressão”

Juliana Albuquerque de Oliveira tentou camuflar a dor que sentia com baladas, drogas e prostituição, mas só encontrou paz quando buscou a fé

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No Rio de Janeiro vive a professora Juliana Albuquerque de Oliveira, (foto abaixo) de 26 anos. Quem a vê com um sorriso no rosto não imagina as dores que ela já enfrentou. Ela conta que foi criada pelos pais, que lhe deram muito carinho, mas precisava ficar com familiares enquanto seus genitores trabalhavam.

O pesadelo dela começou quando ela sofreu um abuso sexual cometido por uma pessoa próxima ainda na infância. “Aquilo acabou me abalando psicologicamente. E quando meu pai teve ciência um pouco mais tarde, eu esperava que ele tomasse alguma atitude e ele não fez nada, então aquilo gerou uma grande revolta em mim.”

Juliana e os pais frequentavam a Universal. Por um tempo, ela afirma que acreditou que havia superado seus traumas e até assumiu responsabilidades na Igreja, mas hoje reconhece que lhe faltava o principal, o encontro com Deus. “Eu não conhecia a Deus, só conhecia o Deus dos meus pais, eu não havia tido uma experiência com Ele. Por isso, em 2009, aos 12 anos, eu me afastei da Igreja e da oportunidade de conhecê-Lo.”

Nesse período longe da fé, ela se encantou com o brilho das festas e passou a trabalhar promovendo baladas entre jovens. Foi quando conheceu as drogas: “me ofereceram cigarro de maconha, gostei e depois fui me envolvendo por conta própria”, diz.

Juliana recorda que sua vida foi ladeira abaixo e que, mais uma vez, ela se viu tomada pelo ódio do abuso que sofreu no passado. Confusa com esses sentimentos, ela afirma que perdeu sua personalidade. “Me perdi em mim. Mudei a forma de me vestir e não tive nenhuma dificuldade em me relacionar com mulheres, porém, após o ato, sentia nojo. Mesmo assim eu continuava, até que se tornou algo normal. Fui conhecendo outras mulheres e com o tempo acreditei ter nascido para ser homem”, detalha.

Juliana revela que, na tentativa de preencher o vazio que sentia, bateu em várias portas, mas seu estado só piorava. “Passei a me prostituir por dinheiro, embora não tivesse necessidade. Frequentava lugares onde um dia eu evangelizei. Nada preenchia a tristeza em meu ser, foi quando veio a depressão.”

A professora conta que tomava remédios controlados, mas sentia que eles não faziam efeito e passou a misturar drogas com medicamentos. “Já não dormia, tive síndrome do pânico e aí veio o desejo de suicídio. Esse foi meu fundo de poço, pois nada remediava aquela dor. Passei uma semana tomando remédio e me drogando e vi que nada mais fazia efeito. Então lembrei das palavras de fé que ouvia na Igreja. Eu queria conhecer a Deus, pois daquele jeito não dava mais.”

Os pais de Juliana nunca deixaram de usar a fé pela mudança dela. “Eles seguiram firmes, mas a mágoa crescia em mim. Em minha mente, eles tinham de fazer algo com a pessoa que me abusou. Hoje eu entendo que a Justiça vem de Deus. Eu ria quando os via orando ou fazendo propósitos por mim.”

Em outubro de 2021, após muito sofrimento, ela aceitou um convite para assistir a uma reunião na Universal. “Eu usei droga para ir, pois estava com vergonha de Jesus. Me arrumei chorando, não avisei ninguém que iria, só fui. No momento da busca, eu disse a Deus que não tinha nada e que meu único desejo era morrer, mas, se Ele quisesse minha vida, eu a daria e naquele dia Ele me aceitou.”

Ela explica que superou seus problemas com a ajuda das reuniões de libertação. “Fui livre dos vícios, da depressão, do peso da mágoa, liberei o perdão e me senti leve. Hoje entendo que era o próprio diabo que fazia com que eu me visse como um homem.” Depois de receber o Espírito Santo, Juliana garante que encontrou alegria, paz e razão de viver.

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Autor

Kelly Lopes / Fotos: Mônica Quintanilha e arquivo pessoal