O mercado tem ideologia?
O mercado é regido por leis fixas e quem as viola sofre as consequências. Uma lei da economia clássica é a da oferta e da procura, catalogada por Adam Smith. O mercado, representado pelo grupo de vendedores e compradores de um determinado produto ou serviço, precisa ser bem tratado e respeitado. As leis que regem o seu funcionamento não toleram a interferência de ideologias lacradoras, que não visam o aumento das vendas, mas tão-somente impor uma ideologia.
Algumas empresas estão se deixando enganar por marqueteiros lacradores que não estão preocupados em aumentar as vendas, mas em usar os setores de marketing das empresas como trincheiras para disseminar ideologias esquerdistas. Nesse afã de incutir no público ideologias de uma minoria como se fosse algo que é aceito por todos, esses lacradores estão prejudicando as vendas e o lucro de grandes corporações, pois o mercado não tolera irresponsabilidades.
A última vítima dos lacradores que ganhou destaque nas mídias sociais foi a Volkswagen, que, ao fazer uma propaganda do carro modelo Polo, usou como garotos propaganda um casal LGBT. Esse comercial não ganhou destaque quando foi lançado, no entanto os lacradores insistem em requentar a propaganda nas redes sociais para ganhar notoriedade. E o público reagiu.
O comercial usa um carro que tradicionalmente é o estilo mais usado por homens heterossexuais solteiros e, agora, no mundo encantado da propaganda lacradora, passa a ser o estilo de casais homossexuais. A tentativa de impor esse tipo de ideologia de gênero causou revolta nas redes sociais, principalmente por parte de muitas pessoas heterossexuais que não concordam com a imposição desse tipo de orientação sexual.
Muitos comentários criticaram a produção, dada a sua desnecessidade. As marcas não precisam disso para vender, aliás esse é o ponto da discórdia: o objetivo da lacração não é vender, mas forçar as pessoas a apoiarem aquilo que respeitam mas não compartilham. Uma marca ou uma empresa não pode usar de sua estrutura de mercado para obrigar a sociedade a ter uma certa orientação sexual.
A marca Volkswagen colecionou perdas. Imediatamente depois da divulgação do comercial, houve uma enxurrada de comentários criticando a forçação de barra. Muitos cumpriram a promessa de deixar de seguir o perfil da empresa nas mídias sociais, enquanto outros tantos colocaram seus veículos do modelo em questão à venda e os que ainda não tiveram esse tipo de carro prometeram não comprá-lo nunca. Ganharam destaques os comentários: “sério mesmo, propaganda desnecessária, eu jamais compraria um Polo agora”, disse um usuário. “Nada contra, também nada a favor, mas particularmente não gostei da propaganda, o meu Polo está à venda”, arrematou outro cliente da marca. “Que venha um Honda”, escreveu por fim outro ex-usuário da marca nas redes sociais.
Diante de tanta repercussão negativa do desastroso comercial, a Volkswagen foi obrigada a se defender. Ela sustentou em seu favor que foi convencida a tomar uma iniciativa global em favor da inclusão e da diversidade e ainda confessou que, no Brasil, a marca elaborou uma cartilha que deve ser seguida por funcionários, prestadores de serviço e também nas concessionárias com regras contra o preconceito.
Mas não se trata de preconceito, mas de conceito. Todos precisam ser respeitados, inclusive em suas opiniões e princípios. O mercado e as pessoas deixaram provas de que, quando uma empresa promove uma orientação sexual em detrimento de outra, isso não é visto com simpatia, pois todos devem ter o mesmo tratamento e consideração. Todo tratamento privilegiado, que faça acepção de pessoas, gera inquietação e revolta na sociedade.
Não é usando a manipulação da propaganda que alguma empresa irá conciliar as diferenças e contribuir para uma sociedade mais justa para todos, mas cultivando o respeito mútuo e o tratamento igualitário, pois, quando se trata de forma privilegiada um certo segmento da sociedade em prejuízo de outro, se estará plantando discórdia e opressão. E isso, em termos de mercado, implica diretamente em perda de clientes e queda de lucros, que ao final pode levar até mesmo uma empresa à bancarrota, por mais sólida que seja. O mercado não tem ideologia, tem clientes, ora vendendo, ora comprando.
Denis Farias é advogado, professor e consultor jurídico
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