A depressão a fez acreditar que ela não merecia ser feliz
Apesar disso, Débora Evelyn Souza encontrou alegria justamente em quem ela culpava por seu sofrimento
Durante cinco anos, a auxiliar de vendas Débora Evelyn Souza, de 19 anos, sofreu com a depressão. O que no início era apenas um sentimento de solidão evoluiu para um desânimo para fazer desde as coisas simples do dia a dia até aquelas que pessoas de sua idade teriam muito prazer em fazer. “Com 14 anos eu não queria sair do quarto, não queria tomar banho, não tinha vontade de comer nem de me arrumar, não tinha disposição nem para fazer amigos. Eu me olhava no espelho e sentia nojo. Eu não tinha autoestima e não me achava digna de nada”, relata.
Toda essa tristeza que Débora sentia não “era coisa de adolescente”, mas a consequência de anos de rejeição e abusos. Seu pai a rejeitou quando ela era criança e sua mãe a deixou sob os cuidados dos avós paternos por não ter condições financeiras para criá-la. Débora não sabe dizer com precisão quantos anos tinha quando sofreu o primeiro abuso sexual, mas sabe que eles só pararam quando ela completou 12 anos. Eles foram praticados por pessoas próximas à família. “Tudo isso se juntou dentro de mim e cresceu um vazio e uma tristeza enormes. Eu não tinha mais vontade de viver”, revela.
Perdão e Salvação
Sem ver uma saída para tudo de ruim que tinha vivido e achando que “merecia” ter passado por aquilo, Débora diz que começou a ter pensamentos suicidas que logo começaram a ser colocados em prática. “Todas as formas que vinham na minha mente eu tentava fazer”, conta. A jovem admite que culpava a Deus por toda a dor que sentia. “Eu pensava que Deus era o culpado por tudo aquilo que tinha acontecido comigo em minha infância, pela minha mãe não ter conseguido ficar comigo, por eu não ter uma boa relação com os meus pais e, principalmente, por ter sofrido os abusos. Eu tinha tanta raiva que não suportava ouvir o nome dEle”, confessa.
Nessa época, Gecilene, mãe de Débora, já participava das reuniões na Igreja Universal. A jovem conta que um dia, depois de uma conversa difícil, sua mãe olhou em seus olhos e disse que não aceitaria perder a alma da filha para o diabo e que um dia Débora iria servir a Deus. Por não aceitar as palavras da mãe, Débora brigou com ela e saiu de casa tentando se acalmar. Na rua, foi abordada por uma jovem que frequentava a Universal e que, percebendo que havia algo de errado, a evangelizou. Na ocasião, Débora estava com 17 anos e lembra que a alegria daquela moça em querer ajudá-la chamou sua atenção e, mesmo não gostando, ela passou a participar das reuniões de domingo e dos encontros da Força Jovem Universal. No entanto sua resistência ao que era pregado a impedia de experimentar a vida completa que o pastor tanto falava que existia e, consequentemente, ela continuava com o desejo de se matar. Foi quando, depois de tentar o suicídio pela quinta vez, ela começou a aceitar que, de fato, poderia haver esperança para ela. “Ali eu vi que existia um Deus que não queria que eu fizesse aquilo. E quando o pastor, durante a pregação, perguntou para onde iria a nossa alma se Jesus voltasse naquele dia, eu entendi que, se não entregasse a minha alma para Deus, estaria condenada ao inferno. Então, eu decidi me batizar nas águas”, relata.
Mas, para ter completamente a Presença de Deus em sua vida, Débora entendeu que precisava perdoar todos os que tinham abusado dela.
“Eu sempre quis fazer justiça com as minhas próprias mãos. Eu falava que os mataria porque eles tinham que sofrer o que eu sofri. E Deus me falou: ‘Eu Sou Deus de Justiça. Sou Eu quem vou julgar’. Eu me lembro que falei o nome de cada um, perdoando e entregando-os nas mãos de Deus. Eu não queria mais viver a minha vontade e sim a Vontade de Deus. Então a alegria que eu tinha procurado toda a minha vida veio sobre mim”, diz.
Hoje, Débora vê se cumprir aquilo que um dia sua mãe determinou: que ela serviria a Deus. “Hoje eu quero viver e falar para as pessoas que sofrem que o Senhor Jesus transforma. Hoje eu tenho o Eterno dentro de mim. Se eu soubesse que existia essa felicidade que não passa, eu teria me entregado muito antes”, finaliza.
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