De olhos (e lupas) nos rótulos

As informações dos alimentos são determinantes para manter a saúde em dia. Você observa o que coloca no carrinho do supermercado?

Diante das inúmeras opções de alimentos disponíveis nos supermercados, o que escolher vira uma espécie de “uni, duni, tê”. Isso porque o que aparece estampado nas embalagens, muitas vezes, se torna um grande atrativo. Em busca de um estilo de vida saudável, quem não quer saborear um docinho aparentemente “sem açúcar”? Assim, embalados por letras sedutoras, muitos consumidores se voltam a essas informações, mas se esquecem de outras.

Para a nutricionista Dayane Ferreira Ribeiro, de São Paulo, há motivos de sobra para não ficarmos atentos apenas aos rótulos, como tornar isso um hábito. “Com a leitura dos rótulos, ganhamos maior consciência e clareza do que estamos comprando e consumindo.

Além disso, caímos em menos armadilhas alimentares, que é o que acontece quando nos deixamos enganar pela aparência e pelo marketing de um produto”, observa.

CONTAGEM REGRESSIVA
Em meados de outubro de 2020, a Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova norma sobre rotulagem nutricional de alimentos embalados – medida que busca promover maior clareza e legibilidade das informações nutricionais. A nova legislação entra em vigor em 9 de outubro deste ano para produtos lançados a partir desta data e, para os produtos que já estiverem no mercado, os prazos para adequação vão de 2023 a 2025.

A tabela de informação nutricional passará a ser representada apenas com letras pretas e fundo branco. Também será preciso declarar os açúcares totais e adicionados e o número de porções totais por embalagem. “Antigamente, os rótulos eram baseados em uma dieta de 2 mil kcal e agora serão padronizados em porção de 100 g (no caso de sólidos) ou 100 ml (no caso de líquidos), para facilitar a comparação entre produtos”, diz Dayane.

Essas mudanças poderão ser observadas logo “de cara”, por causa da rotulagem nutricional frontal. “Ela deve constar na frente do painel da embalagem em forma de lupa, para advertir e identificar o alto teor de três nutrientes: açúcares adicionados (cujo consumo em demasia está ligado à obesidade e ao desenvolvimento de doenças crônicas, como problemas cardiovasculares, hipertensão, diabetes e até câncer), gordura saturada (que, em excesso, está ligada a incidentes de infarto e acidente vascular cerebral) e sódio (também relacionado à hipertensão arterial). Assim serão demarcados os produtos que tiverem açúcares adicionados em quantidade maior do que 15g, a gordura saturada maior do que 6g e sódio maior do que 600 mg”, explica. Os três nutrientes, defende a Anvisa, foram escolhidos justamente pela relação com problemas de saúde pública. Veja, ao lado, como usar essas informações a seu favor.

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Autor

Flavia Francellino / Arte: Edi Edson