Influências iguais, decisões diferentes
Os seis filhos de Saul, o primeiro rei de Israel, tiveram os mesmos exemplos e oportunidades, mas cada um deles agiu e reagiu de maneira singular
Na série Reis, da Record TV, os seis filhos de Saul (Carlo Porto) e Ainoã (Francisca Queiroz) veem sua vida mudar completamente assim que o pai é coroado como o primeiro rei de Israel. Se outrora eles se preparavam para cuidar das terras e do rebanho da família, agora assumem funções no Exército e entre os conselheiros do monarca.
Criar esses seis personagens e imaginar o impacto dessa mudança não foram tarefas fáceis para a autora da trama, Raphaela Castro. “A Bíblia não fala praticamente nada deles. Sabemos apenas de alguns eventos envolvendo Jônatas, Mical e Isbosete. Então, me baseei nas pistas sobre Saul. Afinal, qual a influência de um chefe de família em casa? Se ele é bom e temente a Deus, isso influencia e o contrário também”, conta a autora em entrevista exclusiva à Folha Universal.
Além da transição de vida, os seis jovens também presenciam a mudança de Saul, que passa de pai exemplar a um rei que se corrompe a ponto de ser rejeitado por Deus. Isso trará “um constante estado de incerteza, que os influenciará e trará consequências”, diz Raphaela.
A individualidade de cada um deles
Apesar de pertencerem à mesma família, Jônatas, Abi, Malquisua, Isbosete, Merabe e Mical são indivíduos diferentes, lembra Raphaela: “todos estão diante da mesma situação, tanto antes, quando era boa, quanto agora, que é ruim. Eles reagem a isso de forma diferente, porque, no final das contas, as circunstâncias, como cresceu ou os pais podem até influenciar, mas a decisão sobre como será sua própria vida depende de cada um deles”, analisa.
Diante das mudanças, Jônatas (Miguel Coelho) é o único filho que sempre reage de forma espiritual, permanecendo fiel a seus princípios e temente a Deus. Abi (Ronny Kriwat) e Malquisua (Enzo Ciolini), por sua vez, fazem parte do Exército e não passam tanto tempo com a família para vivenciarem os constantes problemas que o comportamento de Saul tem causado em casa.
O mais novo dos homens, Isbosete (Eduardo Martins), é o mais diferente dos irmãos e já tinha uma relação complicada com Saul antes mesmo de o pai se tornar rei e qualquer situação alimenta sua insegurança. Já as meninas Merabe (Mari Duarte) e Mical (Marjorie Queiroz) ainda são crianças na terceira temporada da série e “Ainoã procura protegê-las de tudo que está acontecendo neste momento, o que refletirá nas ações que elas tomarão no futuro e que veremos apenas na próxima temporada”.
O primogênito e a caçula
Dentre os filhos de Saul, os mais conhecidos pelo público são Jônatas e Mical, principalmente pela proximidade que terão posteriormente com Davi. Com o desenrolar da trama, o primogênito e a caçula se mostrarão cada vez mais diferentes um do outro. “Jônatas vive boa parte de sua vida com o pai enquanto este ainda era um bom exemplo e a família estava estruturada. Quando Saul muda, ele é um adulto com a cabeça feita. Já Mical passa a maior parte da vida com o pai sendo um homem ruim, sem temor a Deus, com a família desestruturada e com poucos exemplos bons. Essa diferença não justifica, mas é uma das coisas que também influenciará (as ações dela)”, conta Raphaela.
Em razão das mudanças de Saul, no futuro, o primogênito tomará a decisão de se submeter à escolha de Deus. “Era esperado que Jônatas fosse o próximo rei, mas, em vez de ver Davi como ameaça, ele fica ao lado do novo escolhido de Deus, mesmo que isso signifique ficar contra seu pai e seu próprio futuro. Ele entenderá que essa é a Vontade de Deus e a respeitará”, explica.
A princípio, Mical conquistará o carinho do público por estar apaixonada por Davi. A autora antecipa que, mesmo que a caçula não tenha em Saul um bom exemplo, ela terá a influência positiva de Jônatas e Davi, mas, com os eventos futuros que veremos em Reis, ela escolherá “alimentar mágoa e ressentimento de tudo que acontecerá”.
Essa relação entre as influências e as escolhas dos filhos de Saul é um dos principais aprendizados que o público terá ao acompanhar Reis. A autora finaliza compartilhando sua esperança de que o público entenda justamente isso: “ninguém tem controle sobre a decisão de outras pessoas. Temos expectativas, mas não o controle. Apesar das influências familiares, sejam elas boas ou ruins, cabe a cada um escolher o rumo de sua própria vida”.
English
Espanhol
Italiano
Haiti
Francês
Russo