Se arrependimento matasse...
Sempre que alguém toma uma atitude errada e percebe o equívoco ou a loucura que fez, fica atormentado pelo arrependimento. A mídia declaradamente de esquerda, que ajudou a promover Lula, parece que está arrependida e agora se deu conta da insanidade que praticou quando fez o papel de cabo eleitoral para reconduzi-lo ao poder.
“Vai aumentar o dólar, cair a bolsa? Paciência.” Esta é uma das muitas pérolas que o líder da esquerda falou depois da divulgação do resultado das urnas, sem se importar com as consequências que viriam de todos os lados. Poucas pessoas sabem – inclusive as que votaram nele – que o mercado tem uma lógica que repercute em todas as camadas sociais.
A Bolsa de Valores mostra a expectativa do mercado e os rumos da economia de um país. Se não há certeza de um bom futuro, o risco de investir sobe e isso afasta investidores externos. Com poucos investimentos, a bolsa cai. Por conseguinte, diminui o dinheiro estrangeiro circulando no país, reduzindo a oferta, e o dólar sobe. Com a alta do dólar sobe também o preço dos produtos importados e o preço elevado faz subir a inflação. Na tentativa de controlar a inflação, o governo eleva os juros.
A alta dos juros impacta diretamente nas empresas e nas pessoas, pois o crédito e o financiamento ficam mais caros. Com o aumento da inflação, o dinheiro perde o poder de compra e o consumo de produtos e serviços cai. Isso faz com que as lojas deixem de comprar produtos das fábricas e assim a indústria diminui a produção. Com a queda da produção, a indústria não precisa de muitos funcionários e aí começam as demissões. Com o crescimento do desemprego, a renda das pessoas cai e isso diminui o consumo e a circulação de mercadorias no mercado. O resultado é que a população fica cada vez mais pobre.
Com o aumento dos juros pelo governo, fica mais vantajoso deixar o dinheiro aplicado do que empreender e arriscar investindo em algum negócio para gerar emprego e renda. Esse cenário só beneficia o investidor, pois ele dispõe de juros altos, que aumentam o capital especulativo e oferecem a possibilidade de rendimentos maiores. Quem mais sente os impactos negativos é a população de baixa renda, pois a oferta de emprego cai e a pobreza aumenta.
O mais preocupante é que Lula sabe disso e demonstra que, na verdade, pouco se importa com os pobres. A fome de poder e a sede de vingança o deixaram cego e todos os brasileiros vão sofrer as consequências de ter um governante que só se importa com as vaidades do cargo.
Desde o anúncio do resultado das eleições, a Petrobras já perdeu cerca de R$ 189,5 bilhões em valor de mercado, segundo o cálculo da TradeMap, feito a pedido da revista Exame. O mercado financeiro, que não é bobo, já prevê o descontrole fiscal que será praticado pela equipe econômica de Lula. A preocupação com o futuro da Petrobras, que foi assaltada durante os governos petistas, fez com que os investidores pulassem do barco antes que tudo afunde: eles estão vendendo suas ações e saindo do mercado brasileiro, o que derruba o preço das ações. A estatal sangra com os prejuízos a cada dia que passa.
Os esquerdistas sabem muito bem como gastar dinheiro com clientelismo e assistencialismo estatal. Mas já demostraram que não sabem produzir e gerar riquezas nem se preocupam em aprender. Os objetivos desse grupo são se manter no poder, fazer demagogia com os cofres públicos e controlar as pessoas com mão de ferro, por meio de um Estado opressor e interventor.
O que é cômico – para não dizer trágico – é que a imprensa esquerdista finge que não sabia que estava soltando um monstro que pode devorar a todos. Mas a onda de arrependimentos já começou. Henrique Meirelles, por exemplo, afirmou que Lula “Dilmou” e desejou sorte aos investidores.
Enquanto isso, os noticiários proclamam o possível retorno dos escândalos com a alteração da Lei das Estatais, um retrocesso em relação ao avanço do País tinha em termos de probidade administrativa.
Denis Farias é advogado, professor e consultor jurídico
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