“Peguei o livro do Bispo Macedo e queimei inteirinho”

Marylian dos Santos bebia, usava cocaína e só se livrou dos vícios ao conhecer a Deus na Universal

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Marylian Xavier dos Santos é operadora de telemarketing e mora no bairro Horto Florestal, na zona norte da capital paulista. Há 13 anos ela pratica a fé no Deus Vivo, é membro da Universal e participa voluntariamente de projetos que a instituição mantém. Entretanto sua vida nem sempre foi assim e, durante anos, ela trilhou somente caminhos tortuosos. “Meus problemas começaram quando eu ainda morava com meus pais. Minha mãe era envolvida com encostos e bebia. Com a morte dela, quando eu tinha 16 anos, eu também já bebia, mas sempre mais do que os outros. Era algo anormal.”

Ao começar a trabalhar como vendedora e ter de fazer viagens, Marylian foi apresentada às drogas por amigos e se tornou viciada. “A bebida, a maconha, a benzina e a cocaína serviam para aliviar o vazio que eu sentia na alma e eu também me apoiava nelas para aguentar o ritmo de trabalho. A cocaína age assim: você trabalha, trabalha e seu ritmo aumenta se você estiver sob efeito dela, mas, quando ele passa, vem a depressão. Uma vez, em Brasília, misturei cocaína e álcool e acabei no hospital. O médico disse que foi um princípio de overdose. Por pouco não perdi meu emprego”, diz.

Apesar de as pessoas comentarem sobre sua conduta, Marylian não ligava.

“Eu vivia o momento, cheguei a frequentar redutos de prostituição na noite de São Paulo e esse mundo me fascinava. Tudo é facílimo quando você está sob o domínio do diabo, mas depois, no dia seguinte, quando passava o efeito de tudo, eu sentia um vazio de novo. Fui convidada para ir à igreja, mas eu odiava a Universal. Minha mãe tinha deixado o livro Orixás, Caboclos e Guias na estante, mas, quando comecei a ler, me estressei. Peguei o livro do Bispo Macedo e queimei inteirinho”, conta.

Em uma viagem a trabalho para o Rio de Janeiro, Marylian finalmente entrou em uma Universal. “Foi em Del Castilho. Como nossa equipe não estava produzindo nada, nossa supervisora entrou lá para pedir ajuda. Só entrei porque um pastor insistiu muito. Ele conversou comigo e me orientou para que eu fosse à Igreja quando chegasse em São Paulo. Depois da reunião, pela primeira vez, eu dormi aquele sono tranquilo. Até perdi a hora de ir trabalhar”, recorda.

Contudo o processo de libertação dela foi bastante difícil: “eu ia aos cultos, mas ainda bebia e estava sempre no último banco. Fui ao culto bêbada várias vezes. Um casal de obreiros cuidou de mim e fez um propósito em uma Fogueira Santa porque o diabo não queria me largar. Desci nas águas três vezes, mas só a última foi decisiva. Eu falei: ‘ou o Senhor me muda ou me mata’. Ele mudou meu jeito de falar e de pensar. Eu falava muitas gírias e era agressiva, mas hoje não tenho mais o mesmo comportamento”, detalha.

Marylian também se livrou dos vícios: “eu já não conseguia mais sentir o cheiro e o gosto da cocaína e da maconha, pois me incomodavam. Eu não suporto mais nem o cheiro de cigarro nem de bebida. Eu não gostava de ganhar almas, mas atualmente faço tudo dobrado na igreja. Antes, eu não entendia o que o pastor falava sobre o Espírito Santo, mas hoje em dia sei e vivo a importância de Deus na minha vida”, conclui.

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Autor

Eduardo Prestes / Foto: Demetrio Koch