O trabalho árduo da Igreja em Nova York

Cristiane relata que não saber o idioma dificultava o trabalho evangelístico, mas eles não desistiram. Acompanhe

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Era tudo muito divertido tentar falar inglês sem saber a língua, nos especializamos em mímica e quando conseguíamos falar alguma coisa, trocávamos tudo, como a diferença do “good night”, que significa “boa noite” e o “see you later”, que significa “te vejo mais tarde”. Meu pai dizia “good night” quando saía de casa e “see you later” quando ia dormir kkkk…. Sem contar que meus pais viviam se perdendo. Toda vez que ele parava o carro pra pedir direção, não entendia nada. Chegamos a pagar pedágio várias vezes por entrar nas ruas erradas e cairmos em estradas. Uma simples ida ao supermercado virava uma viagem sem rumo de três horas.

E em meio a isso tudo, o bom era ter o nosso pai ali junto da gente, mas enquanto foi divertido pra gente, foi também muito difícil para ele, pois a igreja em Nova York era uma igreja fria, com pessoas que conheciam a Palavra de Deus, mas não A vivia. Meu pai falava do Espírito Santo e perguntava quem queria recebê-Lo, e todo mundo já achava que O tinha. Uma vez, meu pai, revoltado, viu que ninguém quis ir lá na frente buscar o Espírito Santo e acabou chamando a nossa família pra ir, e ficamos só nós cinco lá, enquanto todas aquelas pessoas, sentadas, nos assistiam, como se fôssemos de outro mundo.

Certo dia, ao voltarmos pra casa, minha mãe, com lágrimas nos olhos, desabafou: “puxa vida, deixamos uma igreja cheia lá no Rio pra vir pra cá e cuidar de pessoas que não estão nem aí para o que temos pra dar a elas! Edir, você está perdendo o tempo aqui, lá no Brasil tem mais gente que precisa da gente!”. Meu pai parou o carro imediatamente e a repreendeu, dizendo: “Que é isso Ester, Deus que nos trouxe pra cá! Ele vai nos honrar!”. Depois disso, nunca mais os ouvi falar sobre isso, mas como minha mãe estava insatisfeita ali, pouco tempo depois, eu e Vivi estaríamos também.

Hoje, quando penso naquela época, admiro ainda mais o meu pai, que não se poupou da dureza do trabalho lá. Ele, como líder da igreja, poderia ter colocado alguém pra ficar lá dando duro, e voltado para o Brasil, onde o trabalho estava bem mais avançado. Mas, não. Seu amor por Deus e pelas almas está além do conforto próprio, graças a Deus.

A história continua…

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Colaborador

Cristiane Cardoso / Foto: Arquivo Pessoal