Cardeal acusado de abuso sexual de menores foi inocentado, na Austrália

George Pell, condenado a 6 anos de prisão, deixou a prisão, o que gerou revolta

Imagem de capa - Cardeal acusado de abuso sexual de menores foi inocentado, na Austrália

Nesta semana, o Supremo Tribunal de Justiça da Austrália decidiu por unanimidade que um cardeal acusado de pedofilia é inocente. George Pell, de 78 anos, é ex-tesoureiro do Vaticano e foi condenado a 6 anos de prisão em 2019. Ele é acusado de abusar sexualmente de dois garotos na década de 1990, em Melbourne, sul do país.

Peel era a figura católica mais antiga já presa por esses crimes. Apesar de haver acusações e depoimentos, ele alegava inocência. De acordo com a agência Reuters, os juízes entenderam que poderiam aplicar o benefício da dúvida em favor do clérigo. Ele deixou a prisão nesta terça-feira (7).

Um dos argumentos da defesa era de que o júri e os juízes haviam confiado demais nas evidências “convincentes” da suposta vítima.

Repercussão

Peel diz ter sido “vítima de uma grande injustiça”. Por outro lado, a decisão gerou revolta e indignação em muitas pessoas.

O pai de uma das vítimas (já falecida) ficou chocado com a decisão e por meio de sua advogada, Lisa Flynn, disse “que não tem mais fé no sistema de justiça criminal australiana”.

Cathy Kezelman, presidente da organização de apoio às vítimas Blue Knot Foundation, afirmou que a decisão seria “devastadora” para muitas vítimas.

“A pandemia de abusos sexuais de crianças na Igreja Católica ameaça a segurança de milhões de crianças, os adultos que eles se tornam e a fibra moral do que significa ser humano”, falou, antes de destacar que respeita a decisão do tribunal.

“Pell agora está livre, mas muitas vítimas de abuso nunca foram livres, presas no horror dos crimes que dizimaram suas vidas”, acrescentou.

* Com informações da BBC e AFP

imagem do author
Colaborador

Rafaella Rizzo / Fotos: Getty Images