“Daqui para a frente, preciso da ajuda do Senhor”
Ao ver os cabelos caírem durante o tratamento para o lúpus, Cinthia Thais de Oliveira Franco, de 29 anos, recorreu à fé
A consultora de tecnologia da informação (TI) Cinthia Thais de Oliveira Franco, de 29 anos, sentiu algumas dores no corpo em meados de 2015. “Todas as juntas doíam. Pensei que fosse dengue ou chikungunya, mas os exames não mostravam essas enfermidades. Era inexplicável. As dores persistiam e eu estava com dificuldade de andar. Foi quando os médicos optaram pela internação.”
Ela ficou 40 dias internada e duas semanas para a conclusão do diagnóstico. Ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo e, mesmo medicada, o alívio para aquelas dores era quase nulo. “Foram dias difíceis”, conta Cinthia, que era submetida a
exames constantemente.
Ela passou por várias alas do hospital, inclusive pela oncológica – houve suspeita de câncer depois do surgimento de caroços pelo corpo resultantes de uma inflamação – até que ela foi encaminhada à unidade de terapia intensiva (UTI). “Nesse período, cheguei a perder a consciência. Foram sete dias dos quais até hoje não me recordo. Fizeram um exame do liquor (líquido cefalorraquidiano ou líquido da espinha) e chegaram ao diagnóstico de lúpus sistêmico, que tinha afetado meu cérebro.”
O QUE É
O lúpus eritematoso sistêmico (LES ou apenas lúpus) é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, situação em que o próprio organismo, por razões desconhecidas, passa a atacar órgãos e tecidos. Essa condição pode causar diversas anormalidades clínicas e laboratoriais. Há dois tipos conhecidos: o cutâneo, que se manifesta apenas com manchas na pele principalmente nas áreas expostas ao sol; e o sistêmico, no qual um ou mais órgãos são acometidos.
Os sintomas mais conhecidos são lesões de pele, dor e inchaço nas articulações, inflamação nos rins, alterações nas células do sangue, como diminuição de glóbulos vermelhos (anemia), problemas neurológicos, febre, emagrecimento ou fraqueza.
O QUADRO
Cinthia estava com 25 anos. “Os médicos decidiram aplicar uma injeção que baixava toda a imunidade do meu corpo. Optaram em retirar toda proteção do organismo para tentar um medicamento que pudesse provocar alguma reação positiva. Minha mãe, Maria do Carmo de Souza Oliveira Franco, que estava na fé, assinou um termo, pois se eu morresse o hospital não teria nenhuma responsabilidade, já que todas tentativas tinham sido feitas”, conta.
Para o tratamento, foi proposta quimioterapia com ciclofosfamida, medicamento usado em quimioterapia oncológica e também em casos de doenças autoimunes, já que contém propriedades imunossupressoras que suavizam o processo inflamatório. “Era uma tentativa de matar aquelas células ativas ruins que tentavam destruir meu sistema imunológico.”
As demais sessões de quimioterapia aconteceram quando Cinthia já estava de alta hospitalar. No terceiro mês de tratamento, ela ouviu falar da Campanha da Justiça, propósito que acontece todos os anos na Universal. “O pastor falou sobre Ana (1 Samuel 1), que não tinha mais a quem recorrer e trouxe aquele exemplo de fé para a minha realidade. Eu estava com uma doença que os médicos diziam que não havia cura. Aquela situação não era justa.”
O QUE A FÉ LHE DISSE
Um sábado antes de passar pelo Altar, Cinthia separou o dia para cuidar de si mesma. “Nesse dia, meu cabelo caiu mais do que o normal e, por causa de uma falha, minha mãe teve de cortar parte dele. Quando vi aquela falha enorme, minha ficha caiu para o que realmente estava acontecendo. Lembro que chorava muito, não só pelo cabelo, mas pela situação. Disse a mim mesma: ‘alguma coisa vai acontecer. Deus vai fazer alguma coisa. Você vai sair dessa.’” Ela orou: “não tem nada que eu possa fazer para que esse cabelo pare de cair. Até aqui eu consegui chegar, mas, daqui para a frente, preciso da ajuda do Senhor”.

No domingo de manhã, ela subiu no Altar chorando. “Desci diferente. Dentro de mim, já estava acontecendo o milagre. Deus começou de dentro para fora”, recorda. Na semana seguinte, ao pentear os cabelos, eles não caíram mais. “Aquilo me chamou a atenção. Era como se Deus dissesse: ‘Estou aqui com você’.”
Desde então, tudo se fez novo. “Saí do hospital com dificuldade para falar, para andar, mal conseguia escrever meu nome. Fui até orientada a deixar a profissão, mas é a mesma profissão que exerço até hoje. Não tenho sequelas. Além disso, Deus abriu as portas para mim. Depois do que aconteceu, tudo mudou muito e para melhor”, finaliza.
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