A chance de recomeçar diante do sofrimento
Após reformulação, Grupo da Saúde reafirma o propósito de transformar a vida de enfermos, seus familiares e também dos profissionais da área
Qual é o valor de uma ajuda? Para alguns, ela não tem preço, como retrata a auxiliar e técnica de enfermagem Edvaldina Silva dos Santos, de 42 anos, conhecida como Dina.
Ela recorda que, em uma noite chuvosa e fria, em novembro de 2004, foi abordada por três homens. “Essas pessoas me usaram (abusaram sexualmente dela) e me espancaram. Um deles dizia que eu não deveria ficar viva.” Dina ficou hospitalizada por quase quatro meses, passou por várias cirurgias na face, precisou fazer reconstrução de mandíbula e colocar pinos. Costela, perna, nariz e braço foram quebrados. “Também fiz acompanhamento com psicólogo e com psiquiatra”, completa.
A dor do trauma, no entanto, vem de um período anterior a esse fato: “na infância, sofri abusos sexuais por parte de uma pessoa da família e vizinhos. Eu era uma criança triste, que só chorava, tinha uma dor na alma que não sabia explicar.”
VISITA INESPERADA
Com o passar do tempo, Dina pôde receber visitas no hospital. “Minha família autorizou a presença de agentes do Grupo do Hospital (atualmente Grupo da Saúde, um dos braços do trabalho evangelístico da Universal) e um deles me falou uma frase que eu desconhecia e ela me trouxe tudo o que eu precisava: ‘Jesus te ama’. A pessoa falou baixinho no meu ouvido, mas aquela palavra entrou como um vulcão dentro de mim. Comecei a chorar. Apertei a mão daquele agente com um dedo, porque minha mão estava quebrada, e tentei agradecer com um dos olhos porque o outro estava tampado. Quis saber quem era essa Pessoa que me amava, porque não sabia o que era amor.
Nasci sem amor, cresci sem amor, vivi sem amor. Naquele leito, minhas feridas foram curadas, tanto que as cirurgias que estavam marcadas foram suspensas, os médicos se surpreenderam e pediram para que o grupo me visitasse mais vezes porque sua presença surtiu efeito.”
Depois que recebeu alta médica, a família de Dina decidiu levá-la para a casa de um irmão dela em outra cidade. “Ainda debilitada, no quarto, tentaram abusar de mim novamente. Quando a pessoa saiu, escrevi uma carta, me levantei e, sem que ninguém percebesse, fui a uma avenida. Tentei me matar, queria me jogar da ponte, mas, na hora que subi na mureta, uma voz ecoou dentro de mim: ‘Jesus te ama’.
Ali, definitivamente, quis conhecer aquela Voz. Foi assim que decidi ir à Universal. Recebi meu bem maior, o batismo com o Espírito Santo. Ele me curou de todos os traumas, hoje sou livre e a pessoa mais feliz do mundo. Tenho o desejo enorme de ajudar as pessoas e quero que todas recebam este Espírito. Atualmente, sou voluntária do grupo que um dia me ajudou e reforço com minha experiência o quanto a existência dele é importante.”
O GRUPO
O Grupo do Hospital foi criado em meados de 1980 e, em 2018, passou por mudanças. Atualmente é conhecido como Grupo da Saúde.
Quem está à frente do trabalho realizado no Brasil é o Bispo Eduardo Ribeiro, que explica que o objetivo do grupo é levar o auxílio espiritual a todos no ambiente hospitalar e na área da saúde (pacientes, profissionais da saúde e familiares).
Uma das novidades propostas pela reformulação é a realização de palestras gratuitas nos hospitais e unidades de saúde. O intuito é motivar os profissionais da área e diminuir os elevados níveis de estresse a que estão submetidos. “Esse foi um dos principais pontos que levaram à reformulação do trabalho: o cuidado e o reconhecimento ao profissional da saúde. Assim surgiu o projeto Cuidando de quem cuida, ou seja, cuidar de quem cuida de outras vidas”, diz o Bispo.
O grupo também promove campanhas de doação de sangue e projetos de humanização, como o Apoio à Saúde, que oferece café da manhã aos familiares e pacientes que madrugam nas filas dos hospitais; e o Sorriso Saúde, em que pessoas caracterizadas de palhaço levam alegria e tranquilidade aos enfermos nos hospitais e asilos, entre outros.
O número de atendimentos impressiona: de janeiro deste ano até o fechamento da edição, mais de 20 mil batismos foram realizados nos leitos, mais de 22 mil doações de sangue foram feitas e mais de 77 mil pessoas foram alcançadas pelo Sorriso Saúde em todo o País (confira outros dados abaixo).
O Bispo Eduardo esclarece qual é a fórmula para este sucesso: “o segredo está na dedicação dos voluntários. Quando eles se doam, recebem de Deus a renovação, o avivamento de sua fé e a atuação do Espírito Santo em suas vidas. Dessa forma, Ele encontra espaço para agir, usá-los e recompensá-los por tudo de forma grande e extraordinária nesta vida e, principalmente, na vindoura. Já aqueles que recebem os agentes do bem-estar, recebem o próprio Senhor Jesus, uma palavra de cura, de ressurreição, uma nova vida”.
Estudante e DEPRESSIVA
A médica oncologista Eliceia Soraia Zenaro, (foto abaixo) de 43 anos, é voluntária do grupo há seis anos. Ela fala da importância deste trabalho: “dentro dos hospitais, há muitas pessoas em sofrimento físico, psíquico e emocional, outras se encontram em estado terminal e, às vezes, tudo de que precisam é uma palavra, uma oração”.

Ela também destaca uma experiência inesquecível: “fomos chamados pelos familiares para fazer uma oração para um paciente em estado terminal. Oramos, o batizamos e, depois de alguns minutos, aos prantos, eles vieram nos agradecer. A pessoa faleceu, mas eles tinham certeza de que ela estava nos braços de Jesus.”
Apesar de ser médica, ela ressalta que, durante o trabalho voluntário, não se coloca como profissional, mas como cristã. “Mergulho na fé, na Palavra de Deus, no nome de Jesus para curar, libertar e salvar”, afirma.
Eliceia conta que hoje pode ajudar porque um dia alguém também lhe estendeu a mão. Ela chegou à Universal em 1998. Na época, era estudante de medicina e nem a bagagem acadêmica foi capaz de poupá-la da depressão. “Tomei medicamento e fiz terapia comportamental por mais ou menos um ano. Não havia uma causa, muitas pessoas na família tinham depressão, inclusive uma cometeu suicídio. Eu não tinha forças para viver, não conseguia estudar, trabalhar, ficava trancada no quarto, no escuro. Foi quando uma colega me falou da Universal.”
Ela esclarece que chegou à Universal desconfiada porque escutava fake news (notícias falsas). “Tanto que só voltei depois de seis meses.
Mas, em seis semanas, parei de tomar os medicamentos. Notei que tive paz e consegui dormir direito, o que não acontecia há meses. Tive paz para fazer minhas atividades diárias. Precisei deixar o conhecimento e o orgulho de lado e me render à fé”, se recorda.
Ela salienta também a importância do projeto Cuidando de quem cuida. “Todos os meses recebemos um tratamento completo no aspecto físico, espiritual e orientações. É o momento de compartilhar experiências, de receber uma força, um apoio. Enfermeiros e médicos têm suas famílias, seus problemas particulares, o estresse no trabalho e na vida diária. Essa iniciativa nos dá direção e acumulamos experiências. Mudei alguns pontos de vista por causa de testemunhos de colegas nessas reuniões.”
SORRISO NA ALMA
Outra atuação do grupo que surpreende pelo cuidado espiritual é o Sorriso Saúde. De acordo com o Bispo Eduardo Ribeiro, o projeto é uma ferramenta adicional ao trabalho humanitário realizado.
A reportagem acompanhou uma das visitas do grupo a dois asilos. No dia 18 de agosto, quatro voluntários, dentre eles o casal Thomas Carvalho de Melo, (foto abaixo) de 44 anos, e Cristiane Rosa de Oliveira Melo, de 45, se caracterizavam para mais um dia de ação social. Embora o clima fosse de descontração, a seriedade e responsabilidade da equipe chamaram nossa atenção.

“Conseguimos levar a fé de uma maneira lúdica, leve e simples àqueles que não seriam alcançados de outra forma. É como disse o apóstolo Paulo: ‘Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns’ (1 Coríntios 9.22)”, menciona Thomas. Ele cita que o trabalho é realizado geralmente em hospitais, unidades básicas de sáude (UBS), clínicas de hemodiálise e centros de apoio. Os voluntários visitam esses locais de uma a duas vezes por mês. “Essa Obra é dEle e estamos lidando com almas em um ambiente onde a morte está presente no dia a dia, o que aumenta a nossa responsabilidade. Nosso maior propósito é ganhar almas, fazer as pessoas sorrirem e se alegrarem. Essa é apenas uma ferramenta para falar da verdadeira alegria”, afirma Thomas.
De maneira descontraída, eles compartilham a Palavra de Deus e os Seus ensinamentos. “Ensinamos que não importa o quão difícil pareça uma situação, pois, quando colocamos nossas necessidades nas mãos de Deus, Ele age. Essa é uma das formas de evangelismo criativo que utilizamos para deixar uma mensagem de fé”, completa Thomas.
O Pastor Rafael da Silva, (foto abaixo) de 54 anos, conheceu o projeto assim que retornou ao Brasil, no início de 2018, após 23 anos fazendo a Obra de Deus na Colômbia, no Panamá e México. “Vi o anúncio do projeto na Folha Universal”, relata.

Ele reforça a importância desse trabalho, pois ele enxergou nesse projeto uma oportunidade de levar a Palavra de Deus aos sofridos. Ele conta que estar caracterizado faz as pessoas se abrirem, já que os preconceitos são quebrados.
“Fora do ambiente da Igreja, encontramos pessoas que têm opiniões diferentes e que, muitas vezes, não esperam ouvir falar dEle dessa forma lúdica. O Sorriso Saúde muda o estado de ânimo tanto do paciente como também do acompanhante”, acrescenta.
O Pastor Rafael é natural do Rio de Janeiro e conheceu a Universal por meio de sua mãe, que ouviu um programa de rádio da Igreja. Ela foi à Universal movida pela fé de alcançar a cura dele, que sofria ataques epilépticos desde os 5 anos. “Eu tomava remédio controlado.
Depois de frequentar as reuniões, comecei a sentir um alívio nos sintomas. Em 15 dias, as dores de cabeça e os ataques foram diminuindo até desaparecerem”, revela.
ALÍVIO OU INCÔMODO?
Algumas legislações ou questões burocráticas inibem a realização do trabalho em alguns locais. Mesmo diante desses obstáculos, o trabalho realizado pelo Grupo da Saúde e por outros projetos da Universal tem crescido cada vez mais.
Ao mesmo tempo que existem desafios a serem enfrentados, existem também pessoas que se incomodam com a dor do próximo e se esforçam para amenizá-la. E, como não há preço que pague ver uma pessoa sendo alcançada e transformada pela fé, o trabalho da Universal continua a ser realizado de forma incessante.
Os resultados que o trabalho acumula comprovam a dedicação e o esforço empenhados na tentativa de alcançar vidas no Brasil e mundo afora. “Independentemente do credo religioso, idade ou particularidades de cada um, saúde não tem religião”, cita o Bispo Eduardo.
“Nosso apoio e nossa dedicação são direcionados a todos, sem distinção. Graças a Deus, muitas portas têm sido abertas, pois a contribuição e os benefícios de nossa parceria com as unidades de saúde têm sido notados tanto na rede pública como na privada”, completa.

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