Se o pior acontecer, em quem você vai confiar?
O que parecia um simples resfriado evoluiu para um coma, paradas cardiorrespiratórias e prognósticos graves, levando mãe e filha a descobrirem o que realmente sustenta alguém diante do inesperado
Ninguém está verdadeiramente preparado para enfrentar o sofrimento, uma perda ou uma notícia capaz de mudar tudo de uma hora para outra. No entanto, viver à espera de que algo ruim aconteça não significa estar preparado, mas permitir que o medo assuma o controle da vida.
O que faz a diferença nesses momentos é em que a pessoa deposita sua confiança.
Sirlei Silva, de 58 anos, precisou colocar a confiança à prova ao ver a filha, Katiellin Fich, aos 26 anos, passar de um quadro aparentemente simples para uma internação de mais de três meses, incluindo 32 dias em coma, duas paradas cardiorrespiratórias e prognósticos cada vez mais graves.
Enquanto os médicos a preparavam para o pior, mãe e filha viveram uma história que transformou medo, dor e incerteza em um testemunho de fé e superação.
13 de maio de 2025:
Achei que fosse apenas um resfriado
Katiellin: Eu estava com tosse seca e mal-estar havia alguns dias, mas achei que fosse apenas um resfriado. Saí do trabalho e fui para casa acreditando que um chá e descanso resolveriam, mas minha mãe percebeu que eu estava muito pálida. Fui à UPA pensando que receberia um medicamento e voltaria para casa, mas não foi o que aconteceu.
Minha saturação oscilava, e os médicos decidiram me internar. Na noite seguinte, fui transferida de ambulância para um hospital. Lembro-me de estar dentro dela e de haver outra paciente ali. Essa é minha última lembrança. Depois disso, apaguei.
15 de maio de 2025: O início do coma
Sirlei: Como não pude acompanhá-la na ambulância, cheguei ao hospital na manhã seguinte e tive o primeiro choque: Katiellin estava na UTI, em coma induzido. Durante a noite, seu estado havia piorado. O médico informou que o quadro era muito grave. Ela não respondia aos medicamentos, apresentava falta de ar e febre, e seus níveis de pressão arterial e saturação estavam comprometidos.
28 de maio de 2025:
Seis minutos sem o coração responder
Sirlei: Foi descoberta uma bactéria que os medicamentos não conseguiam combater. Katiellin sofreu uma parada cardiorrespiratória que durou seis minutos. Em seguida, ela teve uma hemorragia e precisou receber transfusão de sangue. Um médico disse: “Ela pode sair dessa, mas é muito difícil. O que existe a favor dela é o fato de ser jovem”.
1° de junho de 2025:
De mal a pior
Sirlei: Eu chegava à UTI e, muitas vezes, era chamada para uma sala reservada. Já sabia que vinha mais uma notícia difícil. Mas eu me blindava e pensava: “O Deus a Quem eu sirvo vai fazê-la ficar bem”. Saía do hospital e ia direto para a Igreja Universal. Era diante do Altar que eu chorava.
Fé para os dias ruins
“Aquele que passou pela experiência de conhecer o Altíssimo não teme as dificuldades e não fica abatido pelas circunstâncias contrárias. Haja o que houver continua crendo, porque não é guiado pelo que é visível, e sim pela fé. (…) A fé estabelece nossos passos na vida, principalmente nos dias ruins. Devemos atingir esse nível de maturidade espiritual para reagirmos diante dos problemas. Além disso, precisamos entender que, mesmo que a nossa vida ainda não esteja como queremos, devemos manter nossos olhos voltados para o Alto, confiando que os recursos do Altíssimo nunca se esgotam e que de Suas Mãos virá a nossa resposta.”
Comentário do Bispo Edir Macedo sobre Habacuque 3:17-19, extraído da Bíblia Fiel Comentada com Suas Anotações de Fé
2 de junho de 2025:
Um sinal
Sirlei: Houve um dia em que achei que ela não resistiria. Fui ao Altar e disse: “Deus, se for para ela morrer, leve-a esta noite. Mas, se for para glorificar o Teu nome, me dá um sinal”.
No dia seguinte, ela continuava em coma, mas sua pressão, seus batimentos cardíacos e sua saturação haviam melhorado. Para mim, aquilo era o sinal.
10 de junho de 2025:
Só o Altar
Sirlei: Apareceu outra bactéria, desta vez multirresistente. Chamaram um psicólogo para conversar comigo, pois os médicos diziam que Katiellin poderia morrer a qualquer momento e que eu deveria manter o telefone por perto. Os medicamentos mais fortes já estavam sendo administrados, mas ela não reagia.
Já passava das 21 horas, e o pastor estava fechando a igreja quando lhe enviei uma mensagem pedindo que esperasse, pois eu precisava ir ao Altar. Era uma questão de confiança. Fiz meu voto com Deus e disse: “Deus, ainda vou Te glorificar neste Altar”.
Madrugada de 10 para 11 de junho de 2025: 17 minutos morta
Sirlei: Aconteceu o contrário do que eu esperava. A infecção se espalhou pelo organismo e, por volta da meia-noite, ela sofreu outra parada cardiorrespiratória, desta vez com duração de 17 minutos.
Ouvi o pior prognóstico: se não houvesse morte cerebral, ela poderia ficar em estado vegetativo. Mas eu já havia feito aquela oração: se fosse para morrer, Deus poderia tê-la levado; se ela continuava ali, era porque havia um propósito.
Uma história semelhante, na mesma data
Naquele mesmo dia, o Bispo Adilson Silva também sobreviveu a uma parada cardiorrespiratória de 16 minutos. Um relato marcado por uma situação extrema e pela confiança em Deus.
15 de junho de 2025: 32° dia do coma – “Katiellin, acorda!”
Sirlei: Cheguei ao hospital em um domingo e algo dentro de mim disse: chega! Segurei Katiellin pelos ombros e a chamei: “Katiellin, acorda!
Jesus já te curou. Vem para fora! Abra os olhos! Mexa a mão e o pé!”. Então, vi minha filha, com muito esforço, realizar pequenos movimentos.
O médico chegou e, sem saber o que estava acontecendo, disse: “Mãe, a situação é a mesma”. E eu respondi: “Não, doutor, a história não é mais a mesma. Ela acordou”. Sem conseguir falar, ela confirmou com a cabeça que me ouvia.
No dia seguinte, por causa da traqueostomia (procedimento que cria uma abertura na traqueia para auxiliar a respiração), sua voz saiu bem baixinha. Sem entender o que estava acontecendo nem que, naquele momento, não podia andar, ela me pediu para ir ao banheiro.
Uma fé que chama para a vida
A atitude de Sirlei foi inspirada na passagem em que o Senhor Jesus, diante do túmulo de Lázaro, ordenou: “Lázaro, venha para fora!” (João 11:43 – NVT). Diante do que parecia irreversível, Ele pronunciou uma palavra de fé àquele que já não respondia. Assim como naquele relato bíblico, a confiança em Deus falou mais alto do que as circunstâncias.
“O que eu estou fazendo aqui?”
Katiellin: Quando despertei, não fazia ideia do que havia acontecido, e mais de um mês tinha se passado. Lembrava das pessoas e da ambulância, mas não de como havia chegado àquela cama.
Meu corpo estava extremamente fraco. Mal conseguia mover as pernas, e até sustentar o pescoço era difícil. Passei mais algumas semanas na UTI, reaprendendo a respirar sem aparelhos, a me alimentar e a movimentar o corpo.
Com a traqueostomia, perdi a voz. Nesse período, falei muito com Deus e, no início, me revoltava: “Se a obra de Deus vai ser completa, por que ainda estou aqui?”.
Até que compreendi: eu havia sofrido duas paradas cardiorrespiratórias, uma delas de 17 minutos. Então concluí que Deus já tinha realizado o maior milagre: eu estava viva. Parei de enxergar cada dia como um atraso e passei a vê-lo como parte do meu testemunho.
22 de agosto de 2025: De volta para casa
Katiellin: Depois de dois meses e sete dias na UTI, fui para o quarto. Ainda precisava seguir com o tratamento, a fisioterapia e a recuperação dos movimentos, mas deixar a UTI significava que uma etapa importante daquela batalha havia chegado ao fim.
Um mês depois, deixei o hospital. Ainda usava andador e, às vezes, cadeira de rodas. Continuei com a fisioterapia e evoluí rapidamente. Em poucas semanas, o andador já não era mais necessário.

2026, um novo ano
Katiellin: Continuei retornando ao hospital para acompanhamento. Como se tratava de um hospital universitário, médicos e residentes estudavam meu caso. Em março, ouvi de um médico: “Você está melhor do que eu”. Meus exames estavam excelentes.
Em maio, encerrei a fisioterapia e, em 1º de junho, voltei ao trabalho e às atividades na Obra de Deus. Também iniciei a faculdade de Fisioterapia. Antes, cursava Publicidade e Propaganda, mas, depois de tudo o que vivi e de quanto a fisioterapia me ajudou, já não me identificava mais com aquele curso.
O Espírito Santo foi meu equilíbrio e a certeza de que Deus estava no controle. Olhando para o quadro clínico, motivos para desistir não faltaram, mas Ele me manteve forte. Esse problema não foi para morte, mas para a glória d’Ele. Hoje, vivo sem sequelas, testemunhando que Ele é o sustento em meio às tribulações.
“A medicina não explica”
Sirlei: Vi médicos e enfermeiros fazendo tudo o que podiam. Mesmo quando traziam notícias ruins, eu me aproximava da cama e dizia: “Katiellin, você ouviu o médico? Você está bem e logo vai sair daqui”. Eu cantava e orava por ela.
Quando ela começou a melhorar, muitos se emocionaram. Uma médica me disse: “Eu não tenho crença, não tenho religião. Mas o que aconteceu com a Katiellin a medicina não explica”.
Se eu não tivesse o Espírito Santo, não teria suportado. Ele foi a força que eu precisava para seguir em frente sem me desesperar. Ele é o meu porto seguro.
E você, em quem tem confiado?
Você também pode viver essa confiança. Quem se entrega ao Senhor Jesus e vive de acordo com a Sua Palavra torna-se morada do Espírito Santo e encontra segurança n’Ele.
Isso não significa estar livre de dificuldades, mas enfrentá-las sem perder a certeza de que Deus continua no controle e de que tudo coopera para o bem daqueles que O amam (Romanos 8:28).
Crer é confiar que Deus não falha e que, para Ele, não há impossíveis. Então, por que não entregar a vida Àquele que é infalível e poderoso para fazer muito mais do que pedimos ou pensamos?
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