Ela passou anos tentando encontrar o seu lugar
Relacionamentos, vícios e dinheiro não foram suficientes para preencher o vazio que Fabiana dos Santos carregava
Apesar de ter sido criada apenas pela mãe durante parte da infância, Fabiana dos Santos, vendedora de 41 anos, sempre recebeu muito amor. Ainda assim, cresceu carregando um sentimento constante de não pertencimento. “Era como se eu não me encaixasse em nada”, relembra. Essa sensação se intensificou na pré-adolescência, quando surgiu o desejo de conhecer o pai, com quem nunca havia convivido.
Ao frequentar a casa dele, que já vivia com outra mulher, Fabiana conheceu uma realidade diferente da fé cristã ensinada por sua mãe. A curiosidade a levou a participar de práticas até então desconhecidas e despertou o interesse por comportamentos que a afastavam dos valores que havia aprendido. “Eu comecei a querer beber e andar com más amizades”, conta.
Na época, sua mãe já frequentava a Igreja Universal. Certo dia, após voltar de uma balada, Fabiana foi surpreendida pelo convite insistente de uma jovem para ir à igreja. Mesmo relutante, acabou aceitando participar de uma reunião.
Vivendo no engano
Esse foi o início de uma mudança. “Fui um dia, depois fui outro. Eu tinha paz dentro da igreja.” Ela abandonou as festas, mudou de comportamento e tornou-se obreira, dedicando-se à Obra de Deus. “Eu achava que, por ser prestativa, tinha o Espírito Santo, mas, no fundo, sentia que não me encaixava naquela realidade.”
Com o tempo, porém, deixou de cuidar da própria vida espiritual. “Eu me dedicava muito à Obra de Deus, mas deixei de lado o cuidado com a minha vida espiritual: não lia mais a Bíblia nem buscava a presença de Deus.” Sua preocupação passou a ser apenas o fazer. Consequentemente, abandonar a fé foi apenas uma questão de tempo.
O dinheiro se tornou prioridade
Após cerca de três anos como obreira, Fabiana conseguiu um emprego e deixou de frequentar a igreja com a mesma regularidade. “Coloquei a minha vida financeira como prioridade. Aquele trabalho me distanciou de tudo o que estava relacionado à Obra de Deus.”
Ela se afastou das atividades e decidiu deixar a função de obreira. “Ali, foi como se eu tivesse dito para Deus que sabia cuidar de mim sozinha.”
De volta ao mundo, ela passou a viver à sua maneira. Em um show, conheceu um rapaz e, após aproximadamente um ano de relacionamento, os dois se casaram. “No dia do meu casamento, eu sabia que ali começaria o inferno.”
A união foi marcada por conflitos e agressões. Depois de quase três anos, veio a separação. Decepcionada, Fabiana iniciou um relacionamento com uma mulher, que durou cinco anos. “Eu procurava algo para preencher o vazio da minha alma, mas tudo parecia momentâneo.”
Buscando ajuda em lugares errados
A busca por preenchimento a levou aos excessos. “Eu bebia tanto, a ponto de não saber onde estava. Comecei a usar drogas para me sentir aliviada, mas o vazio só aumentava.”
Durante os 15 anos em que permaneceu afastada de Deus, ela enfrentou profundas crises de depressão e um sentimento constante de vazio. “Eu ia para o trabalho pesquisando maneiras de como me matar.”
Na pandemia, seu estado emocional piorou. “Eu ficava igual a um zumbi, no escuro, não queria comer nem tomar banho.” Em meio ao sofrimento, decidiu questionar Deus. Ao ligar a televisão, encontrou uma programação da Igreja Universal e resolveu buscar ajuda.
No primeiro dia, Fabiana recebeu oração. No seguinte, batizou-se nas águas. “Eu já sabia o caminho. O único jeito de mudar era deixar de viver do meu jeito para viver do jeito de Deus.”
Conhecendo a Deus de verdade
Determinada a recomeçar, ela abandonou tudo o que a afastava de Deus. Em uma reunião de quarta-feira, teve uma experiência que transformou sua vida. “Rasguei a minha alma e, naquele dia, recebi o Espírito Santo.” A partir daquele momento, tudo mudou. “Eu não queria mais morrer. Passei a ter paz para dar.”
Hoje, Fabiana reconhece que Deus nunca a havia abandonado. “Eu é que quis viver do meu jeito. Ele esteve diante de mim o tempo todo, mas eu não O via.”
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