Dez tumores e o medo de reviver tudo outra vez

Quase três anos após concluir o tratamento contra um câncer de mama, Valdirene Sperche precisou enfrentar novamente as lembranças de uma batalha que acreditava ter deixado para trás

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Vencer um câncer já é uma batalha difícil. Mas descobrir, anos depois que a doença pode ter voltado é enfrentar novamente um velho conhecido: o medo.

A professora Valdirene Correia Pereira Sperche, de 44 anos, sentiu isso na pele. Quase três anos após concluir o tratamento contra um câncer de mama, que incluiu cirurgia, quimioterapia e radioterapia, ela acreditava ter deixado essa fase para trás. Sem sequelas e com a saúde restabelecida, seguiu a vida amparada pela fé.

No entanto, entre o fim de 2024 e o início de 2025, um cansaço incomum, dores nas costas, fortes dores de cabeça e uma intensa fraqueza começaram a limitar sua rotina. Preocupada, procurou um especialista. Por causa do histórico da doença, o médico solicitou uma ressonância magnética, que apontou uma metástase óssea: eram dez tumores espalhados pela coluna, alguns próximos a órgãos vitais.

Para avaliar a extensão do quadro, foi solicitado um PET-Scan, exame mais preciso, que seria realizado cerca de 45 dias depois.

Deus não mente

Receber um novo diagnóstico de câncer fez Valdirene reviver tudo o que havia enfrentado anos antes. Mais do que a notícia, o que a abalou foi a lembrança das dores, das incertezas e de cada etapa do tratamento.

“Não foi fácil. Só quem já passou por um tratamento contra o câncer, ou acompanhou alguém da família nessa luta, sabe o quanto é doloroso. Para mim, o segundo diagnóstico foi muito pior porque, da primeira vez, eu não sabia o que esperar. Já na segunda, eu sabia exatamente tudo o que tinha vivido. Foi como assistir a um filme passando na minha cabeça”, recorda.

Apesar do medo, ela se recusou a alimentar as dúvidas e encontrou na fé a mesma força que a sustentou durante a primeira batalha. “Eu repreendi as dúvidas. Na minha mente só havia uma certeza: Deus já tinha me curado. E, se Ele tinha me curado, aquela doença não poderia voltar, porque a Palavra de Deus não volta atrás. Eu não morreria daquela doença. Eu não aceitava isso. Foram muitas orações, e eu coloquei dentro de mim que não passaria por tudo aquilo novamente”, conta.

A fé colocada em prática

Enquanto aguardava a realização do novo exame, Valdirene intensificou sua participação nas reuniões de cura da Universal, mesmo debilitada. “Eu ia todas as terças-feiras, mesmo com muita dor e muito fraca. Sentia tonturas e uma fraqueza extrema. Às vezes, eu não conseguia assistir à reunião em pé e precisava me sentar, mas perseverei. Aos domingos, eu consagrava a água na reunião e, em casa, além de bebê-la, passava-a sobre a minha coluna, em um ato de fé.”

Três exames, a mesma conclusão

O exame foi realizado e Valdirene retornou ao consultório com o resultado. “Eu lembro que o médico colocou os dois exames sobre a mesa e ficou olhando sem entender. Então perguntei: ‘Algum problema, doutor?’ E ele respondeu: ‘Sim. Aqui eu tenho um diagnóstico com dez tumores e aqui eu tenho outro exame que não mostra absolutamente nada. Eu não estou entendendo o que aconteceu’.

Inconformado, o oncologista solicitou uma reavaliação, que novamente não apontou sinais da doença. Em seguida, pediu uma nova ressonância magnética para confirmar o resultado pela mesma técnica que havia identificado os dez tumores. Mais uma vez, não havia qualquer vestígio da metástase. “Os tumores simplesmente desapareceram. Quando o médico disse que não entendia o que tinha acontecido, eu respondi: ‘Mas eu entendo. Foi o meu Deus que me curou'”, finaliza.

Metástase

A metástase ocorre quando células cancerígenas se desprendem do tumor primário, entram na circulação sanguínea ou linfática e se disseminam para outras partes do corpo. Essas células podem se alojar em tecidos e órgãos distantes do local onde a doença se originou, formando novos tumores.

Em outras palavras, a metástase indica que o câncer se espalhou para além de sua região de origem.

Cada tipo de tumor apresenta características e comportamentos específicos, podendo produzir metástases em diferentes órgãos com frequências variadas. No caso do câncer de mama, os locais mais frequentemente afetados são os linfonodos, o fígado, os ossos, os pulmões e o cérebro.

A metástase é a principal causa de morte por câncer. Essa capacidade de crescimento desordenado e de invasão de tecidos e órgãos vizinhos é uma característica marcante dos
tumores malignos.

Fonte: Ministério da Saúde

EXAME PET SCAN (PET-CT)

O PET Scan, é um exame de imagem que ajuda a identificar a localização e a extensão do câncer no organismo, auxiliando na investigação de metástases, especialmente quando outros exames apresentam resultados inconclusivos. Ele combina imagens da atividade metabólica dos tecidos com imagens obtidas por tomografia computadorizada. Para isso, o paciente recebe, por via intravenosa, um radiofármaco que circula pelo corpo e destaca áreas suspeitas.

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Colaborador

Núbia Onara / Foto: Cedida / wildpixel/getty images