Herança não é assunto só de milionários

Organizar seus bens ainda em vida pode evitar gastos, conflitos familiares e garantir que sua vontade seja respeitada após sua partida

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O falecimento de um familiar traz à tona não apenas a dor do luto e as questões relacionadas aos atos fúnebres, mas também os desdobramentos envolvendo a herança, independentemente do valor dos bens deixados. Isso porque a maioria das pessoas não se prepara para esse momento e, quando ele chega, os familiares precisam lidar com altos custos do inventário, além de possíveis brigas e disputas judiciais pela divisão do patrimônio. Esse cenário, no entanto, pode ser minimizado com um planejamento sucessório feito ainda em vida.

Patricia Lages, jornalista, escritora e especialista em finanças, explica que o custo de um inventário pode variar bastante. “Pode ir de 4% a mais de 15% do patrimônio. Fornecer um percentual exato pode ser complicado, pois o custo real envolve fatores como o Estado onde o inventário é realizado, o valor dos bens envolvidos, a complexidade ou fluidez do processo, que influenciam diretamente no preço cobrado”, afirma. Segundo a especialista, é comum que as pessoas falecidas deixem a documentação patrimonial desorganizada, o que dificulta ainda mais o processo. “Entre os problemas mais frequentes estão imóveis com documentação irregular, matrículas desatualizadas ou falta de escritura, o que encarece e prolonga o processo. A regularização desses bens antes do inventário diminui significativamente os custos e o tempo do processo, incluindo honorários advocatícios e taxas”, observa.

Sucessão antecipada

Por isso, ela destaca que o planejamento sucessório não é uma medida exclusiva para grandes fortunas. “Ele é muito útil para qualquer família que tenha bens, ainda que seja um carro, uma casa ou uma conta com um pouquinho de dinheiro. Em geral, essa sucessão antecipada e planejada não elimina, mas reduz os conflitos familiares, evitando o processo de inventário após o falecimento. Métodos como a doação em vida com usufruto, a previdência privada e o seguro de vida também podem simplificar a transferência e reduzir despesas futuras [veja mais ao lado]”, esclarece.

A especialista recomenda que a família converse com o proprietário dos bens para conhecer e avaliar as possibilidades de planejamento ainda em vida. “O objetivo é evitar conflitos, dores de cabeça e gastos futuros. Embora o planejamento sucessório não elimine custos, como o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) e as despesas com matrícula e escritura de imóveis, ele garante que a vontade do proprietário seja respeitada dentro dos limites da lei, reduzindo burocracia, custos e conflitos familiares, independentemente do volume de bens”, conclui.

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Colaborador

Eduardo Prestes / Arte: Gean França