A mágoa era sua única herança
Criada sem a mãe, Lucia Pereira carregou por anos uma dor que, para ela, ultrapassava qualquer possibilidade de perdão
Fruto de um relacionamento extraconjugal, Lucia Pereira, de 64 anos, diarista, perdeu a mãe antes de completar dois anos de idade: seu pai, que era casado, assassinou sua genitora, que era amante dele. Acolhida por uma tia materna, Lucia sempre foi bem tratada: “Fui criada como se eu fosse filha deles”.
Embora tenha crescido longe de irmãos, ela conviveu com cinco primos que, por vezes, demonstravam ciúmes da proximidade dela com a mãe deles. Ainda assim, durante toda a infância, nunca lhe faltou cuidado e suporte.
Com o passar do tempo, ao encontrar pessoas na rua, Lucia era frequentemente questionada sobre quem eram seus pais. Sua resposta raramente convencia, e isso despertava sentimentos de raiva nela. “Quando eu respondia que era filha da minha tia, eles diziam que não e afirmavam que eu era filha do meu pai, porque somos muito parecidos”, conta ela, que quase não tinha contato com o genitor. Lucia tinha cerca de oito anos quando sua tia decidiu revelar a história de seus pais para ela.
Alimentando um sentimento ruim
Ao saber o que havia acontecido, Lucia começou a ter muita raiva do pai. Sua mãe era muito jovem quando foi morta por ciúmes, e o fato de o pai nunca ter procurado por ela tornava tudo ainda mais doloroso: “Eu tinha raiva dele. Pensava: como alguém que nunca quis me conhecer, que tirou a vida da minha mãe, poderia ser considerado meu pai?”.
Ela cresceu com esse pensamento e, sempre que o assunto surgia, reagia com indignação. “Eu achava que nem Deus iria perdoá-lo e que, se as pessoas soubessem o que ele fez, me dariam razão”, recorda.
O efeito colateral da mágoa
Aos 16 anos, Lucia mudou-se do Piauí para São Paulo, onde foi morar com uma irmã mais velha. Foi quando abandonou os estudos para trabalhar como empregada doméstica. Em cerca de um ano, ela conheceu um amigo da família e passou a viver com ele.
Apesar de seguir a vida normalmente, Lucia começou a enfrentar um quadro de depressão. “Eu tinha uma tristeza dentro de mim, não gostava de passear, só queria ficar deitada. Era sempre de casa para o trabalho e do trabalho para casa”, diz. Nessa época, ela já era mãe de dois filhos. Como se não bastasse a angústia na alma, ela sofreu um aborto espontâneo do terceiro filho e, pouco tempo depois, em um exame de rotina, descobriu um mioma.
Conhecendo a Deus
Ao observar o comportamento de Lucia, a esposa de um primo dela a convidou para ir à Igreja Universal. “Cheguei na igreja em uma sexta-feira e, por ter me sentido melhor, continuei frequentando as reuniões.”
Aos poucos, ela aprendeu a usar a fé e, por meio de orações, foi curada do mioma, passou a dormir melhor e começou a ir às reuniões de domingo. “Quando eu fui no domingo, vi que era uma reunião diferente, aprendi sobre o Espírito Santo”, lembra. Apesar disso, ela ainda resistia a alguns ensinamentos: “Eu não achava que precisava perdoar o meu pai”. Por fim, Lucia decidiu obedecer: “Comecei a orar pelo meu pai e a raiva e a mágoa sumiram com o tempo”.
Livre dos maus sentimentos, ela se batizou nas águas e buscou o batismo com o Espírito Santo, o que não demorou muito para acontecer.
Desde então, Lucia garante que ganhou uma nova vida. Hoje, ela vive com um filho adotivo. “Não sou rica de dinheiro, mas tenho paz, felicidade e a minha salvação”, conclui.
Saiba mais
Leia as demais matérias dessa e de outras edições da Folha Universal, clicando aqui. Confira também os seus conteúdos no perfil @folhauniversal no Instagram.
Folha Universal, informações para a vida!
English
Espanhol
Italiano
Haiti
Francês
Russo