Quem ajudou a construir o país não pode deixar de decidir seu futuro

A experiência dos idosos é fundamental para escolhas conscientes que influenciam a sociedade e o país que será deixado para filhos, netos e bisnetos

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A população brasileira está envelhecendo. Por isso, os idosos têm se tornado um grupo cada vez mais expressivo, exercendo grande influência e relevância na sociedade.

Essa importância também se reflete no cenário político. Embora o voto seja facultativo para pessoas com mais de 70 anos, a participação desse público continua sendo fundamental. Os idosos transformam suas experiências em aprendizados e, com sabedoria, podem contribuir para o desenvolvimento e a transformação da nação.

Uma visão construída ao longo da vida

Luciano Gomes dos Santos, professor de Ciências Sociais do Centro Universitário Arnaldo, em Belo Horizonte (MG), destaca que a experiência de vida acumulada ao longo das décadas pode favorecer escolhas mais conscientes nas urnas, pois amplia a capacidade de análise crítica e de avaliação das propostas apresentadas pelos candidatos.

Segundo ele, por terem vivenciado diferentes contextos políticos, econômicos e sociais, os idosos conseguem comparar discursos e resultados concretos e, com uma visão mais prudente diante das promessas eleitorais, identificar aquelas que podem trazer benefícios reais para a população.

“Além disso, a inclusão de todas as gerações fortalece a legitimidade das instituições democráticas e promove um maior senso de pertencimento social. Quando jovens, adultos e idosos participam juntos, a democracia se torna mais representativa, plural e capaz de responder aos desafios coletivos de forma mais justa”, acrescenta.

Uma população em crescimento

Entre 2000 e 2023, a participação de pessoas com 60 anos ou mais na população brasileira quase dobrou, passando de 8,7% para 15,6%. A projeção é que, em 2070, esse grupo represente cerca de 37,8% da população do País.

Em apenas 12 anos, o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% no Brasil. Em 2022, essa faixa etária já somava aproximadamente 22,2 milhões de pessoas.

Fonte: Censo Demográfico 2022 – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Agência Gov.

A força de uma geração que precisa ser representada

Para o Bispo Alessandro Paschoall, responsável pelo grupo Arimateia, a política é uma forma de representatividade. Por isso, é primordial que os idosos se mantenham ativos nas urnas para garantir que seus direitos sejam defendidos e que tenham representantes comprometidos com suas necessidades.

Quando essa participação é negligenciada, a democracia deixa de ouvir a voz de mais de 32 milhões de pessoas que, ao longo dos anos, expressaram seus posicionamentos, opiniões e demandas por mudanças por meio do voto.

“A população idosa está aumentando e, consequentemente, suas necessidades de adaptação à sociedade também crescem. Transporte público de qualidade, saúde, lazer e acessibilidade são essenciais para garantir qualidade de vida e dignidade aos idosos. E ninguém melhor do que eles para conhecer as dificuldades e necessidades que enfrentam no dia a dia. Por isso, precisam permanecer ativos na defesa de seus direitos e contar com representantes que lutem por suas causas”, ressalta.

“Ninguém melhor do que eles para conhecer as necessidades que enfrentam no dia a dia. Por isso, precisam permanecer ativos na defesa de seus direitos”, Bispo Alessandro Paschoall, responsável nacional pelo grupo Arimateia.

O Poder de cada voto

Há quem pense que seu voto não fará diferença por representar apenas “uma única voz” diante das urnas. No entanto, o professor Luciano rebate esse pensamento com base nas Ciências Sociais, classificando-o como uma percepção de baixa eficácia política.

Segundo ele, a ideia de que “um voto não faz diferença” surge quando as pessoas acreditam que sua participação individual tem pouca influência sobre as decisões tomadas pela sociedade. Essa percepção, porém, ignora o fato de que os resultados das eleições são definidos justamente pela soma dos votos de milhões de cidadãos. “Quando muitas pessoas deixam de votar por acreditarem que sua escolha não fará diferença, a abstenção pode impactar significativamente o resultado eleitoral, enfraquecendo a representatividade democrática e reforçando a falsa ideia de que a participação política não é importante”, afirma o professor.

Por sua vez, o Bispo Alessandro reforça que um voto faz diferença, sim. Ao votar, o idoso deve lembrar que está exercendo um direito em benefício próprio e também das futuras gerações de sua família. “Cada voto é como um tijolo na construção do país que queremos. Por isso, você que tem mais de 70 anos, já lutou e defendeu o nosso país e sua família por muito tempo, deve continuar fazendo a sua parte. O voto facultativo tira a obrigatoriedade, mas não tira a responsabilidade”, conclui o Bispo.

Exemplo para as novas gerações

“Quando um idoso participa das eleições, transmite às gerações mais jovens a mensagem de que a cidadania e a participação política são deveres que devem ser exercidos ao longo de toda a vida. Seu envolvimento demonstra responsabilidade com o futuro da sociedade, respeito aos princípios democráticos e consciência de que cada voto contribui para as decisões coletivas. Além disso, serve de exemplo para os jovens, incentivando-os a valorizar seus direitos e a participar ativamente da construção de uma sociedade mais justa e democrática.”

Luciano Gomes dos Santos, professor de Ciências Sociais do Centro Universitário Arnaldo, de Belo Horizonte (MG).

Eleições definidas por um voto

As eleições brasileiras já mostraram, diversas vezes, que poucos votos podem mudar completamente o resultado de uma disputa.

  • Olho D’Água do Borges (RN) – 2024
    A eleição para prefeito foi decidida por apenas um voto. O vencedor recebeu 2.178 votos, enquanto o segundo colocado obteve 2.177.
  • Inhaúma (MG) – 2024
    A disputa pela prefeitura terminou em empate absoluto: ambos os candidatos receberam 2.434 votos. Conforme determina a legislação eleitoral, a vaga ficou com o candidato de maior idade.
  • Fernão (SP) – 2024
    A eleição para prefeito terminou com diferença de apenas um voto: 522 contra 521. A vantagem mínima definiu quem administraria o município pelos próximos quatro anos.
  • Gentil (RS) – 2024
    Outro caso decidido por um único voto. O vencedor recebeu 699 votos, enquanto o adversário obteve 698.
  • Rosário da Limeira (MG) – 2024
    A eleição municipal também foi definida por apenas um voto: 2.037 contra 2.036.

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Colaborador

Camila Dantas / Imagem: Gerada por IA